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Produção de plásticos reciclados pós-consumo cresce no Brasil, aponta pesquisa

Pesquisa revela origem, volume dos resíduos plásticos no Brasil e mais

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Cooperativa de catadores (CARL DE SOUZA / Colaborador/Getty Images)

Cooperativa de catadores (CARL DE SOUZA / Colaborador/Getty Images)

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Marina Filippe

Publicado em 6 de dezembro de 2022 às, 07h01.

Em 2021, 23,4% dos resíduos plásticos pós-consumo foram reciclados no país. No período também há um incremento de 14,7% na produção de plástico reciclado pós-consumo, chegando a mais de 1 milhão de toneladas. Os dados são da pesquisa sobre a reciclagem mecânica do material para o ano de 2021, encomendado pelo Plano de Incentivo à Cadeia do Plástico (PICPlast), parceria entre a Associação Brasileira da Indústria do Plástico (ABIPLAST), representante do setor de transformados plásticos e reciclagem, e a petroquímica Braskem.

O estudo é realizado anualmente desde 2018 pela MaxiQuim, empresa de avaliação de negócios na indústria química com foco em análise de mercados e competitividade, e tem como objetivo mensurar o tamanho da indústria de reciclagem de plásticos no Brasil, acompanhando a evolução anual e os desafios do setor.

Recuperação e concentração

O ano de 2021 pode ser visto como um período de transição para a indústria de reciclagem brasileira, já que se observa uma recuperação da indústria frente à desaceleração causada pela pandemia de COVID-19 e, ao mesmo tempo, inicia-se um movimento de consolidação no mercado, com a formação de empresas de grande porte, de acordo com o relatório. Em termos de faturamento bruto, há o crescimento de 64,9% nos últimos três anos. Já em termos de empresas do setor a diminuição é de 5,4%, comparado ao primeiro ano do estudo.

Em comparação com 2020, o índice de plásticos pós-consumo reciclados registrou leve aumento percentual (de 23,1% para 23,4%). É importante destacar o crescimento de 14,7% na produção de plástico reciclado pós-consumo, chegando a mais de 1 milhão de toneladas. "Se compararmos com 2018, esse crescimento é ainda maior, de 33,9%. Esse dado de crescimento da produção de plástico reciclado pós-consumo mostra uma recuperação da indústria pós-pandemia, mas também uma maior utilização de PCR por parte das empresas. Acreditamos que a produção deve continuar a subir nos próximos anos, ajudando também no crescimento do índice de reciclagem”, diz Solange Stumpf, sócia da MaxiQuim.

Volumes de resíduos plásticos consumidos no Brasil

Segundo o estudo, em 2021 foram consumidas 1,5 milhão de toneladas de resíduo plástico na reciclagem, representando crescimento de 13,2% em relação a 2020, sendo que um pouco mais de 1,1 milhão de toneladas são de plástico pós-consumo, ou seja, material descartado em domicílios residenciais e em locais como shoppings centers, estabelecimentos comerciais, escritórios, entre outros. Outras 405 mil toneladas de plástico são de resíduo pós-industrial, como sobras dos processos da indústria petroquímica, de transformação de plásticos e da própria reciclagem.

Do total de resíduos consumidos na reciclagem, 1.070 mil toneladas referem-se aos utensílios de uso único, categoria que representa as embalagens rígidas e flexíveis, além de outros tipos de descartáveis, sendo os produtos que mais passaram pelo processo de beneficiamento, representando 67,4% do montante reciclado em 2021.

“Os resíduos consumidos provenientes de artigos de uso único (embalagens e descartáveis) perderam proporcionalmente participação no total consumido em relação a 2020. Uma das hipóteses para isso é uma diminuição na utilização dos utensílios plásticos mais presentes durante a pandemia como, por exemplo, copos, talheres, recipientes para alimentação etc.”, diz Solange.

Ainda segundo ela, 1,5 milhão de toneladas de resíduo plástico chegaram às recicladoras por meio dos sucateiros (27%), beneficiadores (21%), empresas de gestão de resíduos (11%) e cooperativas (10%), entre outros.

Perdas no processo

O principal motivo de perdas no processamento ainda é a contaminação da sucata plástica com materiais indesejados, que ocorre pela dificuldade na etapa de triagem. Além disso, materiais como adesivos, sujeira orgânica e, dependendo do material, cores indesejadas, contribuem para o descarte da sucata adquirida. No total, foram 188 mil toneladas de material perdido durante os processos de reciclagem, um aumento de 11,4% em comparação a 2020, sendo o PET o material que mais sofreu perdas, devido também ao seu volume de consumo.

Produção de resina pós-consumo por região

A região Sudeste é a responsável por cerca de 53% da produção com 544 mil toneladas, seguida pela região Sul com 283 mil toneladas, Nordeste com 124 mil toneladas, Centro-Oeste com 48 mil toneladas e Norte com apenas 13 mil toneladas. “Importante destacar que, em 2021, a região Nordeste teve um crescimento de 30,3% na produção em comparação com 2020. O crescimento na produção ocorreu por dois fatores: recicladores das regiões Sul e Sudeste abrindo plantas no Nordeste por perceberem que conseguem resíduos com menos concorrência, e, por uma questão logística. É mais barato deixar o resíduo lá do que comprar e direcioná-lo para as regiões Sul ou Sudeste”, diz Solange.

Já o índice de reciclagem mecânica dos plásticos pós-consumo ficou em 23,4% no Brasil, crescimento de 0,3% em relação a 2020. Esse número é calculado dividindo a quantidade de plástico pós-consumo reciclado pelo volume de plástico pós-consumo gerado. Importante destacar também o índice de recuperação, que em 2021 foi de 27,2%, e que considera toda a quantidade de resíduo consumido sem excluir as perdas no processo. A essas perdas são dadas a disposição final ambientalmente adequada pela indústria da reciclagem, não retornando ao meio ambiente. Além disso, esse ano, pela primeira vez, o estudo também calculou o índice de reciclagem para as embalagens plásticas, que ficou em 26,4%.

“Mesmo com uma pequena variação positiva no índice, é possível perceber que a reciclagem mecânica de plásticos vem se desenvolvendo rapidamente no país. O aumento registrado da produção de plástico reciclado é uma excelente notícia e acreditamos que nos próximos anos devemos acompanhar o crescimento desses índices”, finaliza Simone Carvalho, membro do comitê técnico do PICPlast.

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