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Em contraste com muitos modelos de investimento, as universidades americanas, através dos fundos de endowment, operam com um horizonte de tempo praticamente ilimitado. Essa característica permite uma abordagem única de investimento, em que a necessidade de liquidez imediata é significativamente reduzida.

Isso oferece a liberdade de se engajarem em oportunidades de investimento de longo prazo que perduram pelos ciclos econômicos e apresentam um potencial de retorno superior, quando comparado aos ativos líquidos mais tradicionais.

O que são endowments?

Em termos simples, os endowments são fundos de investimento perpétuos com o objetivo de financiar grandes instituições, e é por isso que o conceito da perpetuidade é tão importante aqui. Enquanto o capital existir, a instituição existe, e vice-versa. Ter liquidez em todo e qualquer investimento não é prioridade se o objetivo é construir legados.

Essa habilidade de assumir riscos calculados e investir em ativos menos líquidos e, principalmente, nos ativos privados, é um diferencial para os endowments. Esses investimentos, ao longo do tempo, tendem a oferecer retornos substancialmente mais altos, em parte devido ao chamado "prêmio de iliquidez". Ele compensa os investidores pela falta de liquidez e pelo tempo de espera mais longo para a realização dos retornos.

Nos anos 1980, David Swensen revolucionou o modelo de gestão dos endowments americanos e transformou o fundo perpétuo de Yale, olhando justamente para o princípio da perpetuidade do capital.

Sua abordagem é baseada principalmente em uma estrutura de portfólio diversificada, dividindo os investimentos entre cinco ou seis partes em média que, por sua vez, devem ser aplicadas em diferentes classes de ativos. Seu modelo enfatiza ampla diferenciação com orientação ao mercado de private equity, mas, também, evita a alocação de capital em classes de ativos com baixo retorno esperado.

Swensen diversificou, introduzindo mais investimentos alternativos ao portfólio, e trouxe para a gestão mais agilidade, perspectiva e eficiência de custos.

Com sua visão pioneira e eficiente de investimentos, Swensen é considerado pela indústria como um investidor no mesmo patamar que Warren Buffett ou Peter Lynch, embora não seja tão reconhecido quanto seus pares.

Mesmo depois de Swensen, o modelo de gestão do endowment da Universidade de Yale continuou evoluindo e o fundo que alocava 18,2% do patrimônio em private equity em 2001,  alocava 22,6% exclusivamente em venture capital 19 anos depois, destinando cerca de 40% do patrimônio em investimentos em privados.

As outras universidades entenderam a genialidade de Swensen e do portfólio de Yale e, hoje, o modelo de gestão dos endowments americanos é um dos mais eficientes do mundo, com algumas características principais marcantes:

  • Visão de longo prazo e perpetuidade: os endowments são estruturados para existirem indefinidamente, com um foco especial na proteção do capital principal contra a erosão do valor, enquanto geram rendimentos de forma consistente e segura​​;
  • Diversificação abrangente: a diversificação extensa em múltiplas classes de ativos é uma das marcas registradas dos endowments. Tal abordagem engloba tanto os ativos tradicionais quanto os alternativos, visando mitigar riscos e assegurar uma estabilidade maior no portfólio de investimentos;
  • Adaptação e equilíbrio dinâmicos: a capacidade de reavaliar e reajustar os investimentos é uma prática constante nos endowments, garantindo que eles permaneçam alinhados com os objetivos financeiros a longo prazo, mesmo diante das flutuações do mercado​​;
  • Foco em ativos privados: uma das chaves para os resultados expressivos dos endowments é o investimento em ativos privados que, muitas vezes, não são incluídos em portfólios mais tradicionais, proporcionando uma diversificação eficaz e planejamento voltado para o longo prazo

Inspiradas pela distinção dos modelos dos endowments, muitas famílias ao redor do mundo começaram a adotar estratégias de investimento semelhantes para uma parcela de seus patrimônios.

Esse movimento surge especialmente no contexto de planejamento patrimonial de longo prazo, onde as famílias visam preservar e crescer seu capital ao longo das gerações. Abrindo mão de liquidez de maneira estratégica, diversificando o portfólio e buscando a eficiência dos endowments americanos, as famílias se colocam no centro e no controle da gestão de patrimônio.

No contexto brasileiro, modelos como o dos endowments deveriam se tornar extremamente relevantes, porém a implementação desse modelo pelas famílias e grandes investidores do país ainda é incipiente.

Os brasileiros, em geral, têm a tradição de investir localmente e em ativos extremamente líquidos, indo na direção diametralmente oposta à tendência que as famílias americanas e europeias vêm seguindo nas duas últimas décadas.

Adicionalmente aos excelentes retornos obtidos por tais portfólios, as famílias americanas e europeias também perceberam que, ao planejarem a sua distribuição de liquidez com cuidado, parte de seu patrimônio se torna perpétuo.

Além da capacidade de tomar risco e capturar retornos através de investimentos alternativos, ilíquidos de longo prazo, esse capital extremamente paciente está sendo investido orientado por propósitos e valores pessoais de cada família.

Inúmeras inovações científicas e tecnológicas e contribuições relevantes para a sociedade estão diretamente relacionadas ao capital permanente dessas famílias sendo investido com propósito.

Ao alinhar a gestão do patrimônio com os valores individuais, como fazem as grandes universidades americanas, as famílias têm o potencial de participarem dos resultados e se tornarem as grandes responsáveis por ditar o andamento de avanços tecnológicos, da saúde, e de diversas outras áreas de interesse global.

As famílias investidoras podem ser empoderadas a ponto de não apenas protegerem e expandirem seu patrimônio de acordo com objetivos pessoais, mas, também, contribuírem para mudanças significativas no mundo em que vivemos.

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