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Fusão entre Afya e Yduqs prevê troca de ações e R$ 750 milhões em dividendos

Acionistas da Afya ficariam com 69% da companhia combinada; os da dona da Estácio, com 31%. Juntas, as empresas faturaram R$ 9,2 bilhões em 2025

 (Divulgação)
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Pedro Gil

Pedro Gil

Editor do Exame INSIGHT

Publicado em 23 de setembro de 2026 às 19:53.

Última atualização em 24 de setembro de 2026 às 14:04.

RESUMO +

A empresa de educação médica Afya e o grupo de ensino superior Yduqs assinaram nesta quarta-feira, 23, acordo para combinar os negócios por troca de ações, com R$ 750 milhões em dividendos aos acionistas da Yduqs. Os atuais acionistas da Afya terão 69% da companhia combinada, e a fusão entre Afya e Yduqs dependerá da aprovação do Cade.

Afya e Yduqs chegaram a um acordo para combinar seus negócios. A informação foi publicada primeiro pelo jornal O Globo e confirmada pelo EXAME Insight. A operação, assinada nesta quarta-feira, 23, prevê troca de ações e a distribuição de R$ 750 milhões em dividendos aos acionistas da Yduqs. Um fato relevante com os termos do negócio é esperado para esta quinta-feira, 24.

Pela divisão acertada, os atuais acionistas da Afya ficariam com 69% da companhia combinada, enquanto os da Yduqs teriam 31%. Os R$ 750 milhões seriam distribuídos ao conjunto dos acionistas da dona da Estácio, e não pagos pela compra da participação de um investidor específico.

Se concluída, a combinação criará uma das maiores empresas de educação do país. Afya e Yduqs somaram R$ 9,2 bilhões em receita em 2025: R$ 3,7 bilhões vieram da Afya e R$ 5,5 bilhões, da Yduqs. A soma serve para dimensionar o porte dos negócios, não uma projeção de faturamento da futura companhia. A companhia também não considera eventuais ajustes exigidos para a conclusão da operação.

Perfis distintos 

O negócio aproxima empresas com perfis distintos. A Afya concentrou sua expansão na formação de médicos e em serviços voltados à prática profissional. A Yduqs atua em diversas áreas do ensino superior por meio de marcas como Estácio, Wyden e Ibmec, além de reunir seus cursos de medicina no Idomed. Como mostrou o EXAME Insight em agosto, Idomed e Ibmec responderam, juntos, por cerca de 47% do Ebitda ajustado da Yduqs no segundo trimestre.

O Idomed se encaixa na especialidade que fez a Afya crescer. O Ibmec apresenta uma conta diferente: é um negócio premium em expansão, mas conhecido sobretudo pelos cursos de negócios, economia e direito. No segundo trimestre, sua receita cresceu 13%, para R$ 107 milhões, enquanto a receita conjunta das operações mais generalistas de Estácio e Wyden recuou 2%, para R$ 945 milhões.

Do lado da Afya, o principal acionista é o grupo alemão Bertelsmann, que detém cerca de 65% das ações. Do lado da Yduqs, os dois maiores acionistas são a Advent, com cerca de 15%, e a família Zaher, com aproximadamente 12%.

Medicina será o teste no Cade

A operação também terá de passar pelo Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade). As companhias somariam cerca de 18% das vagas autorizadas de medicina no país. A concentração, contudo, pode ser bem maior quando analisada cidade por cidade.

Uma venda poderia reduzir a concentração em mercados locais e facilitar a análise da fusão pelo Cade. Ainda não há, porém, definição sobre quais unidades poderiam entrar nessa conta nem indicação de que desinvestimentos tenham sido acertados entre as empresas.

A Yduqs conhece o peso dessa etapa. Em 2017, quando ainda se chamava Estácio, a companhia teve sua venda para a Kroton, atual Cogna, barrada pelo Cade. Naquele caso, o órgão apontou problemas de concentração em mercados locais de ensino presencial e no ensino a distância. O Demarest atuou como principal assessor jurídico no Brasil para o Grupo Afya na combinação de negócios com a Yduqs.

'Perguntas frequentes'

Como será a combinação de negócios entre Afya e Yduqs? +

A operação prevê uma troca de ações e a distribuição de R$ 750 milhões em dividendos ao conjunto dos acionistas da Yduqs. Um fato relevante com os termos do acordo é esperado para quinta-feira, 24.

Qual será a participação dos acionistas de Afya e Yduqs na nova companhia? +

Os atuais acionistas da Afya ficarão com 69% da companhia combinada, enquanto os acionistas da Yduqs terão os 31% restantes.

Qual é o tamanho dos negócios de Afya e Yduqs? +

Afya e Yduqs somaram R$ 9,2 bilhões em receita em 2025, dos quais R$ 3,7 bilhões vieram da Afya e R$ 5,5 bilhões, da Yduqs. A soma dimensiona o porte atual dos negócios e não representa uma projeção de faturamento da futura companhia.

Em quais áreas Afya e Yduqs atuam? +

A Afya concentra sua atuação na formação de médicos e em serviços para a prática profissional. A Yduqs opera em diferentes áreas do ensino superior por meio de Estácio, Wyden e Ibmec, além de reunir seus cursos de medicina no Idomed.

Por que a fusão entre Afya e Yduqs terá de passar pelo Cade? +

A operação depende da análise do Conselho Administrativo de Defesa Econômica porque Afya e Yduqs somariam cerca de 18% das vagas autorizadas de medicina no Brasil. A concentração pode ser maior em determinadas cidades, mas ainda não há definição sobre possíveis vendas de unidades.

O Cade já barrou alguma operação envolvendo a Yduqs? +

Sim. Em 2017, quando a Yduqs ainda se chamava Estácio, o Cade barrou sua venda para a Kroton, atual Cogna, por problemas de concentração em mercados locais de ensino presencial e no ensino a distância.

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Pedro Gil

Pedro Gil

Editor do Exame INSIGHT

Jornalista com mais de 10 anos de experiência na cobertura de negócios e finanças. Passou pelas redações de Veja, onde foi editor da coluna Radar Econômico, e CMA. Contato em pedro-b.gil@exame.com

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