Com IA, big data e blockchain, fintech brasileira cresce no mercado de crédito

Plataforma da Weel utiliza algoritmo próprio e sistema de notas fiscais eletrônicas para avaliar risco de crédito; empresa já processou R$ 1 bilhão em financiamentos

Inteligência artificial, big data, open banking, blockchain. Para muita gente, esses termos ainda parecem assunto de filme de ficção científica, mas, para uma fintech brasileira, é realidade. E foi com o uso dessas tecnologias que a Weel, uma plataforma de crédito para empresas 100% digital, chegou, em 2020, à marca de 1 bilhão de reais em financiamentos.

A fintech utiliza um sistema inovador para oferecer serviços financeiros de forma rápida e com taxas baixas. Em vez dos sistemas tradicionais de análise de crédito, a startup criou um algoritmo próprio, que combina big data e inteligência artificial (IA) e usa o sistema de Notas Fiscais Eletrônicas (NFEs) do governo para determinar bons e maus pagadores e, assim, ter uma visão mais assertiva sobre o risco de cada operação.

"Temos a segunda maior base de dados do Brasil, atrás apenas do Banco Central. E, quanto mais dados, melhores serão os insights de negócio, os resultados e as ofertas para os clientes", disse à EXAME o fundador e CEO da fintech, Simcha Neumark.

O Brasil foi o primeiro país do mundo a adotar as notas fiscais eletrônicas, em 2005. A digitalização desses documentos, atualmente também já realizada por outros países, é o que possibilita o modelo de negócios da Weel. "Qualquer governo com um sistema de NFEs tem uma base de dados transacional muito grande", explica Simcha.

Com esses dados, a Weel consegue, através de seu algoritmo, atribuir nota de risco para fornecedores, clientes e para a empresa que utiliza o serviço, permitindo uma entrega rápida e customizada de produtos como empréstimos e antecipação de recebíveis.

A fintech também utiliza a tecnologia blockchain para otimizar e garantir a transparência e a segurança das operações — "mais nos bastidores do que à vista dos consumidores", segundo Simcha — e tem uma parceria com o Banco Votorantim para operar desconto de duplicatas, em um modelo de negócios que tende a se tornar comum com o início do open banking no Brasil.

Apesar do crescimento — que chamou a atenção de grandes investidores como o Banco Votorantim e a Franklin Templeton — a Weel reconhece que o costume dos brasileiros de resolver questões financeiras pessoalmente, por exemplo, conversando com o gerente bancário, é um obstáculo a ser superado para uma empresa totalmente digital.

Segundo seu CEO, o Brasil ainda é "o país dos frentistas", em referência ao fato de ser um dos poucos lugares em que existe um profissional nos postos de combustíveis apenas para abastecer os veículos, em vez do próprio consumidor fazer isso. "Mas, na perspectiva do mercado de crédito, isso está mudando bastante", disse.

"O mundo B2B é extremamente avançado no Brasil, e o Roberto Campos Neto [presidente do Banco Central] tem feito um excelente trabalho nesse sentido. A Receita Federal também empurrou os brasileiros para a nuvem, com uma digitalização da economia pré-covid inédita no mundo. E, após a pandemia, as pessoas foram obrigadas a mudar para o mundo das conversas digitais. Foi um efeito positivo da pandemia", explicou o executivo.

Com o sucesso da operação no Brasil, a Weel, que apesar de brasileira é sediada em Israel, começa a mirar outros mercados, como México e Chile. A expansão para o primeiro deve acontecer ainda em 2021, enquanto a do segundo foi atrasada devido à pandemia.

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