Deezer: um estudo da plataforma mostra que o consumo de podcasts cresceu expressivamente na quarentena. (Chris Ratcliffe/Bloomberg)
Redatora
Publicado em 21 de abril de 2026 às 05h00.
A música sempre foi território da criatividade humana. Mas esse cenário está mudando — e rápido.
Hoje, algoritmos já são responsáveis por uma fatia significativa do que chega às plataformas de streaming.
Assim, a inteligência artificial deixou de ser ferramenta de apoio e passou a ser protagonista na criação musical.
E esse avanço começa a redesenhar a lógica da indústria, do processo criativo ao modelo de negócios.
Um levantamento divulgado pelo Deezer mostra que cerca de 44% das faixas enviadas diariamente à plataforma são geradas por inteligência artificial. O dado faz parte de uma análise interna da empresa sobre o volume de uploads recebidos globalmente.
Segundo a própria plataforma, o crescimento desse tipo de conteúdo tem sido exponencial nos últimos meses. Em alguns momentos, o volume de músicas criadas por IA chegou a se aproximar de metade de todo o material enviado diariamente.
Esse avanço está diretamente ligado à popularização de ferramentas capazes de gerar áudio completo — com voz, melodia e arranjos — a partir de comandos simples.
A explosão das músicas geradas por IA acompanha a democratização das tecnologias de criação. Hoje, softwares acessíveis permitem que qualquer usuário produza faixas em escala, sem necessidade de conhecimento técnico avançado.
Para as plataformas, isso representa um desafio operacional e estratégico. O aumento no volume de uploads pressiona sistemas de curadoria, moderação e recomendação.
Além disso, há uma preocupação crescente com a qualidade do catálogo e com possíveis distorções nos algoritmos de recomendação, já que músicas geradas automaticamente podem inflar artificialmente o volume de conteúdo disponível.
Outro ponto crítico está na discussão sobre direitos autorais. Muitas dessas ferramentas são treinadas com grandes bases de dados musicais, o que levanta questionamentos sobre uso de obras protegidas.
Empresas do setor já começaram a investir em sistemas de detecção de conteúdo gerado por IA, buscando identificar e, em alguns casos, limitar esse tipo de material.
O debate também envolve autenticidade e valor artístico. Com a produção em escala automatizada, cresce a preocupação sobre o papel do artista humano em um ambiente cada vez mais dominado por algoritmos.
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