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Fintech uruguaia dLocal tem dia volátil na Nasdaq, após desabar 50% em meio à suspeita de "fraude"

Analistas reconhecidos mundialmente por teses de venda a descoberto veem contradição em números divulgados pela companhia

Painel eletrônico da Nasdaq em Times Square, em Nova York, saúda a estreia da fintech dLocal: Ação tiveram maior queda desde IPO (Reprodução/Reprodução)

Painel eletrônico da Nasdaq em Times Square, em Nova York, saúda a estreia da fintech dLocal: Ação tiveram maior queda desde IPO (Reprodução/Reprodução)

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Guilherme Guilherme

17 de novembro de 2022, 15h38

As ações da empresa de soluções de pagamento uruguaia dLocal seguem altamente voláteis nesta quinta-feira, 17, na Nasdaq, chegando a a oscilar entre uma queda de 13,2% e uma alta de 16,9%.

A forte volatilidade ocorre após os papéis da dLocal terem desabado 50% na véspera. A queda foi a maior desde que a empresa abriu capital no mercado americano, em junho do ano passado.

A desvalorização teve como pano de fundo graves acusações da Muddy Waters Research, que publicou um relatório na quarta-feira, 16, com os motivos pelos quais estavam vendidos na tese -- apostando na desvalorização do papel. A casa, por sinal, é uma das mais conhecidas do mundo quando o assunto é posição vendida.

Muddy Waters x dLocal

Segundo os analistas da Muddy Waters, há fortes indícios de que a dLocal tenha realizado "fraudes" em seus balanços divulgados ao mercado. Um dos principais pontos é o volume total de pagamentos (TPV, na sigla em inglês), que teria sido inflado com o intuito de iludir os investidores sobre seu ritmo de crescimento. A empresa se tornou o primeiro unicórnio do Uruguai ao ser avaliada em mais de US$ 1 bilhão, em 2020.

"A dLocal tem repetido divulgações sobre seu TPV e contas a receber que se contradizem categoricamente", afirmou a Muddy Waters na apresentação do relatório. "Encontramos uma série de mentiras que a empresa contou, junto com contas que alterou para corroborar as mentiras." As supostas mentiras, segundo os analistas, tinham como objetivo "disfarçar o momento do exercício de uma opção e a fonte de financiamento para esse exercício de opção", que seria para alguém de dentro da empresa, um "insider".

"Na ausência do nível mais flagrante de incompetência, essas alterações de conta devem apontar para fraude."

A Muddy Waters também levantou suspeitas sobre o fluxo contábil de duas subsidiárias da dLocal e sobre a aquisição da PrimeiroPay, realizada no ano passado.

A dLocal ainda não se posiciou sobre o caso.

Nesta tarde, as ações da dLocal são negociadas próximas da máxima intradia, com alta de mais de 13%. A repentina disparada, no entanto, pode não passar de um movimento técnico, após os papéis terem tocado mínima histórica.

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