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Energias renováveis movimentam R$ 50 bilhões em fusões e aquisições em 10 anos

Aceleração das mudanças climáticas e busca por zerar emissões aumentam a atratividade do setor; metade deste valor foi registrado apenas entre 2022 e 2023

M&A: Preços no mercado livre de energia afetaram humor dos investidores (Image Source/Getty Images)
Paula Pacheco

Jornalista

Publicado em 26 de fevereiro de 2024 às 12h45.

Última atualização em 26 de fevereiro de 2024 às 15h21.

As fusões e as aquisições no setor de energias renováveis movimentaram R$ 50 bilhões em contratos de 2014 a 2023. Metade deste valor foi registrado apenas nos últimos dois anos.

O levantamento Panorama de M&As no setor de energias renováveis, foi feito pela consultoria Clean Energy Latin America ( CELA ), especializada em assessoria financeira e consultoria estratégica para empresas e investidores do setor de energia renovável. Ainda segundo os dados, foram mapeados mais de 50 gigawatts (GW) de projetos e empresas transacionadas no período.

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Ao todo, a CELA analisou mais de 190 transações de empresas e projetos vinculados àenergia fotovoltaicae eólica - incluindo grandes usinas centralizadas (larga escala) e médios empreendimentos de geração distribuída (até 5 megawatts). Entre 2014 e 2023, o aumento no número de transações mapeadas anualmente foi superior a 400%. Já o crescimento na capacidade total (GW) negociada passou de 8 vezes.

Mudanças climáticas

Segundo Camila Ramos, CEO da CELA, apenas nos anos de 2022 e 2023, mais de 60 negócios no setor foram mapeados, somando uma capacidade de 30 GW em transações. A aceleração das mudanças climáticas e das discussões em torno do tema – como foi visto na COP28, em 2023 -, aponta a executiva, estão entre os principais motivadores para o crescimento dos negócios que envolveram energias renováveis nos últimos anos.

“Sempre soubemos que os riscos climáticos estavam presentes, mas o que fazer agora? Com o Acordo de Paris e as metas de net zero até 2050, o que vemos é um movimento crescente em diferentes setores na busca de redução das emissões. As energias renováveis têm um papel importante neste contexto”, analisa a CEO da CELA.

Ainda segundo a executiva, diante deste cenário, os investidores já perceberam que as empresas que atuam com energia renovável podem ser uma alternativa relevante em seus portfólios.

Mercado livre

Por outro lado, a queda no preço da energia, como tem sido registrada pelo mercado livre, e a oferta excedente, criaram um ambiente favorável a fusões e aquisições. O comportamento do preço da energia foi uma reação, segundo a CEO, “à hidrologia excepcional”, decorrente do volume de chuvas. Com este cenário, as empresas de energia renovável têm enfrentado dificuldades para fechar bons contratos.

Ainda que hoje haja dificuldade no setor, salienta Camila, a demanda por energia de fonte renovável “é um caminho sem volta”.

O estudo mostra ainda que 2022 apresentou mais negócios do que em 2023. Segundo a consultoria, a diferença tem a ver com as negociações represadas no ano das eleições presidenciais – efeito do clima de incerteza na economia naquele momento.

Geração distribuída

Outro destaque, em menor proporção, foi o crescimento dos acordos na área de geração distribuída (GD). No período, salienta a executiva da CELA, o que se viu foi o reconhecimento do potencial de crescimento e escalabilidade da GD, principalmente pelas regras mais vantajosas para tais projetos até o final de 2023.

Por ora, a executiva aponta ser difícil fazer uma previsão sobre as fusões e aquisições em energias renováveis em 2024. No entanto, ela aponta que há vários ativos à venda. “Espero por uma atividade relevante em 2024. Estamos envolvidos em diversas transações, a maioria na geração distribuída, representando o lado do comprador”, conta Camila.

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