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Dificuldade de lidar com as finanças pode ser sintoma de Alzheimer

Confusão para pagar contas e investir está entre os primeiros sinais; médicos e advogados aconselham família a acompanhar

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Julia Wiltgen

Publicado em 3 de novembro de 2010 às, 17h22.

São Paulo - Depois de uma certa idade, é normal ter esquecimentos ou mesmo uma lentidão maior para desempenhar tarefas do dia a dia. Mas quem sempre cultivou o hábito de cuidar bem das próprias finanças e investimentos deve ficar alerta se a dificuldade de desempenhar essa atividade se tornar um problema recorrente e grave. Este pode ser um indicativo inicial da doença de Alzheimer.

Segundo neurologistas, dificuldades com tarefas rotineiras que envolvem método, planejamento e estratégia estão entre os sintomas iniciais do Alzheimer, principalmente quando a pessoa sempre foi disciplinada. “Geralmente, é o próprio paciente que percebe o problema”, afirma Ivan Okamoto, coordenador do Departamento de Neurologia Cognitiva e do Envelhecimento da Academia Brasileira de Neurologia.

Essa perda de habilidade de realizar tarefas rotineiras relacionadas ao dinheiro já foi constatada por um estudo da Universidade do Alabama, que acompanhou pessoas saudáveis e pessoas com uma leve diminuição da capacidade cognitiva, tida como um estágio inicial do Alzheimer. Destas últimas, todas as que desenvolveram Alzheimer ao cabo de um ano tiveram queda no desempenho em tarefas relacionadas às finanças ao longo da duração do estudo, ao passo que as outras, que não desenvolveram a doença, permaneceram com o mesmo desempenho.

Pacientes de Alzheimer em estágio inicial esquecem as senhas do banco ou o local onde as anotaram, deixam de pegar o troco depois de pagar uma compra e começam a se confundir na hora de tomar decisões de investimento. Também passam a se esquecer de pagar as contas, tornando frequentes as multas ou mesmo o corte de serviços como água e luz. Ou o contrário, começam a pagar as contas duas vezes. Resultado: passam a literalmente perder dinheiro.

“Esses esquecimentos e confusões só se tornam um sinal de alerta quando ficam recorrentes e começam a interferir no dia a dia. A pessoa começa a dilapidar o patrimônio e a gastar sem consequência”, explica Okamoto. Mas é importante ficar atento a outros sintomas, como o esquecimento frequente de outras tarefas rotineiras, como compromissos, receitas culinárias e administração de remédios, a perda de interesse por passatempos, a dificuldade de acompanhar narrativas (como filmes, livros e novelas) e a confusão para jogos de estratégia, como xadrez e pôquer.


A família deve ajudar

Ao detectar esses sintomas é aconselhável não só procurar um médico, mas também passar a se planejar para que alguém da família comece a assumir algumas funções em relação às finanças e a controlar os gastos do possível paciente de Alzheimer. “Em média, o diagnóstico de Alzheimer leva 36 meses. Durante esse tempo, a família já pode ir se adaptando. No Brasil, geralmente é um filho ou o cônjuge que assume as tarefas de quem apresenta os sintomas”, explica Ivan Okamoto.

Algumas medidas simples podem ser tomadas, como utilizar mais dinheiro em espécie do que cartões ou cheques, separar uma quantidade em dinheiro trocado para gastar por semana e sempre monitorar a pessoa, para que ela não guarde o dinheiro e esqueça onde, por exemplo.

Em casos extremos, a lei brasileira permite que a família abra um processo para interditar judicialmente os parentes declarados incapazes de lidar com as próprias finanças. Em geral, esse recurso só é utilizado caso haja real risco de o doente provocar a própria falência ou mesmo ser vítima de pessoas de má fé. Durante o processo de interdição também é solicitada uma perícia para detectar se o paciente tomou atitudes já sob os sintomas da doença, como assinatura de testamento ou doações. Dependendo da situação, é possível até revertê-las.

O juiz da vara de família designa um médico para preparar um laudo e, caso este ateste a doença, escolhe um parente para ser o curador dos bens do paciente.“Há um projeto no Congresso que admite a figura jurídica do testamento vital, que permite que o testador escolha o próprio curador em caso de demência, mas isso ainda não existe no Brasil”, esclarece o advogado de família e sucessões Rolf Madaleno.

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