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Como um navio movido a energia solar "engole" lixo antes que ele chegue ao oceano

Após anos focada na limpeza dos oceanos, a Ocean Cleanup passou a interceptar resíduos ainda nos rios, responsáveis pela maior parte da poluição oceânica

Cerca de mil rios são responsáveis por quase 80% do plástico que chega aos oceanos anualmente, segundo a Ocean Cleanup (Ocean Cleanup / Divulgação)

Cerca de mil rios são responsáveis por quase 80% do plástico que chega aos oceanos anualmente, segundo a Ocean Cleanup (Ocean Cleanup / Divulgação)

Sofia Schuck
Sofia Schuck

Repórter de ESG

Publicado em 21 de junho de 2026 às 12h00.

Depois de anos tentando remover resíduos da Grande Mancha de Lixo do Pacífico, a organização Ocean Cleanup passou a concentrar esforços em uma abordagem considerada mais eficiente: impedir que o plástico chegue aos oceanos.

Fundada pelo engenheiro holandês Boyan Slat, a iniciativa desenvolveu um sistema interceptor que na prática são estruturas flutuantes capazes de capturar resíduos em rios e canais antes que eles alcancem o mar.

A mudança de estratégia veio após estudos mostrarem a dimensão do desafio oceânico: a Grande Mancha de Lixo do Pacífico abriga cerca de 1,8 trilhão de fragmentos plásticos, com peso estimado em mais de 80 mil toneladas.

Hoje, a Ocean Cleanup opera 21 navios em dez localidades ao redor do mundo, incluindo Estados Unidos, Indonésia, Malásia, Vietnã, Guatemala, Jamaica e República Dominicana.

Segundo a empresa, cerca de mil rios são responsáveis por quase 80% do plástico que chega aos oceanos anualmente.

A tecnologia utiliza barreiras flutuantes que direcionam os resíduos para uma esteira automatizada, responsável por distribuir o material em contêineres para posterior destinação adequada. Toda a operação é alimentada por energia solar.

Um dos exemplos está na foz do riacho Ballona Creek, em Los Angeles, nos Estados Unidos. Apenas em 2025, o sistema local retirou 65 toneladas de resíduos do curso d’água.

 De acordo com a Ocean Cleanup, a iniciativa já contribui para a redução da quantidade de lixo encontrada em praias da região, diminuindo inclusive os custos municipais de limpeza.

No entanto, o modelo exige adaptações para cada localidade. Características hidrológicas, regulamentação ambiental e condições operacionais variam de rio para rio, tornando necessária a customização dos sistemas, explicam os idealizadores. 

A experiência reforça uma conclusão que vem ganhando espaço entre especialistas: combater a poluição plástica exige agir na origem do problema.

Em vez de retirar resíduos já dispersos no oceano, a prioridade passa a ser interromper o fluxo de lixo nos rios, principal porta de entrada da poluição. 

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