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Empresas foram reconhecidas pela sua agenda de sustentabilidade durante Fórum Ambição 2030 (Cabron Studios / Divulgação )
Repórter de ESG
Publicado em 3 de junho de 2026 às 16h30.
Última atualização em 3 de junho de 2026 às 16h35.
As empresas brasileiras que fazem parte do Pacto Global da ONU avançaram em clima, diversidade e governança em 2025, mas ainda travam quando o assunto é a cadeia de fornecedores.
É o que mostra o balanço do Relatório Ambição 2030, divulgado pela organização durante o 4º Fórum Ambição 2030, na terça-feira, 2, no MASP, em São Paulo, quando 450 executivos debateram soluções para acelerar a década decisiva da implementação.
A rede chegou a 389 empresas formalmente comprometidas com a agenda de sustentabilidade corporativa da ONU, uma alta de 11% em relação a 2024, com mais de 2 mil metas públicas declaradas. Já as iniciativas da rede impactam diretamente mais de 2 milhões de trabalhadores no Brasil. Na ocasião, o Pacto Global também apresentou seu novo conselho, com liderança feminina da Aegea e do Itaú.
"O setor privado saiu da fase de intenções e entrou na etapa de consolidação de dados confiáveis e monitoramento contínuo", afirma Guilherme Xavier, diretor executivo do Pacto Global da ONU.
Na agenda ambiental, 82% das empresas já concluem seus inventários de emissões nos Escopos 1, 2 e 3, um indicador considerado referência de maturidade técnica. O Movimento Ambição Net Zero registrou redução acumulada de 87,35 milhões de toneladas de carbono nos últimos quatro anos.
O avanço técnico da rede acontece, no entanto, num momento em que o marco regulatório brasileiro caminha na direção oposta. No último dia 29 de maio, a CVM publicou a Resolução 244, revogando a obrigatoriedade de relatórios financeiros de sustentabilidade para companhias abertas e tornou a adesão voluntária.
O movimento contraria a tendência global: ao longo dos últimos dois anos, mais de dez países avançaram na adoção formal dos padrões IFRS S1 e S2.
++ Leia mais: O que significa o recuo da CVM sobre relatórios de sustentabilidade?
Na frente de biomas, o relatório anuncia a transformação do Movimento Impacto Amazônia em Movimento Impacto Biomas, expandindo o escopo para além da floresta amazônica e incorporando todos os ecossistemas críticos do país.
Na agenda social, os avanços também foram expressivos. O Movimento Elas Lideram 2030 se consolidou como o maior da rede, com 145 empresas signatárias, e superou a meta de 30% de mulheres em cargos de alta liderança — a média chegou a 42%.
O resultado positivo motivou a expansão da meta para 50% até 2030, agora com perspectiva interseccional que incorpora raça, deficiência e orientação sexual.
Já o Movimento Raça é Prioridade encerrou sua primeira fase com média de 23,6% de pessoas negras e indígenas na alta liderança.
Os números, porém, encontram um limite claro quando vão da porta para fora da empresa. O engajamento da cadeia de valor foi apontado por 26% das organizações como o maior desafio atual.
No Movimento Transparência 100%, apenas 3% das empresas conseguiram treinar integralmente seus fornecedores em integridade e anticorrupção.
No Movimento Salário Digno, 23% das empresas já garantem remuneração adequada para funcionários próprios. Por outro lado, o impacto sobre terceirizados não é mensurado.
Para Mônica Gregori, diretora de Impacto e Comunicação do Pacto Global da ONU, o momento requer ir além dos compromissos e revela implementação prática.
O relatório também aponta limitações orçamentárias, citadas por 23% das organizações como obstáculo relevante , o que ajuda a explicar por que o avanço interno ainda não se traduziu em transformação sistêmica na cadeia produtiva.