Embargo petrolífero contra a Rússia não está funcionando, mostra pesquisa

Um documento da Agência Internacional de Energia revela que a economia russa não está sofrendo com a interrupção das compras de petróleo pelas economias ocidentais
Extração de Petróleo (Daniel Acker/Bloomberg)
Extração de Petróleo (Daniel Acker/Bloomberg)
Carlo Cauti
Carlo Cauti

Publicado em 15/08/2022 às 17:28.

Última atualização em 15/08/2022 às 17:28.

O embargo ao petróleo russo decretado pelos Estados Unidos e outros países ocidentais não está funcionando. A economia de Moscou, baseada principalmente nas exportações de hidrocarbonetos, foi minimamente afetada pela interrupção das compras.

Esse é o resultado de uma pesquisa da Agência Internacional de Energia (AIE, na sigla em inglês), que mostrou como "o impacto das emissões nos Estados Unidos e na União Europeia tem sido até agora limitado".

A proibição total de importação de petróleo por parte dos países da União Europeia (UE) só começou no início de agosto. Os países membros do bloco já haviam avançado na busca de fornecedores alternativos para substituir aqueles 20% do fornecimento total garantido por Moscou.

Mas os russos ainda conseguiram desviar parte do petróleo que não chegará mais à Europa para as economias asiáticas, principalmente para China, Índia e Turquia.

A agência destacou que a produção de petróleo russa em julho caiu apenas 3%, com as exportações chegando a US$ 19 bilhões em julho contra os US$ 21 bilhões de junho.

Além disso, as previsões da AIE sobre o consumo de petróleo para 2023 aparecem muito positivas para a Rússia.

De acordo com especialistas da Agência, o aumento das cotações do gás está forçando muitas economias, principalmente em países emergentes e em desenvolvimento, a usar derivados de petróleo para a produção de energia.

Com inevitáveis consequências na demanda, e sobre os preços, além de aumento da poluição.

Por isso, a AIE elevou suas previsões para a produção de petróleo da Rússia para o segundo semestre de 2022 e para todo o ano de 2023.

Goldman Sachs (GSGI34) prevê alta na demanda de petróleo

A queda das cotações do petróleo nas últimas semanas - em média US$ 30 a menos em relação as máximas de junho - foi provocada seja pelo aumento da oferta internacional que pelas preocupações de desaceleração da economia. Especialmente no caso da China, por causa dos seguidos lockdowns decididos pelo governo de Pequim, para tentar conter novos surtos de Coronavírus (Covid-19).

No caso do gás natural, a situação é muito diferente. Os preços voltaram a subir, e agora estão superando os US$ 220 por megawatt-hora, elevando os preços da energia dos países europeus para as máximas históricas.

Para Goldman Sachs, o preço do petróleo vai voltar a subir, mesmo com um contexto internacional mais desafiador.

"Acreditamos que as razões por trás do aumento dos preços do petróleo ainda permanecem sólidas, mesmo que todos esses choques negativos ocorram", escreveram analistas do Goldman Sachs em um relatório recente.

Para o banco de investimento norte-americano, salientando como o mercado petrolífero vai continuar a registrar um déficit insustentável nos próximos anos, e que a única forma de rebalançar essa situação é uma redução da demanda.

“Reiterando nossa visão otimista, porém, devemos explicar a diferença entre o preço do Brent em junho/julho igual a 110 dólares por barril e o preço mundial do combustível no varejo equivalente ao Brent igual a 160 dólares por barril. Para isso, consideramos três aspectos: o primeiro é que até a queda recente, os preços no varejo (embora não negociáveis) estavam próximos de nossas projeções apesar das incertezas macroeconômicas; a segunda é que a diferença entre os preços do varejo e do Brent foi muito maior do que esperávamos, deixando os futuros do Brent abaixo dos US$ 130 previstos para junho-julho; a terceira é que a demanda menor não foi suficiente para suprir o déficit", salientou o Goldman Sachs.

Para o banco americano, “é bom lembrar que é improvável que as sanções europeias contra o petróleo russo permaneçam por muito tempo, dada a dificuldade da UE em chegar a uma decisão unânime sobre o assunto e a provável oposição dos membros do Leste Europeu para implementá-las”.

Como resultado, o Goldman Sachs está revendo positivamente as previsões para o ritmo da produção de petróleo russa para 2023, que deverá diminuir menos do que previsto anteriormente.

Opep+ não vai aumentar oferta de petróleo

Por sua vez, a Opep+ - o cartel de países produtores de petróleo - não deveriam tomar nenhuma ação significativa para aumentar a produção.

Na última reunião do grupo, ocorrida após o começo da guerra na Ucrânia, os países exportadores se limitaram a um aumento simbólico da produção de petróleo, de cerca de 100 mil barris por dia.

Segundo o Goldman Sachs, nos próximos meses a Opep deverá acrescentar um milhão de barris produzidor por dia até 23 o dia dezembro.

Destes, 0,4 milhão devem vir da produção de petróleo na Líbia, Venezuela e Cazaquistão, enquanto 0,55 milhão seriam fornecidos pelos países centrais da Opep (principalmente os Emirados Árabes Unidos).