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Eneva (ENEV3): saída de CEO derruba ação; o que fazer se cair mais?

Pedro Zinner renunciou ao cargo, após quase seis anos à frente da empresa, para se dedicar a novos desafios profissionais

Eneva: investidores podem estar se questionando sobre saída de CEO (Eneva/Divulgação)

Eneva: investidores podem estar se questionando sobre saída de CEO (Eneva/Divulgação)

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Raquel Brandão

3 de novembro de 2022, 13h23

A decisão de Pedro Zinner de deixar o comando da empresa de energia Eneva (ENEV3) está pesando sobre o preço da ação, que estava liderando as quedas da B3 no começo da tarde desta quinta-feira.

Zinner está à frente da Eneva há quase seis anos e, segundo o comunicado da empresa na noite de terça-feira, deixará o cargo para "se dedicar a novos desafios profissionais". Ele deverá deixar a empresa até 31 de março de 2023, depois de ajudar no processo de transição para o novo CEO.

Para analistas do Itaú BBA, a reção das ações pode ser explicada pelos questionamentos que investidores podem estar fazendo para os motivos da decisão do executivo. Segundo o banco, Zinner teve um papel crucial na reestrutuação da Eneva e nas decisões de alocação de capital que criaram "enorme valor para seus acionistas" .

Graças ao desempenho da ação últimos anos e ao programa de remuneração da Eneva, Zinner se tornou um dos CEOs mais bem pagos do Brasil. "Existem algumas maneiras diferentes de interpretar este evento. Alguns podem suspeitar que ele não está mais muito otimista com as perspectivas de longo prazo da empresa, tornando sua remuneração futura menos atraente. Outros podem ver isso como um desenvolvimento natural que simplesmente reflete o desejo pessoal de Zinner de procurar um novo desafio e não tem nada a ver com as perspectivas da Eneva", argumentam os analistas.

Mas o que fazer se o papel cair mais?

Para os investidores de longo prazo, está aí uma boa oportunidade, segundo o banco. Desde o leilão de reserva de capacidade de 30 de setembro, a ação da companhia tem sido negociada abaixo do valor dos ativos existentes. Para a equipe do banco, o leilão foi muito positivo para a Eneva, mas a ação reagiu negativamente porque o resultado ficou aquém das altas expectativas orientadas pela empresa.

Assim, os analistas entendem que pode ser uma oportunidade de entrada ou aumento de participação no papel. "Nos últimos dois anos, a Eneva sempre negociou acima do valor de seus ativos existentes, às vezes com muito crescimento futuro implícito no preço das ações."

Mas, para quem olha mais a curto prazo, pode não ser a melhor opção, pois não é previsto, na opinião dos analistas, algum catalisador para o papel.

O Itaú BBA manteve recomendação neutra, com preço-alvo de R$ 16,80.