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Omotenashi: entenda o que é esse conceito que vem ganhando espaço no Brasil

O conceito japonês de hospitalidade permeia todos os aspectos da vida cotidiana

Hospitalidade: Enquanto o japonês tem o omotenashi arraigado em sua forma de ser, o brasileiro está se familiarizando com o conceito. (AzmanL/Getty Images)

Hospitalidade: Enquanto o japonês tem o omotenashi arraigado em sua forma de ser, o brasileiro está se familiarizando com o conceito. (AzmanL/Getty Images)

Publicado em 5 de abril de 2024 às 15h34.

Última atualização em 8 de abril de 2024 às 12h22.

Na cultura japonesa, o conceito de hospitalidade vai muito além do bem servir. O omotenashi é uma filosofia de vida secular que sobreviveu à passagem do tempo e, até hoje, está impregnada nas práticas no dia a dia. O japonês vivencia o omotenashi ao comer no restaurante, ao fazer compras em uma loja de departamentos, ao pedir um coquetel no bar, ao se hospedar em um hotel e até em uma simples corrida de táxi.

Para um ocidental, não é mesmo fácil entender esse conceito, já que o japonês não compreende o servir da mesma forma que nós – não se trata de uma obrigação, um conjunto de regras ou um gesto treinado para agradar o cliente, mas de uma atitude autêntica, que vem de dentro e tem como objetivo surpreender, encantar, fazer com que o outro se sinta importante.

Quando nos debruçamos sobre a origem da palavra omotenashi, encontramos a raiz desse conceito tão abstrato. O termo se origina das expressões japonesas omote, que significa rosto, face, lado externo, e nashi, cuja tradução é “não ter”, “não existir”. Em suma, praticar o omotenashi é ser autêntico, íntegro, genuíno e trazer a hospitalidade no coração, porque a face que se apresenta ao outro não é pura fachada.

No passado, o omotenashi se desenvolveu nas ryokan, hospedarias tradicionais que recebiam viajantes com rituais reconfortantes, e nas cerimônias do chá, cujo gestual transmite reverência e carinho. A atenção aos detalhes da apresentação e o ambiente minuciosamente preparado para acolher criavam momentos especiais entre o anfitrião e o convidado.

      Essa filosofia sobrevive no Japão contemporâneo porque os japoneses não aprendem o omotenashi – eles vivem o omotenashi desde que nascem e praticam o conceito diariamente, em casa e fora dela. Quem já teve a chance de entrar em um restaurante japonês tradicional pode ter se assustado com o entusiasmo do cumprimento irashaimase – mais do que dar boas-vindas, o anfitrião faz questão de transmitir sua energia ao cliente. É assim também na loja de departamentos, no hotel de luxo e no bar.

      Durante o serviço, a atenção total ao cliente envolve todos os sentidos. O anfitrião olha, ouve, sente as reações do outro e, sobretudo, se antecipa às suas necessidades. Não por acaso, cozinhas e bares são abertos, sem barreiras, para que todo esse cuidado com o preparo e a apresentação sejam acompanhados de perto – são como palcos, onde sushimen e bartenders exercem sua arte. Os gestos são estudados, tudo é bonito e impecável.

      Enquanto o japonês tem o omotenashi arraigado em sua forma de ser, o brasileiro está se familiarizando com o conceito. Sua principal porta de entrada tem sido o mercado de luxo – de restaurantes a hotéis, de bares a eventos dos mais variados segmentos, assim como fabricantes de joias, automóveis e bebidas finas: todos se esmeram cada vez mais para oferecer experiências impecáveis, que fiquem na memória do público.

Assim, para que esse omotenashi também passe a fazer parte do nosso dia a dia, é apenas questão de tempo. 

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