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Focus: Mercado eleva projeção para Selic de 2023 após entrega da PEC da Transição

Economistas passam a ver dólar mais caro para este e os próximos anos

Roberto Campos Neto, presidente do Banco Central do Brasil (Andre Coelho/Bloomberg)

Roberto Campos Neto, presidente do Banco Central do Brasil (Andre Coelho/Bloomberg)

Guilherme Guilherme
Guilherme Guilherme

21 de novembro de 2022, 09h40

O mercado brasileiro passou a projetar cortes de juros mais brandos para o ano que vem, com o novo consenso de Selic para o fim de 2023 passando de 11,25% para 11,50%, segundo boletim Focus do Banco Central divulgado nesta segunda-feira, 21.

A expectativa de juros mais altos para o ano que vem tem como pano de fundo a piora da percepção dos riscos fiscais diante dos planos do novo governo para acomodar despesas com programas sociais fora do teto de gastos. Estima-se que a PEC da Transição, entregue ao Congresso na última semana, possa deixar até R$ 200 bilhões fora do orçamento previsto para o ano que vem.

Com o menor equilíbrio nas contas públicas e expectativa de aumento da dívida, economistas preveem que ficará mais caro para o governo conseguir novos empréstimos.

As novas projeções para a política monetária também se refletem na bolsa, com investidores chegando a precificar altas de juros para o ano que vem.

Dólar mais caro

Economistas também esperam que o dólar fique mais alto, com o novo consenso para este ano passando de R$ 5,20 para R$ 5,25 e, para o ano que vem, de R$ 5,20 para R$ 5,24. Para o dólar 2024, a revisão foi de R$ 5,15 para R$ 5,20 e, para o PIB, de 1,80% de alta para 1,70%

O boletim Focus desta segunda, porém, mostrou que o mercado segue otimista com o crescimento deste ano, com novo ajuste do PIB de 2022 para cima, passando de 2,77% de alta para 2,8%. Já a projeção para o PIB de 2023 se manteve estável em 0,7% de alta pela segunda semana seguida, após sucessivas revisões para cima.