Tecnologia e ESG devem andar juntas, diz CSO da Ambipar (AMBP3)

O diretor de sustentabilidade da Ambipar participou de um painel em Davos sobre tecnologia e ESG
 (EXAME/Exame)
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Por Carlo CautiPublicado em 25/05/2022 13:27 | Última atualização em 25/05/2022 16:06Tempo de Leitura: 4 min de leitura

Tecnologia e sustentabilidade são duas faces da mesma medalha. E precisam caminhar juntas.

Essa foi a posição do Chief Sustainability Officer da Ambipar (AMBP3), Rafael Tello, durante o painel “Integrando Sustentabilidade, ESG e Impacto na Web3” ocorrido em Davos, durante o Fórum Econômico Mundial.

Segundo Tello, “os grandes desafios para a superação de problemas globais passam pela adoção massiva de tecnologia e cooperação radical”.

Rafael Tello, CSO da Ambipar (AMBP3)

Rafael Tello, CSO da Ambipar (AMBP3) (EXAME/Exame)

Em entrevista à EXAME, o executivo da Ambipar explicou os pontos apresentados no painel e como ele entende que a sustentabilidade e a tecnologia tenham que andar juntas. Confira os melhores trechos.

O que você entende como cooperação radical?

Significa conseguir identificar o problema, ver as necessidades, entender as soluções e criar projetos que as pessoas possam realizar conjuntamente, unindo recursos e inteligência.

Na Ambipar vocês já conseguem aplicar essa visão?

Sim. Coordenamos duas grandes redes em Minas Gerais, onde puxamos essa questão de cooperação. Mas ainda é difícil desenhar projetos juntos, atuar em forma conjunta em prol dos Objetivos de Desenvolvimentos Sustentáveis (ODS) da Organização das Nações Unidas (ONU).

Mas o que impede para as empresas cooperarem nesse sentido?

Cooperar não é algo automático. É preciso que as pessoas aprendam a fazer isso. Para você cooperar é preciso que as pessoas tenham uma língua comum, tenham confiança, precisam entender que resultados amplos só são possíveis se você conseguir envolver mais atores, mais recursos, mais energia. Além disso, com relação aos Objetivos de Desenvolvimento Sustentáveis (ODS), as pessoas precisam entender que eles são orientadores estratégicos para as empresas.

O que as empresas ganham com tudo isso?

As empresas estão encarando sustentabilidade com o objetivo de reduzir o impacto negativo na natureza, na comunidade. Nos ODS você inverte isso para as empresas atuarem de forma correta e necessária. Por exemplo, uma empresa respeita os ODS mais por questão de imagem, mas cada vez mais também por questão de risco. Ela está atuando nisso para poder atender os stakeholders. Mas existe uma oportunidade econômica evolvida. Mas para essa oportunidade econômica acontecer é preciso incluir os ODS na questão empresarial. Por exemplo, no caso dos planos de saúde, quanto mais você promove saúde, menos você tem custo com tratamento de doença.

E como estão atuando na Ambipar?

A gente está direcionando na Ambipar justamente para liderar uma economia circular de baixo carbono, focando nos ODS 12 e 13. Entretanto, para fazer isso a gente vai buscar esse objetivo e abordar outros temas junto. A nossa visão mais ampla é exemplificada pela Ambipar Logistics, que ao focar nossa intenção, precisa inovar, ODS 9, consegue reduzir o consumo de água, ODS 6, a emissão de gases de efeito estufa, ODS 13, e ainda criar melhores padrões para o setor, gerando maior produtividade para a economia, ODS 8.

Então é como uma toalha de mesa: na hora que puxamos a toalha, como nossa visão é sistêmica e seguimos o capitalismo de stakeholder, conseguimos trabalhar com vários ODS em nossos modelos de negócios.

Você discursou em um painel dedicado ao blockchain e as criptomoedas. Como a Ambipar está atuando nisso?

No nosso caso a gente usa o blockchain dentro do nosso app para a compensação de emissões de gases de efeito estufa, para evitar que o crédito seja vendido mais do que uma vez.

Blockchain é muito importante quando você tem problemas de identificação de propriedade, e verifica quando um ativo é comprado ou vendido, para garantir quando há transações, que não haja duplicações.

Mas no painel também discursamos de outras tecnologias de digitalização.

Além disso há o caso da indústria 4.0, por que quando a gente ajuda os nossos clientes a colocar mais tecnologia dentro da sua forma de gestão de resíduos, a gente encontra uma série de benefícios. Por exemplo, encontramos uma forma de obter maior precisão da gestão de material disposto, e por meio da inteligência artificial (IA) conseguimos fazer melhorias e trocar boas práticas entre um cliente e outro. Você consegue fazer também com pessoas mas com a IA é muito mais fácil.

Mas como evitar que a atuação das empresas no âmbito da sustentabilidade não seja apenas greenwashing?

Hoje existe uma pressão dos stakeholders e as empresas querem diminuir o risco de ter um dano de imagem, de ter uma votação contra dos acionistas. O ativismo acontece, e é preciso tomar esse cuidado por parte das empresas.

Muitas coisas devem mudar, não apenas estratégia. A forma de medir resultado, a forma de gerar resultado, passa tudo pelo processo. O digital ajuda muito quando consegue ampliar o grau de transparência e accountability, e isso é positivo. E é esse movimento que a gente está fazendo. Harmonizando os padrões, comparando resultado, é o trabalho.