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Euro sobe com investidores que se preparam para alta de juros na UE

Os investidores esperam que o Banco Central Europeu aumente as taxas de juros pela primeira vez desde 2011

Sede do Banco Central Europeu (BCE), em Frankfurt, na Alemanha (Kai Pfaffenbach/Reuters)

Sede do Banco Central Europeu (BCE), em Frankfurt, na Alemanha (Kai Pfaffenbach/Reuters)

Carlo Cauti
Carlo Cauti

19 de julho de 2022, 12h04

O euro está recuperando força em relação ao dólar após cair para a mínima em 20 anos na semana passada.

O euro está ganhando mais de 1% em no câmbio com o dólar, superando o US$ 1,02, com os investidores que esperam uma alta das taxas de juros por parte do Banco Central Europeu (BCE).

Os mercados estão precificando uma alta dos juros na UE, entre 0,25 e 0,50 pontos percentuais . Seria a primeira elevação das taxas de juros desde 2011, e poderia tirar os juros na Europa do território negativo.

A última vez que o BCE aumento os juros em 0,50 pontos foi em 2000.

Banco Central Europeu já sinalizou que vai elevar os juros na Zona do Euro

O Banco Central Europeu sinalizou amplamente que iria mudar a Deposit Facility, sua principal taxa de juros, para enfrentar a inflação recorde na Europa, que já alcançou 8,6% em junho.

Alguns países membros do euro - como os bálticos, onde a inflação está próxima de 20 por cento – já pediram publicamente um aumento de 0,50 pontos percentuais. Algo inusual na dialética do Banco Central Europeu.

O BCE tem como objetivo manter a taxa de inflação por volta de 2% ao ano na média tendencial.

Em 2014, o então presidente do BCE, Mario Draghi, decidiu levar os juros para o território negativo para estimular empréstimos e gastos em um momento de crise severa da zona do euro, provocada pelas incertezas sobre a solvência da dívida soberana dos países membros do bloco.

Entretanto, nesse contexto de inflação muito elevada - que em alguns países europeus como a Espanha já chegou em dois dígitos - o BCE está ficando atrás do Federal Reserve (Fed) e do Banco da Inglaterra em levar adiante uma política monetária restritiva.

Mas uma alta dos juros poderia desencadear uma desaceleração econômica na Europa, além de aumentar o desembolso dos países mais endividados no serviço da dívida.

Além disso, a instabilidade política na Itália, a terceira economia da União Europeia, e o risco de eleições antecipadas, poderiam afetar ainda mais a força conjuntural da moeda única europeia.

O debate entre os 25 membros do Conselho dos Governadores do Banco Central Europeu começa na quarta-feira, e refletir as crescentes preocupações do que a instituição monetária central europeia está atrás da curva da inflação.