Por que consórcio da Votorantim é favorito para levar CSN Cimentos
Oferta do consórcio está próxima de R$ 11 bilhões; venda é peça-chave do plano da CSN para reduzir uma dívida líquida de R$ 40,5 bilhões


Pedro Gil
Editor do Exame INSIGHT
Publicado em 11 de agosto de 2026 às 08:00.
Última atualização em 11 de agosto de 2026 às 09:59.
O consórcio formado pela Votorantim Cimentos e pela italiana Cementir é o favorito para levar a CSN Cimentos em oferta próxima de R$ 11 bilhões. Inicialmente, Benjamin Steinbruch, controlador do negócio, queria algo em torno de R$ 15 bilhões pelo ativo. O mercado torceu o nariz. Depois, sinalizou aceitar algo em torno de R$ 13 bilhões. A cimenteira chinesa Huaxin, que também fez proposta vinculante pelo negócio, não comprou a ideia.
No mercado, falava-se em R$ 10 bilhões. Estaria bem pago. Se confirmado, o negócio será fechado por um valor um pouco acima dessa conta. A brasileira Polimix também fez proposta, mas corre por fora.
O que pesa a favor do consórcio é que a Votorantim conhece o mercado brasileiro — e suas armadilhas. Os chineses, não. A complexidade tributária e o contencioso no Brasil aumentam o risco para quem chega de fora. Para quem já sabe navegar por aqui, entram na conta. O banco Morgan Stanley assessora a companhia no processo.
Folga para que te quero
A venda faz parte do esforço da CSN para colocar a dívida nos trilhos. O grupo encerrou o primeiro trimestre com dívida líquida de R$ 40,5 bilhões e alavancagem de 3,36 vezes a relação entre dívida líquida e Ebitda. Além da CSN Cimentos, a companhia colocou à venda ativos de infraestrutura avaliados em cerca de R$ 1 bilhão.
A pressão para acelerar os desinvestimentos também vem dos credores. Quando levantou US$ 1,2 bilhão com bancos internacionais, em março, a CSN se comprometeu a avançar com a venda de ativos como parte do acordo.
A companhia também tenta abrir espaço no calendário de vencimentos. Estão em negociação US$ 1,3 bilhão em títulos de dívida que vencem em 2028. A proposta é substituí-los por papéis com prazo mais longo, empurrando o pagamento por dois anos.
Quem são eles
A Cementir é um grupo italiano de materiais de construção controlado pela família Caltagirone. Com operações em 18 países, na Europa, Estados Unidos e Ásia, a companhia atua principalmente na produção de cimento e concreto e tem ações negociadas na Bolsa de Milão. A compra da CSN Cimentos marcaria a entrada do grupo no país.
A Votorantim Cimentos, por sua vez, é uma das maiores produtoras de materiais de construção do mundo e tem no Brasil seu principal mercado. Controlada pela Votorantim, da família Ermírio de Moraes, a companhia também mantém operações na América do Norte, Europa, África e Ásia.
Do outro lado, a chinesa Huaxin já vinha olhando o mercado brasileiro. A companhia chegou a avaliar a compra da InterCement e desembarcou de vez no país em 2024, com a aquisição da Embu, uma das maiores pedreiras do Brasil, por cerca de R$ 1 bilhão.
O que diz a CSN
A CSN confirmou nesta segunda-feira, 19, que recebeu propostas vinculantes pela totalidade da CSN Cimentos. Em fato relevante, a companhia afirmou que as ofertas estão em análise, mas não revelou os interessados nem os valores colocados na mesa. O processo faz parte do plano de desinvestimentos anunciado em janeiro para reduzir a alavancagem do grupo. Inicialmente, Steinbruch queria manter uma fatia minoritária do negócio.
Saiba antes. Receba o Insight no seu email
Li e concordo com os Termos de Uso e Política de Privacidade

Pedro Gil
Editor do Exame INSIGHTJornalista com mais de 10 anos de experiência na cobertura de negócios e finanças. Passou pelas redações de Veja, onde foi editor da coluna Radar Econômico, e CMA. Contato em pedro-b.gil@exame.com
%3Aformat(webp)&w=1080&q=75)
%3Aformat(webp)&w=1080&q=75)