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Após Kopenhagen, Renata Vichi prepara expansão de R$ 100 milhões na rede de academias SIX

Depois de quase três décadas na rede de chocolates premium, executiva antecipa expansão da rede de academias de luxo, que pretende abrir até oito unidades em 2027

Eilson Studart, Renata Vichi e Leandro Vaz, sócios da SIX (Rayra Rodrigues/Divulgação)
Eilson Studart, Renata Vichi e Leandro Vaz, sócios da SIX (Rayra Rodrigues/Divulgação)
Pedro Gil

Pedro Gil

Editor do Exame INSIGHT

Publicado em 24 de setembro de 2026 às 07:00.

RESUMO +

A rede de academias de luxo SIX planeja investir inicialmente R$ 100 milhões em 2027 para abrir entre seis e oito unidades, após Renata Vichi acelerar a expansão prevista antes para 2028. A primeira academia da nova etapa deve abrir até fevereiro nos Jardins, em São Paulo, e cada unidade exige cerca de R$ 20 milhões.

Poucas semanas depois de entrar como sócia e responsável pela estratégia de crescimento da SIX, Renata Vichi decidiu acelerar o plano de expansão da rede de academias de luxo. A companhia prepara um investimento inicial de R$ 100 milhões em 2027 para abrir entre seis e oito unidades — avanço que, no planejamento anterior, seria concluído apenas em 2028. “Estamos aumentando o pace”, afirma a executiva, que chegou à empresa em 6 de setembro, ao EXAME Insight.

A primeira unidade dessa nova etapa será inaugurada até fevereiro nos Jardins, em São Paulo. A SIX também procura endereços em regiões como Cidade Jardim, Morumbi e Higienópolis e avalia a entrada em Curitiba e Ribeirão Preto. Com sete academias abertas em três anos de operação, a companhia pode dobrar de tamanho no próximo ano. Cada unidade demanda cerca de R$ 20 milhões, o que significa que o desembolso total poderá superar os R$ 100 milhões.

A missão coloca Vichi novamente diante de um desafio que marcou sua trajetória profissional: transformar uma marca de posicionamento premium em uma rede de maior alcance. A executiva trabalhou por quase três décadas no Grupo CRM, dono da Kopenhagen e da Brasil Cacau. Começou na empresa aos 16 anos, depois que seu pai, Celso Moraes, comprou a Kopenhagen, em 1996, e chegou ao cargo de CEO em 2020. Sob sua gestão, o grupo avançou na expansão física e encerrou 2025 com mais de 1 300 lojas. Vichi deixou o comando no início de 2026, cerca de dois anos depois da venda do controle para a Nestlé.

Ao assumir a presidência do Grupo CRM, em 2020, Vichi encontrou uma companhia com faturamento próximo de R$ 800 milhões. Três anos depois, quando o controle foi vendido pela Advent à Nestlé por cerca de R$ 4,2 bilhões, a receita já alcançava R$ 1,7 bilhão. O grupo encerrou sua gestão faturando perto de R$ 2 bilhões. Considerando toda a trajetória da executiva na empresa, iniciada aos 16 anos, o negócio saiu de R$ 38 milhões. “Já tripliquei um negócio uma vez e agora tenho a oportunidade de fazer de novo”, diz Vichi.

Expansão sem franquias

Na SIX, porém, a expansão seguirá um caminho diferente daquele adotado pela Kopenhagen. A rede não pretende recorrer a franquias e quer manter maior controle sobre a operação e a experiência entregue aos clientes. Cerca de 70% dos investimentos virão da holding e de seus atuais sócios. O restante poderá ser aportado por parceiros que entrarão como acionistas de unidades específicas, sem participação na holding. Em alguns projetos, recursos concedidos inicialmente como dívida poderão ser convertidos em participação no empreendimento. “Ter sócio com cabeça de dono faz diferença”, afirma.

O que atraiu Vichi foi justamente a tentativa da SIX de transportar para uma academia elementos de hospitalidade, atendimento personalizado e serviços de alto padrão. A executiva diz ter visto na empresa a oportunidade de antecipar uma demanda ainda pouco atendida no Brasil. “O go to market da SIX me encantou. Existe um DNA precursor, de abrir mercados”, afirma.

O investidor fica para depois

Apesar do plano de crescimento, a companhia diz que não pretende perseguir escala a qualquer custo. A prioridade será criar processos e uma estrutura de governança capazes de sustentar a abertura das novas unidades sem diluir o posicionamento da marca. “Escala nunca foi o alvo. Queremos crescer com solidez”, diz Vichi.

A entrada de um investidor estratégico na holding é considerada para uma etapa posterior. Por enquanto, os atuais sócios não estão abertos a vender participação na empresa, embora possam avaliar linhas de crédito para financiar novos projetos. A estratégia é usar a expansão de 2027 para demonstrar que o modelo pode ser replicado antes de iniciar uma conversa com fundos ou grupos do setor. “Devemos olhar para o espelho, não para a janela”, afirma Vichi. “Primeiro, vamos fazer a lição de casa bem-feita.”

'Perguntas frequentes'

Quanto a SIX pretende investir em sua expansão? +

A SIX prepara um investimento inicial de R$ 100 milhões em 2027 para abrir entre seis e oito academias. Como cada unidade demanda cerca de R$ 20 milhões, o desembolso total poderá superar esse valor.

Onde serão abertas as novas academias da SIX? +

A primeira unidade da nova etapa será inaugurada até fevereiro nos Jardins, em São Paulo. A SIX também procura endereços em Cidade Jardim, Morumbi e Higienópolis e avalia entrar em Curitiba e Ribeirão Preto.

A SIX pretende adotar o modelo de franquias? +

Não. A rede de academias de luxo quer manter maior controle sobre a operação e a experiência dos clientes, por isso não pretende recorrer a franquias.

Como a expansão da SIX será financiada? +

Cerca de 70% dos investimentos virão da holding e dos atuais sócios. O restante poderá ser aportado por parceiros que se tornarão acionistas de unidades específicas, sem participação na holding, e alguns recursos concedidos como dívida poderão ser convertidos em participação.

Qual será o papel de Renata Vichi na SIX? +

Renata Vichi entrou como sócia da SIX e responsável pela estratégia de crescimento em 6 de setembro. A executiva afirma que a prioridade será criar processos e uma estrutura de governança capazes de sustentar a expansão sem diluir o posicionamento da marca.

A SIX pretende buscar um investidor estratégico? +

A entrada de um investidor estratégico na holding poderá ocorrer em uma etapa posterior. Segundo Renata Vichi, a SIX pretende usar a expansão de 2027 para demonstrar que o modelo pode ser replicado antes de conversar com fundos ou grupos do setor.

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Pedro Gil

Pedro Gil

Editor do Exame INSIGHT

Jornalista com mais de 10 anos de experiência na cobertura de negócios e finanças. Passou pelas redações de Veja, onde foi editor da coluna Radar Econômico, e CMA. Contato em pedro-b.gil@exame.com

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