Mercado Imobiliário

Os maiores aluguéis de escritório de SP após locação recorde do Itaú: veja lista

Contrato de 91,4 mil metros quadrados coloca Esther Towers à frente de operações de Nubank, Amazon e Uber e ocorre em meio à redução da oferta de grandes escritórios

Esther Towers: Eztec decidiu construir as torres de forma especulativa, para oferecê-las ao mercado sem que houvesse previamente uma empresa contratada para ocupar o empreendimento. (CBRE/Divulgação)

Esther Towers: Eztec decidiu construir as torres de forma especulativa, para oferecê-las ao mercado sem que houvesse previamente uma empresa contratada para ocupar o empreendimento. (CBRE/Divulgação)

Letícia Furlan
Letícia Furlan

Repórter de Mercados

Publicado em 21 de setembro de 2026 às 13h26.

Última atualização em 21 de setembro de 2026 às 13h37.

Priorizar nos meus resultados Google

Uma locação de 91,4 mil metros quadrados ajuda a dimensionar como o mercado de escritórios de São Paulo mudou de escala. O espaço contratado pelo Itaú Unibanco no Esther Towers, da Eztec, na Chucri Zaidan, equivale a mais de quatro vezes a média das maiores locações recentes individuais da cidade, segundo levantamento da Binswanger Brazil.

O contrato, anunciado na semana passada, colocou o empreendimento entre as maiores operações corporativas já realizadas no país. A Binswanger classifica a transação como a maior locação corporativa já registrada no segmento comercial de alto padrão de São Paulo.

"Uma consolidação que supere a locação do Esther Towers pelo Itaú, em único complexo, não é replicável",  diz Simone Santos, sócia-diretora da consultoria.

A Torre Santander, na Avenida Juscelino Kubitschek, que pode vir a ser desocupada, tem 72 mil metros quadrados. E a sede do ASA, na Avenida Rebouças, de 57 mil metros quadrados, é o único projeto grande em desenvolvimento, segundo a executiva.

A CBRE, por sua vez, aponta o negócio como a maior locação de um empreendimento especulativo — construído sem ocupante previamente definido — já realizada no Brasil.

As duas consultorias tiveram participação na transação. A Binswanger representou o Itaú, enquanto a CBRE assessorou a Eztec.

Mais do que o tamanho excepcional do contrato, porém, o movimento acontece em um momento em que grandes empresas voltam a procurar áreas extensas, enquanto diminui a oferta de novos edifícios capazes de acomodá-las.

O levantamento da Binswanger coloca em perspectiva a dimensão do contrato. Nubank, Amazon, Casas Bahia e Uber estão entre as empresas responsáveis por algumas das maiores locações recentes da capital paulista.

Mesmo o Nubank, que aparece com a maior área depois do Itaú na relação apresentada pela consultoria, contratou pouco mais da metade do espaço envolvido no Esther Towers.

  • Itaú — Esther Towers: 91,4 mil m²
  • Nubank — Cyrela Oscar Freire e Capote 210: 50 mil m²
  • Amazon — Biosquare: 39,2 mil m²
  • Casas Bahia — Edifício Centenário: 16,5 mil m²
  • Uber — JK Square: 15,9 mil m²
  • Wise — River South: 14,1 mil m²
  • Claro — Chucri Zaidan: 11,2 mil m²
  • Braskem — Alto das Nações: 8,9 mil m²

Segundo a Binswanger, a operação do Itaú corresponde a mais de quatro vezes a média de espaço alocado nas maiores locações recentes individuais da cidade.

Outra comparação mostra a dimensão do negócio. A absorção líquida média de escritórios em São Paulo tem sido de aproximadamente 90 mil metros quadrados por trimestre, segundo a consultoria. A métrica representa a diferença entre os espaços ocupados e aqueles devolvidos pelas empresas.

Isso significa que apenas a área contratada pelo Itaú é equivalente à absorção líquida de todo o mercado paulistano em um trimestre médio.

“O fechamento de uma operação do tamanho da movimentação total do mercado em outros trimestres indica que podem começar a faltar áreas de escritórios”, afirma Santos.

E onde entram as maiores locações da história?

A comparação com operações históricas exige uma distinção entre dois modelos de desenvolvimento imobiliário.

O Esther Towers foi desenvolvido de forma especulativa, ou seja, a Eztec decidiu construir as torres para oferecê-las ao mercado, sem que houvesse previamente uma empresa contratada para ocupar o empreendimento. É diferente de um projeto built to suit (BTS), construído desde o início para atender às necessidades específicas de determinado ocupante.

Entre as maiores operações já registradas no Brasil está a Torre Senado, no Rio de Janeiro. Desenvolvida no modelo BTS para a Petrobras, a operação envolveu aproximadamente 95 mil metros quadrados em 2012, segundo a CBRE.

No segmento especulativo, uma das principais referências anteriores era o Green Towers, em Brasília, onde o Banco do Brasil alugou 86,5 mil metros quadrados em 2013.

Com 91,4 mil metros quadrados de área locável informados pela Eztec, o Esther Towers supera essa referência. Em seus dados de mercado, a CBRE considera aproximadamente 100 mil metros quadrados para o complexo e o classifica como a maior locação especulativa de escritórios já realizada no país.

Por que está ficando mais difícil encontrar escritórios grandes

Tanto a CBRE quanto a Binswanger identificam um movimento semelhante por trás da operação: grandes ocupantes estão voltando a tomar decisões imobiliárias de longo prazo justamente quando a oferta de grandes áreas corporativas começa a ficar mais restrita.

Dados da CBRE mostram que, entre 2010 e 2025, o número de empresas ocupando mais de 20 mil metros quadrados em São Paulo cresceu 59%, passando de 22 para 35. Na faixa entre 10 mil e 20 mil metros quadrados, o avanço foi de 50%, de 24 para 36 empresas.

O movimento da oferta seguiu na direção contrária. Entre 2010 e 2019, foram contabilizados 54 novos empreendimentos com áreas entre 10 mil e 20 mil metros quadrados. Considerando o período entre 2020 e 2028, o número cai para 26, redução de 52%.

Entre os imóveis com mais de 20 mil metros quadrados, a quantidade passa de 35 para 28 na mesma comparação entre períodos, queda de 20%.

A consequência já aparece para empresas que precisam concentrar milhares de funcionários no mesmo endereço. Segundo a CBRE, quem procura hoje mais de 20 mil metros quadrados consecutivos encontra apenas uma opção disponível em São Paulo.

“Os grandes ocupantes estão voltando ao mercado e tomando decisões de longo prazo. Ao mesmo tempo, temos uma redução importante das entregas prevista para 2027 e poucas alternativas capazes de acomodar grandes demandas em áreas contíguas e de alta qualidade. Essa combinação tende a aumentar a disputa por espaços Triple A em São Paulo nos próximos anos”, afirma Felipe Giuliano, diretor-executivo de Locação, Saúde, Brokerage e Pesquisa da CBRE Brasil.

Oferta de novos escritórios deve encolher em 2027

A diferença entre oferta e demanda pode ficar mais evidente a partir do próximo ano. Para 2026, a CBRE prevê aproximadamente 400 mil metros quadrados de novos escritórios em São Paulo. Em 2027, o volume esperado deve ficar abaixo de um terço desse total.

Os novos empreendimentos também estão ficando menores. Os edifícios entregues entre 2010 e 2019 tinham, em média, cerca de 11,5 mil metros quadrados. Considerando as entregas entre 2020 e 2028, a média recua para aproximadamente 9,5 mil metros quadrados.

Uma das entregas previstas para 2027 será justamente a segunda torre do Esther Towers, que chegará ao mercado já comprometida com o Itaú.

A escala da operação também muda os números da região onde o Esther Towers está sendo construído. Segundo a Binswanger, a taxa de vacância dos edifícios de padrões A e A+ da Chucri Zaidan estava em 13,5%. Com a locação integral do empreendimento, a taxa cai para aproximadamente 12%.

O contraste aparece no cenário oposto: caso o Esther Towers chegasse ao mercado sem ocupante, a vacância da região subiria para aproximadamente 22%, segundo cálculos da consultoria.

A taxa já vinha caindo. No fim de 2025, estava em 16,7% e passou para 14,5% no primeiro trimestre de 2026, antes de atingir 13,5% no segundo trimestre.

No mesmo período, a absorção líquida da Chucri Zaidan foi de 17.885 metros quadrados. O estoque chegou a 817.847 metros quadrados após a entrada do Éden Corporate, com 14 mil metros quadrados.

Para a Binswanger, a chegada de um ocupante do porte do Itaú reforça a transformação da Chucri Zaidan em endereço para grandes empresas do setor financeiro.

“A Chucri deixa de ser apenas uma alternativa de custo à Faria Lima e passa a ser um hub corporativo consolidado de São Paulo”, afirma Eduardo Cardinali, diretor de Transações de Escritórios da Binswanger.

O que o Itaú alugou

O Esther Towers é formado por duas torres corporativas de padrão Triple A. O contrato do Itaú envolve aproximadamente 91,4 mil metros quadrados de área locável e terá duração inicial de dez anos, com possibilidade de extensão por outros cinco.

Segundo comunicado da Eztec, os aluguéis devem gerar aproximadamente R$ 1,17 bilhão nos primeiros dez anos, considerando valores atuais, com reajuste anual pelo Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA).

A operação implica aluguel médio próximo de R$ 107 por metro quadrado ao mês, de acordo com cálculo do BTG Pactual.

O banco deve ocupar o complexo de maneira escalonada conforme as torres forem entregues. A iniciativa envolve quase 10 mil posições de trabalho e integra o plano de investimentos em infraestrutura do Itaú diante da evolução gradual de seu modelo híbrido.

“A escolha do Esther Towers levou em conta critérios operacionais, de infraestrutura e de atendimento às necessidades futuras, com foco em ambientes que favoreçam a colaboração, a troca de conhecimento e a integração entre as equipes”, afirmou o Itaú em nota.

A operação ainda representa para a CBRE o fechamento de um ciclo iniciado antes da construção das torres. A consultoria participou da identificação e venda do terreno à Eztec, atuou durante o desenvolvimento do projeto, representou a incorporadora na locação e também foi contratada para administrar o ativo após a ocupação.

Para um mercado que agora tem mais empresas procurando grandes espaços e menos edifícios com escala para recebê-las, os 91,4 mil metros quadrados do Esther Towers servem também como medida do tamanho que uma única decisão imobiliária pode assumir.

Acompanhe tudo sobre:ItaúNubankUberAmazonEztecMercado imobiliárioSão Paulo capital

Mais de Mercado Imobiliário

Aluguel de imóvel no Brasil custa 76% mais do que consumidor pode pagar

Fim da escala 6x1 pode encarecer imóveis em 5,5%, alerta Abrainc

TRXF11 e Matriz fecham operação de R$ 1,4 bi em galpões alugados ao Mercado Livre

Com quase 300 arranha-céus, Dubai quer construir torre dedicada a empresas de IA