. (Marcello Casal Jr/Agência Brasil)
Redator
Publicado em 4 de maio de 2026 às 17h39.
Última atualização em 4 de maio de 2026 às 17h40.
Faltando menos de um mês para o fim do prazo da declaração do Imposto de Renda 2026, a busca por atalhos para encarar a papelada passou a incluir até mesmo a inteligência artificial com ferramentas como ChatGPT e Gemini.
Esses chats viraram aliadas informais de quem nunca pagou um contador. Mas, segundo especialistas, o que essas plataformas conseguem (e o que não conseguem) entregar ainda é mal compreendido pelo contribuinte médio.
Na prática, a IA funciona melhor como uma espécie de "professor particular tributário" do que como um substituto do programa oficial da Receita Federal.
Ela ajuda a destrinchar jargões, a entender quando vale a pena escolher o modelo simplificado em vez do completo, a listar quais documentos separar antes de começar e a esclarecer regras específicas, como quem pode entrar como dependente ou quais despesas médicas são dedutíveis.
Para um trabalhador CLT sem grandes complicações patrimoniais, esse tipo de orientação geral pode reduzir a sensação de paralisia diante da declaração.
A IA também pode ser útil em uma segunda frente: a revisão. Colado em um chatbot, um rascunho descritivo do que o contribuinte pretende informar – sem dados pessoais identificáveis, é claro – costuma render boas observações sobre inconsistências, esquecimentos comuns (como o famoso carnê-leão do trabalhador autônomo) e até alertas sobre situações que aumentam o risco de malha fina. Vale como uma segunda leitura antes de bater o martelo.
O problema começa quando o usuário tenta delegar o trabalho. IA nenhuma preenche, assina ou envia a declaração. A entrega segue restrita ao Programa Gerador da Declaração (PGD), à plataforma Meu Imposto de Renda e ao aplicativo da Receita.
E há uma limitação técnica relevante: como esses modelos não estão integrados aos sistemas do Fisco e nem sempre operam com a legislação atualizada, qualquer orientação sobre faixas de obrigatoriedade, limites de dedução ou regras novas precisa ser conferida em fonte oficial.
Casos com renda variável, criptoativos, atividade rural, herança ou bens no exterior continuam sendo território de contador.
O segundo risco – talvez o mais subestimado – é o de privacidade.
Inserir CPF, valores exatos de rendimento, informes bancários ou documentos completos em chatbots públicos significa enviar informações financeiras sensíveis para servidores no exterior, sob políticas de uso que a maioria dos usuários nunca leu.
Especialistas em direito digital alertam que essa prática pode esbarrar na Lei Geral de Proteção de Dados (LGPD), além de criar exposição desnecessária a vazamentos.
A regra prática recomendada é usar a IA para dúvidas conceituais e descrições genéricas, nunca para colar dados reais e identificáveis.
Há ainda a questão das chamadas alucinações – respostas inventadas com aparência de autoridade. Em temas tributários, isso pode se traduzir em uma dedução que não existe mais, um limite desatualizado ou uma orientação que valia para um regime fiscal diferente do brasileiro. O risco aumenta quando o contribuinte aceita a primeira resposta sem cruzar com o site da Receita ou com a cartilha oficial.
Para quem quer usar IA com segurança, alguns hábitos ajudam:
A inteligência artificial não substitui o Leão, mas pode reduzir o atrito de quem se sente perdido diante dele.
Seja no começo de carreira ou não, dominar IA virou requisito. Um currículo brilha muito mais aos olhos de um recrutador quando há certificações em inteligência artificial. Para quem deseja garantir essa estrelinha no CV, a EXAME abriu inscrições para seu treinamento virtual sobre IA. São quatro aulas, por R$ 37. Inscreva-se aqui.