EXCLUSIVO: FTV Capital coloca Ebanx à venda; empresa é avaliada em US$ 4 bilhões
Fundo que apostou na fintech antes da empresa se tornar unicórnio tenta se desfazer de uma fatia minoritária


Pedro Gil
Editor do Exame INSIGHT
Publicado em 6 de agosto de 2026 às 07:00.
Última atualização em 6 de agosto de 2026 às 10:37.
A gestora FTV Capital colocou à venda sua participação na Ebanx, fintech brasileira especializada em pagamentos internacionais. Por uma fatia minoritária do negócio, de cerca de 10%, a FTV pede US$ 400 milhões. O banco Goldman Sachs busca interessados nos Estados Unidos.
A tentativa da FTV Capital de vender parte de sua participação no Ebanx marca o fim de um ciclo iniciado há quase nove anos. O fundo americano foi o primeiro investidor institucional da fintech, ao liderar, no fim de 2017, um aporte de US$ 30 milhões que ajudou a financiar a expansão internacional da empresa. Na época, o Ebanx ainda era uma startup em crescimento. Dois anos depois, com nova rodada liderada pela própria FTV, tornou-se um dos primeiros unicórnios brasileiros.
Desde então, a gestora acompanhou a transformação do Ebanx em uma das principais plataformas de pagamentos para mercados emergentes. Em 2021, permaneceu no cap table quando a Advent International investiu US$ 430 milhões na companhia, em uma operação que reforçou a tese de crescimento da empresa e preparou o terreno para uma eventual abertura de capital — movimento que acabou não acontecendo diante da piora das condições do mercado.
Agora, a FTV busca realizar parte do investimento em um ambiente muito diferente daquele em que entrou. Se, durante o ciclo de "dinheiro barato", com juros baixos, principalmente entre 2020 e 2021, empresas de tecnologia eram negociadas com múltiplos elevados baseados na expectativa de crescimento, hoje o cenário é diferente — e as expectativas de retorno também são.
Vale isso tudo?
Por ser uma empresa de capital fechado, o Ebanx não divulga indicadores como receita, lucro ou Ebitda. Os números oficiais mais recentes mostram, no entanto, um ritmo acelerado de expansão: em 2025, o volume total processado de pagamentos (TPV) cresceu 48%. Atualmente, a fintech atende mais de 500 empresas globais e opera em mais de 20 países. A internacionalização também tem ganhado peso no negócio: segundo a companhia, 65% do lucro bruto já é gerado fora do Brasil, enquanto 20% vêm de mercados além da América Latina.
Mesmo assim, é difícil justificar que uma empresa brasileira valha cerca de R$ 20 bilhões. No Ibovespa, principal índice da bolsa brasileira, apenas 40 de 79 companhias valem mais do que isso. Com um valuation de cerca de US$ 4 bilhões, a Ebanx estaria sentada ao lado de Vale, Petrobras, Itaú, Ambev e algumas — poucas — outras empresas.
Mas a euforia com o setor de tecnologia segue dominando o mercado. Embora atue no setor financeiro, o Ebanx é geralmente classificado como uma empresa de tecnologia de pagamentos (paytech), segmento que concentra algumas das maiores transações globais de M&A dos últimos anos.
Em 2025, segundo a McKinsey, o setor de tecnologia, mídia e telecom respondeu por 23% do valor global das operações de M&A, com cerca de US$ 1,1 trilhão em transações. Na sequência aparecem energia e materiais (GEM) e serviços financeiros. Considerando apenas tecnologia, levantamento da XBMA com dados da LSEG mostra que o setor respondeu por US$ 842 bilhões, ou 18% de todo o valor global de M&A em 2025
É o que se vê na prática nas últimas operações anunciadas no mercado. No início do ano, a fintech canadense Nuvei comprou Payoneer, especializada em pagamentos internacionais para empresas, por US$ 2,75 bilhões. Em abril de 2025, a Global Payments, empresa americana de tecnologia de pagamentos, comprou uma das maiores empresas globais do setor, a Worldpay, por mais de US$ 24 bilhões. Em fevereiro de 2025, a Shift4 anunciou a aquisição da Global Blue, empresa suíça de tecnologia de pagamentos, em uma transação avaliada em US$ 2,5 bilhões.
O que eles dizem
Procurado, o EBANX afirmou, em nota, que não comenta especulações ou rumores relacionados a relações com investidores, em linha com sua política interna. O Goldman Sachs não comentou.
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Pedro Gil
Editor do Exame INSIGHTJornalista com mais de 10 anos de experiência na cobertura de negócios e finanças. Passou pelas redações de Veja, onde foi editor da coluna Radar Econômico, e CMA. Contato em pedro-b.gil@exame.com
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