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Corpo de Bombeiros estima que 456 hectares foram atingidos pelo fogo, mas a extensão dos danos ainda está sendo avaliada pelas autoridades (Brigada de Alter do Chão / Divulgação)
Repórter de ESG
Publicado em 2 de novembro de 2026 às 14h30.
Última atualização em 2 de novembro de 2026 às 14h45.
O incêndio de grandes proporções que atingiu a Área de Proteção Ambiental (APA) de Alter do Chão, em Santarém, no oeste do Pará, foi totalmente controlado no domingo, 1º de novembro, após três dias de combate.
Segundo informações do Corpo de Bombeiros do Pará, o fogo teria atingido cerca de 456 hectares de vegetação. A extensão dos danos, porém, ainda está sendo avaliada pela Prefeitura de Santarém, que realiza um levantamento das áreas afetadas. Enquanto isso, a região segue sob vigilância diante do risco de novos focos.
Além do monitoramento, as autoridades investigam a possibilidade de ação criminosa na origem do episódio.
As autoridades consideram suspeitas as circunstâncias em que as chamas começaram, em uma área de vegetação isolada e cercada por água. Lideranças indígenas também cobram a apuração de possíveis relações entre as queimadas e a ocupação irregular de terras na região, impulsionada pela especulação imobiliária.
A operação mobilizou bombeiros militares, brigadistas voluntários e indígenas do povo Borari, além de aeronaves do governo federal. As equipes conseguiram conter as principais frentes do incêndio ainda no sábado, 31, mas permaneceram em campo no dia seguinte para combater focos remanescentes e impedir que as chamas voltassem a se espalhar.
Em publicação no Instagram, o brigadista Elder Stéfanno confirmou que todas as frentes ativas haviam sido combatidas até o fim da tarde de domingo.
"É com muita alegria que o incêndio está totalmente controlado.Nós conseguimos proteger nosso território, mas claro que precisamos de uma vigilância forte nos próximos dias", afirmou no vídeo.
O Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio) também confirmou que a situação estava sob controle. Apesar disso, aeronaves continuaram lançando água sobre pontos de fumaça, como medida para evitar a retomada das chamas.
Segundo João Romano, fundador da Brigada de Incêndio Florestal de Alter do Chão, a resposta conjunta das diferentes equipes foi fundamental para conter o avanço do incêndio.
"Ali, agora, os esforços são de extinção mesmo. Não tem nenhuma frente avançando. As aeronaves, o esforço do governo federal, governo estadual, sociedade civil e brigadas deu certo", destacou.
Apesar do controle do incêndio principal, novos focos de fogo foram identificados em diferentes pontos de Alter do Chão ao longo do fim de semana.
Um deles surgiu na noite de sábado, 31, às margens da rodovia PA-457, próximo a uma escola e ainda dentro dos limites da área de proteção ambiental.
Também foram registrados focos nas proximidades do Lago Verde, uma das principais atrações turísticas de Alter do Chão, considerado o caribe amazônico. Equipes da Rede de Brigadas do Baixo Tapajós atuaram no local para impedir o avanço do fogo em direção à vegetação.
Em nota, a Prefeitura de Santarém informou que mantém fiscais ambientais em sistema de revezamento para monitorar as áreas atingidas, avaliar os impactos sobre a vegetação e reunir informações que possam contribuir para a investigação das ocorrências.
A fiscalização é conduzida pela Secretaria Municipal de Meio Ambiente (Semma), em articulação com o Corpo de Bombeiros, a Brigada de Alter do Chão e o Prevfogo, programa do Ibama voltado à prevenção e ao combate aos incêndios florestais.
"Nossa equipe de fiscalização permanece em Alter do Chão, em sistema de revezamento, monitorando as áreas atingidas e mantendo diálogo permanente com a Brigada, o Corpo de Bombeiros e o Prevfogo", afirmou a secretária municipal de Meio Ambiente, Vânia Portela.
O incêndio em Alter do Chão ocorre em meio a um cenário de estiagem, calor e avanço das queimadas no Pará, estado que sediou a Conferência das Nações Unidas sobre Mudanças Climáticas (COP30) em 2025.
Entre os dias 1º e 27 de outubro, o estado contabilizou 11.274 focos de calor, segundo dados do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe). Somente nos dias 26 e 27, foram 931 registros.
O risco se agrava diante da intensificação do El Niño, fenômeno climático que altera os padrões de chuva e temperatura em diferentes regiões do planeta e pode agravar as condições de seca na Amazônia.
De acordo com boletim divulgado em 29 de outubro pelo Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet) e outros órgãos federais, o fenômeno deve continuar se intensificando, com elevada probabilidade de atingir intensidade muito forte a partir de novembro.
Essas condições podem favorecer o ressecamento da vegetação e aumentar a propagação do fogo.
As mudanças climáticas também agravam a vulnerabilidade do bioma aos eventos extremos, ao agravar o calor e a seca. Embora também contribua para formar incêndios, a origem específica do episódio em Alter do Chão ainda depende de investigação.
No Pará, os impactos já levaram diferentes municípios a decretar situação de emergência. Segundo dados do Sistema Nacional de Proteção e Defesa Civil, 31 municípios paraenses tinham reconhecimento vigente de emergência em 21 de outubro, por ocorrências que incluem incêndios florestais, estiagem e outros desastres.