Mercado Imobiliário

Com Itaú e Amazon, locação de escritórios quadruplica em três meses em SP

Área locada quadruplica no trimestre e aluguel médio de escritórios de alto padrão sobe 2,8%, para R$ 153,59 por metro quadrado

Itaú: O banco ficou com 45.388 metros quadrados na Torre A do Esther Towers, na região da Chucri Zaidan. (CBRE/Divulgação)

Itaú: O banco ficou com 45.388 metros quadrados na Torre A do Esther Towers, na região da Chucri Zaidan. (CBRE/Divulgação)

Letícia Furlan
Letícia Furlan

Repórter de Mercados

Publicado em 21 de outubro de 2026 às 05h29.

Última atualização em 21 de outubro de 2026 às 11h31.

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O banco Itaú Unibanco e a varejista Amazon responderam por 52% dos aluguéis de escritórios de alto padrão em São Paulo no terceiro trimestre de 2026, com 84.617 metros quadrados ocupados. Segundo a consultoria imobiliária Cushman & Wakefield, as 44 transações do período somaram 163.279 metros quadrados, cerca de quatro vezes o volume do trimestre anterior.

Dois inquilinos responderam por mais da metade de todo o espaço de escritórios de alto padrão alugado em São Paulo entre julho e setembro. O Itaú Unibanco e a Amazon ocuparam, juntos, 84.617 metros quadrados no terceiro trimestre de 2026, ou 52% do total negociado na cidade.

O banco ficou com 45.388 metros quadrados na Torre A do Esther Towers, na região da Chucri Zaidan. A varejista ocupou 39.229 metros quadrados no Biosquare, na Rebouças. Os dados são do levantamento trimestral da consultoria Cushman & Wakefield sobre escritórios classe A e A+ nas principais regiões de negócios da capital, divulgado em primeira mão pela EXAME.

No total, foram 44 transações, que somaram 163.279 metros quadrados alugados. O volume é cerca de quatro vezes maior que o do segundo trimestre, quando foram locados aproximadamente 40 mil metros quadrados.

Grandes empresas voltaram a alugar prédios inteiros

A locação do Itaú é a ponta visível de um contrato ainda maior. Em setembro, o banco alugou as duas torres do Esther Towers, da Eztec, que somam 91,4 mil metros quadrados. O acordo deve render cerca de R$ 1,17 bilhão em aluguéis à incorporadora em dez anos.

A vigência começa de forma escalonada, conforme a entrega de cada torre. Por isso, só a Torre A, entregue no trimestre, entrou na conta da Cushman. Segundo o Itaú, a ampliação acompanha a maior frequência de funcionários no trabalho presencial.

A Amazon fez um movimento semelhante. O Biosquare foi entregue 100% pré-locado à empresa, o que fez a Rebouças terminar o trimestre sem nenhum metro quadrado vago.

Os setores financeiro, de varejo e de informação e comunicação concentraram as locações do período. Além do Itaú e da Amazon, a lista inclui a Bayer, com 13.334 metros quadrados no Alto das Nações, e a Claro, com 11.167 metros quadrados no Quota Corporate.

Também fecharam contratos a Fortinet, a BWGI, a Skechers e o Banco BOCOM BBM, com áreas entre 1.800 e 4.077 metros quadrados.

Prédio novo já chega ocupado

O trimestre recebeu 171.266 metros quadrados de novos escritórios. Em outros ciclos, um volume assim faria a vacância disparar. Desta vez, boa parte das entregas já chegou alugada.

A absorção líquida, indicador que desconta da área ocupada os espaços devolvidos, foi de 140.054 metros quadrados. No trimestre anterior, o saldo havia sido negativo.

A Chucri Zaidan liderou, com 58.934 metros quadrados. Em seguida vieram a Rebouças, com 39.229 metros quadrados, e a Chácara Santo Antônio, com 14.987 metros quadrados.

A taxa de vacância terminou setembro em 12,01%, alta em relação ao trimestre anterior, puxada pelas áreas novas que ainda não encontraram inquilino. No acumulado de 2026, a cidade recebeu 189 mil metros quadrados de escritórios e absorveu 202 mil metros quadrados. Ou seja, a demanda segue à frente da oferta.

Faria Lima continua a mais cara, mas perde inquilinos

O aluguel médio pedido subiu cerca de 2,8% em três meses e chegou a R$ 153,59 por metro quadrado ao mês. A alta se concentra nos imóveis de melhor qualidade, em que a vacância é baixa.

A Faria Lima segue no topo, com R$ 294,28 por metro quadrado. É quase quatro vezes o valor pedido na Chácara Santo Antônio, de R$ 75,59, a região mais barata e a mais vazia do levantamento, com 39,30% de vacância.

Depois da Faria Lima aparecem o JK, com R$ 284,05, e Pinheiros, com R$ 263,88. A Vila Olímpia teve uma das maiores altas do período, para R$ 232,60.

Apesar do preço, a Faria Lima foi a região com mais devoluções no trimestre: 8.042 metros quadrados desocupados. A vacância da avenida ficou em 8,16%.

Na outra ponta, o Itaim e a Rebouças zeraram a vacância. A Paulista foi a única região com absorção líquida negativa, de 643 metros quadrados.

RegiãoVacânciaAluguel pedido (R$/m²/mês)
Faria Lima8,16%294,28
JK3,51%284,05
Pinheiros4,98%263,88
Vila Olímpia19,91%232,60
Jardins17,04%180,00
Paulista3,22%146,18
Berrini8,27%122,12
Chucri Zaidan9,90%115,60
Marginal Pinheiros27,30%88,88
Chácara Santo Antônio39,30%75,59
Itaim0%sem área disponível
Rebouças0%sem área disponível

Fonte: Cushman & Wakefield, terceiro trimestre de 2026

Fundos imobiliários vão às compras

O aperto na oferta também aparece nas vendas. O Condomínio Faria Lima Plaza teve 5.813 metros quadrados vendidos ao fundo imobiliário CPOF11 por R$ 35.216 o metro quadrado, o equivalente a cerca de R$ 205 milhões.

Na Berrini, o fundo HAAA11 vendeu 12.269 metros quadrados do Thera Corporate ao TRXF11, a R$ 20.322 o metro quadrado, cerca de R$ 249 milhões. No mesmo prédio, o fundo HGRE11, do Pátria, vendeu outros 918 metros quadrados.

O Jacks Rabinovich Corporate Boutique, na Vila Olímpia, teve 4.775 metros quadrados negociados a R$ 35.079 o metro quadrado. É o mesmo prédio que recebeu a Fortinet no trimestre.

O que vem pela frente

Há 231.751 metros quadrados de escritórios em construção nas regiões analisadas. Pinheiros concentra a maior fatia, com 60.453 metros quadrados, seguida pelo JK, com 56.808 metros quadrados, e pela Chucri Zaidan, com 45.507 metros quadrados.

A Rebouças tem mais 25.984 metros quadrados em obra, o Itaim, 21.633 metros quadrados, e a Faria Lima, 21.366 metros quadrados. Segundo a Cushman, parte dessas áreas já está pré-locada.

A consultoria projeta alta de aluguel e de absorção nos próximos 12 meses e queda da vacância. A segunda torre do Esther Towers, já contratada pelo Itaú, deve reforçar essa tendência quando for entregue.

'Perguntas frequentes'

Quanto Itaú Unibanco e Amazon alugaram em escritórios em São Paulo? +

O banco Itaú Unibanco e a varejista Amazon ocuparam juntos 84.617 metros quadrados no terceiro trimestre de 2026, o equivalente a 52% do total negociado na cidade, segundo a Cushman & Wakefield. O Itaú ficou com 45.388 metros quadrados e a Amazon, com 39.229 metros quadrados.

Onde ficam os novos escritórios do Itaú Unibanco e da Amazon? +

O Itaú Unibanco ocupou a Torre A do Esther Towers, na região da Chucri Zaidan, enquanto a Amazon ficou com o Biosquare, na Rebouças. O Biosquare foi entregue totalmente pré-locado à Amazon, segundo o levantamento da Cushman & Wakefield.

Quantos escritórios de alto padrão foram alugados em São Paulo no terceiro trimestre de 2026? +

Foram alugados 163.279 metros quadrados em 44 transações, segundo a Cushman & Wakefield. O volume foi cerca de quatro vezes maior que o registrado no segundo trimestre, quando aproximadamente 40 mil metros quadrados foram locados.

Qual era o aluguel mais caro entre as regiões analisadas? +

A Faria Lima tinha o maior aluguel médio pedido, de R$ 294,28 por metro quadrado ao mês, segundo a Cushman & Wakefield. O valor era quase quatro vezes o da Chácara Santo Antônio, de R$ 75,59 por metro quadrado.

Qual era a taxa de vacância dos escritórios de alto padrão em São Paulo? +

A taxa de vacância encerrou setembro de 2026 em 12,01%, segundo a Cushman & Wakefield. Itaim e Rebouças não tinham áreas vagas, enquanto a Chácara Santo Antônio registrava a maior taxa, de 39,30%.

Qual é a projeção para o mercado de escritórios em São Paulo? +

A Cushman & Wakefield projeta alta dos aluguéis e da absorção, além de queda da vacância, nos 12 meses seguintes. A consultoria informou que havia 231.751 metros quadrados em construção nas regiões analisadas e que parte dessas áreas já estava pré-locada.

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