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Uma estratégia, dois bancos, duas táticas

Como o Itaú tomou a decisão de desistir do Banespa e comprar o BBA

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Da Redação

Publicado em 10 de outubro de 2010 às 03h34.

A avaliação de um investimento pelo Banco Itaú passa por três fases. A montagem de um cenário, a avaliação do impacto do negócio e um cálculo dos riscos. Um bom exemplo de como essa estratégia funciona na prática foi a decisão de não participar do leilão do Banespa, em novembro de 2000.

O Itaú manteve o suspense sobre sua participação no leilão até o último momento. O diretor encarregado de participar da compra foi enviado ao Rio de Janeiro no domingo, dia 19 de novembro do ano 2000. Na manhã da segunda-feira, data do leilão, ele chegou a ir de táxi para a porta da Bolsa do Rio. Lá, um telefonema de Roberto Setúbal o fez dar meia-volta e retornar ao hotel. Ele sequer entrou no pregão da bolsa.

O alto risco foi a razão para a desistência. Comprar o banco estatal paulista teria sido um bom negócio - que fazia sentido pela avaliação econômica, pois a expectativa na época era de um crescimento razoável da economia. O impacto nos negócios do Itaú também seria positivo. O Banespa tinha uma excelente rede, uma boa base de clientes e muito espaço para cortar custos. O problema era que fazer isso demandaria muito tempo. "O retorno só viria em 2005, e o conselho avaliou que seria muito tempo para esperar, ainda mais com uma eleição presidencial no meio do caminho", diz Henri Penchas, vice-presidente executivo do Itaú.

Havia mais um problema. A compra do Banespa deixaria o Itaú na desconfortável posição de ter créditos fiscais em excesso. Esses créditos são o resultado da compra de uma estatal privatizada acima de seu preço mínimo. Tudo o que for pago como ágio pode ser usado para reduzir o imposto de renda sobre o lucro que o comprador tem de pagar. O Itaú já tinha 2,5 bilhões de reais em créditos fiscais por causa do ágio pago nas compras do banco estatal mineiro Bemge e do paranaense Banestado. Com a compra do Banespa, esse valor subiria para uma cifra entre cinco e 7,5 bilhões de reais. Como o Itaú é um banco muito lucrativo, em tese seria um bom negócio ter esses créditos em carteira para acertas as contas com o Leão se não fosse pela fragilidade fiscal desse crédito. "Uma assinatura do secretário da Receita Federal poderia mudar as regras da utilização dos créditos fiscais e invalidar todas as nossas contas", diz Penchas.

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ois anos depois, o Itaú anunciou a compra do banco de investimentos BBA. O negócio, anunciado no dia 19 de novembro de 2002, seguiu o mesmo procedimento. A diferença foi que os executivos do Itaú não fizeram uma avaliação, mas quatro. "Olhamos o banco de atacado, a financeira Fináustria, o private bank e a tesouraria do BBA como negócios isolados", diz Penchas. O resultado da avaliação mostrou que as maiores sinergias estavam no banco de atacado e na financeira, ao passo que a tesouraria e o private bank teriam menos a acrescentar. A combinação dessas quatro avaliações chegou ao preço final de 3,25 bilhões de reais, pagos parte em dinheiro e parte em dívida.

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