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Sul Global se desenvolverá a partir de aspirações sustentáveis, diz VP da Schneider Electric

Em visita ao escritório da companhia, em São Paulo, Manish Pant, vice-presidente executivo de operações internacionais da Schneider Electric, falou à EXAME sobre transição energética, mudança climática e sustentabilidade nos negócios

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Manish Pant, vice-presidente Executivo de Operações Internacionais da Schneider Electric Global (Leandro Fonseca/Exame)

Manish Pant, vice-presidente Executivo de Operações Internacionais da Schneider Electric Global (Leandro Fonseca/Exame)

Na alta demanda por uma transição energética que considere a baixa emissão de gases causadores do efeito estufa e a justiça climática, a multinacional francesa Schneider Electric tem trabalhado para ser mais sustentável dentro de casa e nos produtos para os clientes e parceiros. Neste cenário, a companhia investe em metas como ter as operações neutras em emissões de CO2 até 2025, e a cadeia de valor neutra até 2040.

"Mudanças climáticas e geração de energia são aspectos fundamentais no nosso negócio, considerando que as emissões de CO2 são responsáveis por 80% da poluição causadora do aquecimento global, e grande parte disto pela geração de energia. As metas são uma forma de mudar nossos processos, mas também influenciar parceiros e clientes. Para nós, é importante estarmos alinhados ao compromisso mundial de Net Zero em 2050", disse Manish Pant, vice-presidente executivo de operações internacionais da Schneider Electric, que falou à EXAME em visita ao escritório da companhia, em São Paulo, no último dia 30.

Em grandes eventos recentes, como a COP28 e o Fórum de Davos, muito se falou de transição energética e mudança climática na pauta das empresas. Como a Schneider Electric acompanha essas discussões?

Tem sido animador participar das discussões. Na COP28 observamos que o mundo se uniu para discutir compromissos e fazer progressos a partir de anúncios como a transição para o fim do uso de combustíveis fósseis e maior investimento em energias renováveis. Agora será muito interessante ver todo o progresso até a COP30, prevista para 2025, no Brasil.

Em Davos tive importantes momentos de troca. Ali, ouvi de pessoas de países emergentes, como o setor privado está engajado com os governos para desenvolvimento de tecnologia, inteligência artificial e sustentabilidade, o que nos mostra que estamos no caminho certo.

Qual a importância do Brasil nas operações e na sustentabilidade da Schneider Electric?

Estamos com um olhar atento para o Sul Global. Por exemplo, quando pensamos em novas carreiras, temos a possibilidade de atrair investimentos e desenvolver pessoas para diferentes setores da economia, o que é bastante importante nesta região do mundo, considerando todas os desafios locais. Se olharmos para o crescimento populacional, grande parte das regiões mais populosas estão ao Sul, como Índia, países do continente africano e também Brasil.

O perfil das pessoas nessa parte do mundo, especialmente idades entre 30 e 35 anos, é interessados em mudança, algo que precisamos. Assim, o Brasil está entre os países que queremos investir - e onde operamos há 75 anos. Além disto, esperamos que as políticas do país evoluam para o crescimento e desenvolvimento sustentável, e queremos fazer parte disto.

Como a companhia pretende fazer parte deste desenvolvimento?

Acreditamos que o Sul Global se desenvolverá a partir de aspirações sustentáveis. Da nossa parte, trabalhamos com as mesmas tecnologias em todas as regiões do mundo. O que fazemos para contribuir com a construção de negócios verdes na Europa, por exemplo, é o que fazemos aqui. Isto também por mieo de investimento em fábricas, digitalização, escritórios verdes, desenvolvimento de pessoas e competências.

E acredito que, do que temos de promissor em energia verde, grande parte virá da América do Sul. Apenas o Brasil tem cerca de 20% da biodiversidade do planeta, e isto precisa ser preservado. Trabalhar na região, desenvolver a economia a partir de aspectos sociais e ambientais é contribuir com uma mudança importante para todos.

Manish Pant, vice-presidente Executivo de Operações Internacionais da Schneider Electric Global. Foto: Leandro Fonseca (Leandro Fonseca/Exame)

Como as mudanças climáticas têm pautado os negócios?

Mudanças climáticas e geração de energia são aspectos fundamentais no nosso negócio, considerando que as emissões de CO2 são responsáveis por 80% da poluição causadora do aquecimento global, e grande parte disto pela geração de energia. Assim, enquanto o mundo fica mais eletreficado, olhamos para inovações que mitiguem as questões climáticas. Hoje, 45% pode ser resolvido pelo lado de suprimentos, movendo para a energia renovável. Já no lado da demanda, que representa 55%, é crucial o uso de energia de forma eficiente e práticas de descarbonização. Veículos elétricos são um exemplo disto, considerando que poluem cerca de 60% quando comparados aos de combustão.

Ao saber do aumento da demanda elétrica, o que estamos fazendo agora é olhar para a eficiência. Exemplo disto é o escritório que estamos - em São Paulo - inaugurado em 2023 e automatizado com um software de gerenciamento predial com inteligência artificial para a economia de luzes e ar-condicionado, visto que grande parte dos funcionários está em modelo de trabalho híbrido.

Edifícios consomem cerca de 30% da energia mundial e são responsáveis por quase 40% das emissões anuais de CO2. Para serem sustentáveis, os edifícios precisam mudar, mesmo sabendo que 50% dos edifícios atuais ainda estarão em uso em 2050. O que estamos fazendo então é investimento em soluções digitais, plano de descarbonização e uso de energia renovável.

Temos metas como ter as operações neutras em emissões de CO2 até 2025, e a cadeia de valor neutra até 2040. Além disto, devemos ter 50% de material verde em nossos produtos até 2025. Isto é uma forma de mudar nossos processos, mas também influenciar parceiros e clientes. Para nós, é importante estarmos alinhados ao compromisso mundial de Net Zero em 2050.

Quais são os caminhos para o atingimento das metas?

Trabalhamos muito para mudar a forma como fazemos as coisas. E isto não é só sobre desenvolver tecnologia, mas também como mudar comportamentos. Ao mudarmos de escritório em São Paulo, por exemplo, queríamos uma menor pegada de carbono e precisamos fazer escolhas inteligentes para isto.

Outro fato importante é que olhamos para o ESG como um todo e não apenas para a questão ambiental. Na frente de diversidade e inclusão, por exemplo, temo uma meta na qual 50% das contratações são de mulheres. Queremos ter 40% de mulheres na linha de frente, em gerência, e 30% na liderança até 2050.

Além disto, participamos de iniciativas do Pacto Global da ONU - Rede Brasil e ONU Mulheres - para a Ambição 2030, com o Movimento Salário Digno. Iniciamos essa jornada em âmbito global em 2018 e, desde 2022, o Brasil e toda a América do Sul já atingiram 100% dos colaboradores recebendo acima do salário digno. Tudo comprovado por auditorias. Um dos primeiros passos para alcançar essa meta foi zerar a diferença salarial entre homens e mulheres que exercem a mesma função na companhia. Queremos que nossos funcionários, não importa quem sejam ou onde vivam, se sintam valorizados de forma única e seguros para contribuir com o seu melhor.

Como promover a transição energética de forma inclusiva e sem aumento das desigualdades?

A energia inclusiva é um tópico chave. Acreditamos que o consumo per capito de energia deve crescer, e precisa ser de modo sustentável. Hoje, podemos decentralizar a energia por meio de tecnologias como a geração solar, a partir de "microgrids" para áreas remotas. No Amazonas, por exemplo, construímos uma área com microgrid para abastecer a região de Tumbirá. Cada comunidade, que antes dependia de geradores a diesel ligados por 3 a 4 horas ao dia, recebeu um microgrid e passou a ter energia limpa, segura e ininterrupta. Ali, eliminamos o uso do diesel e melhoramos a qualidade de vida das pessoas. Eletrecidade é um passaporte para qualidade de vida em qualquer parte do mundo e classe social.

Na Índia, em 2021, instalamos uma série de bombas de irrigação alimentadas por energia solar, ligadas a uma microrrede em uma comunidade de agricultores. Isto permitiu o fim do uso de um moinho movido à diesel e eliminou desafios como o preço do combustível e as longas dstâncias percorridas, especialmente por mulheres, para comprá-lo. 

A inclusão também se dá pela educação. No Brasil, por exemplo, investimos em capacitação por meio do Senai e do Centro Paula Souza ao formar engenheiros que podem trabalhar aqui ou em outras companhias.

Como sua experiência anterior na China influencia o trabalho na posição atual, que olha para os negócios globalmente?

Eu vivi na China por grande parte da minha vida, e meu filho nasceu lá. A China é um país importante para o mundo e para a companhia, pois tem uma revolução na fabricação de equipamentos para o crescimento da energia solar, assim como para veículos elétricos. Temos cinco hubs de pesquisa e desenvolvimento na China, uma região forte para os negócios da Schneider. Então, toda a experiência no país é valiosa para nós.

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