Líderes Extraordinários

Diversão sem álcool: mocktails ganham espaço e desafiam a indústria de bebidas

Apesar do mercado de bebidas alcoólicas ainda ser dominante, a indústria está atenta a esse novo mercado, com marcas como Pernod Ricard e Diageo lançando opções não alcoólicas

Novo hábito na geração Z: segundo as pesquisas, ela tem consumido menos álcool que as gerações anteriores. (Catherine Falls Commercial/Getty Images)

Novo hábito na geração Z: segundo as pesquisas, ela tem consumido menos álcool que as gerações anteriores. (Catherine Falls Commercial/Getty Images)

Taiza Krueder
Taiza Krueder

CEO do Grupo Clara Resorts

Publicado em 7 de maio de 2024 às 11h57.

O que era tendência há uns anos está se firmando, cada vez mais, como um hábito: o consumo de mocktails. E com isso os hypados drinques sem álcool estão ainda mais elaborados e se confundem – visualmente falando – com os tradicionais coquetéis alcoólicos.

E não é somente no visual que os também chamados soft drinks se equiparam aos com álcool. Em suas preparações, os barmen se esmeram na criação de coquetéis exclusivos e que levam ingredientes para lá de inusitados, numa combinação de dar água na boca. O desafio desses verdadeiros alquimistas das bebidas é criar algo complexo que seja uma verdadeira experiência gastronômica.

Algumas das inspirações dos mocktails ao redor do mundo vêm da Arábia Saudita e outros países islâmicos, onde é proibido o consumo de álcool. Mas a maioria das criações tem outra razão: a busca de uma vida mais saudável. Com isso, os coquetéis sem álcool têm sido uma constante em bares, restaurantes, eventos sociais e até corporativos.

Pude constatar isso em Milão, onde estive recentemente por ocasião do Salone del Mobile 2024. Seja na maior feira de móveis do planeta, conhecida pelo design arrojado e de vanguarda que dita tendências mundo afora, seja após o evento, em confraternizações, o que mais vi foi gente abrindo mão do inigualável prosecco e de excelentes vinhos italianos para se deliciarem com mocktails.

E é claro que a indústria de bebidas está de olho nesse mercado que tem entre seus targets os consumidores da Geração Z – segundo as pesquisas, ela tem consumido menos álcool que as gerações anteriores. Outro público são adeptos do movimento mindful drinking, que promove uma relação mais equilibrada com bebidas alcóolicas.

A novidade é desafiadora tanto para a indústria como para o varejo. Conhecida por marcas como Absolut, Ballantine’s e Beefeater, entre outras, a Pernod Ricard lançou nos EUA mocktails e enfrentou um desafio logo de cara quando chegou aos pontos de venda: onde posicioná-los, por exemplo, nas gôndolas dos supermercados? Entre as bebidas alcóolicas e os refrigerantes?

Mesmo assim a Pernod Ricard entrou de cabeça nesse mercado. Um exemplo notável é a Ceder’s, uma bebida destilada sem álcool, feita com extrato de aroma de 15 ingredientes botânicos e leve semelhança com gin, disponível em 15 países.

A concorrente Diageo também seguiu esse caminho, com o lançamento de uma cerveja Guinness não-alcoólica e uma versão sem álcool do gin Tanqueray. Depois da visita à Itália, fiz um rápido tour pela Provence, na França. Numa degustação de vinhos, começamos justamente pelo NOOH, um vinho não-alcoólico da Chateau La Coste. Maravilhoso!

Apesar de sua ascensão, os mocktails industrializados são ainda gotas perto do volume do mercado global de bebidas com álcool que, somente neste ano, deve ter uma receita mundial de US$ 1,17 trilhão, um crescimento de 5% ante 2023, segundo o Statista.

No Brasil, a previsão de receita de bebidas com álcool é estimada em US$ 22,8 bilhões para 2024, um incremento de 2,4% ante o ano anterior. Mas o mercado de soft drinks mostra-se cada vez mais promissor.

Os mocktails não são mais modinha. Eles vieram para ficar, pois atendem à demanda de um público que deseja desfrutar de rituais sociais, porém sem os efeitos colaterais negativos do álcool.

Este novo hábito reflete uma maior conscientização sobre o consumo de bebidas alcoólicas, uma verdadeira mudança cultural, que traz muitos benefícios também à sociedade. Basta ver os efeitos nocivos da ingestão de bebidas alcóolicas nos acidentes de trânsito, que vitimizam e matam pessoas, muitas delas inocentes.

É possível se divertir e se sociabilizar sem álcool. Um brinde e longa vida aos mocktails!

Acompanhe tudo sobre:Líderes ExtraordináriosLiderança

Mais de Líderes Extraordinários

As leis do poder e como usá-las de forma eficaz

Documentário explora a jornada heróica do mitologista Joseph Campbell

Depois dos nativos digitais, vêm aí os nativos IA´s

Está sendo ignorado pelo seu chefe? Entenda o que é ghosting no trabalho e como quebrar esse ciclo

Mais na Exame