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Roberto Baranowski Coutinho, CEO e fundador da Habitare: “O maior ativo de saúde do próximo século serão os empreendimentos imobiliários” (Eduardo Frazão)
Jornalista especializada em carreira, RH e negócios
Publicado em 5 de novembro de 2026 às 18h30.
Última atualização em 5 de novembro de 2026 às 18h52.
“O maior ativo de saúde do próximo século serão os empreendimentos imobiliários”, disse Roberto Baranowski Coutinho, CEO e fundador da Habitare, durante uma apresentação no Longevidade & Wellness, evento promovido pela EXAME e realizado dia 27 de outubro, em São Paulo.
De acordo com ele, as residências terão papel determinante na saúde e na qualidade de vida de uma população mais longeva.
Dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) mostram que a expectativa de vida atualmente é de 76,6 anos, a maior já registrada. As pessoas com 60 anos ou mais representavam 16,6% dos brasileiros em 2025, e a projeção é que cheguem a 40 milhões em 2030. Diante disso, o mercado imobiliário precisa rever o que oferece — e para quem constrói.
O painel, que também contou com Flávia Ranieri, geroarquiteta, e Rodrigo Goulart, secretário de desenvolvimento econômico e trabalho da Prefeitura de São Paulo, abordou os desafios de oferecer moradias adaptáveis, para diferentes faixas de renda, e próximas do comércio e de serviços de saúde.
A longevidade propõe uma nova forma de pensar a habitação, como explicou Flavia. Segundo ela, os imóveis precisam ser flexíveis para acompanhar as diferentes etapas da vida, inclusive mudanças que não podem ser previstas.
Um estúdio pensado para um jovem que passa pouco tempo em casa, exemplificou, pode não atender a quem continuará trabalhando, quer receber visitas e permanecerá por um período mais longo no imóvel.
“Antes de desenvolver qualquer empreendimento é necessário compreender como as pessoas viverão naquele espaço”, completou Coutinho. A adequação da casa, porém, não resolve todas as necessidades. É preciso considerar as condições de locomoção e o acesso à saúde e comércio, uma demanda que deve ser contemplada pelas regras urbanísticas.
Goulart explicou que, nas revisões das quais participou, não foram discutidos incentivos específicos para a longevidade. O tema, disse, deverá ser abordado em uma nova revisão do Plano Diretor e do zoneamento, prevista para 2029. Entre as possibilidades, citou potencial construtivo, outorga e incentivos fiscais e tributários.
Outro ponto debatido foi a importância de esclarecer o que está sendo oferecido. O termo senior living veio de países com distinções bem claras entre assisted living e independent living. No Brasil é usado para propostas distintas, inclusive instituições de longa permanência, o que dificulta a compreensão do consumidor sobre os serviços disponíveis.
As exigências regulatórias e os custos com profissionais especializados também pesam. Há operações com mensalidades a partir de R$ 20 mil. Flavia relatou que um cliente, responsável por uma franquia de instituições, considera inviável operar por menos de R$ 8 mil mensais.
Para ampliar o acesso, a geroarquiteta defendeu políticas públicas e alternativas para quem permanecerá na própria casa, como redes de suporte entre vizinhos. Propôs, ainda, financiamento para pequenas adaptações residenciais, com juros menores e prazos mais longos de pagamento.