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Duramente criticado nos últimos meses por ONGs e parlamentares do Ocidente, Sultan Al Jaber, anfitrião da COP28 e presidente da Abu Dhabi National Oil Co (Adnoc), gigante do petróleo de Abu Dhabi, se defendeu das acusações de conflito de interesse e que estaria usando o evento para “vender petróleo”.

A reação surge depois de o grupo de investigação Center for Climate Reporting e a BBC publicarem uma série de documentos, na segunda-feira (27) que colocam em dúvida as relações de Al Jaber.

Os documentos, vazados por um denunciante, são relatórios destinados a Al Jaber em que aparecem questões a serem abordadas com representantes de governos estrangeiros em reuniões que tratavam da COP28.

Os relatórios, que teriam sido utilizados em reuniões com cerca de 30 países, continham menções a duas empresas que Al Jaber dirige: a Adnoc e a Masdar, de energias renováveis.

Nos relatórios, foi mencionada a presença da Adnoc e da Masdar no país em questão e o seu potencial comercial. Seria o caso de um projeto de fornecimento de diesel e querosene da Adnoc no Quênia e de um projeto petroquímico da petroleira no Brasil.

"Essas acusações são falsas, incorretas, imprecisas", afirmou Al Jaber, em Dubai, em resposta aos jornalistas durante um evento na sede da COP28, às vésperas do início dos trabalhos.

Em declaração, Al Jaber sobrepôs a importância de seus negócios ao da COP28. E declarou: "Vocês acham que os Emirados Árabes Unidos ou eu precisamos da COP ou da presidência da COP para estabelecer acordos ou relações comerciais?".

"Nunca, nunca vi essas formulações, nunca as usei", disse aos jornalistas. "Às vezes me dizem que tenho que falar com os Estados e as empresas de petróleo e gás para pressioná-los, e às vezes me dizem que não posso fazê-lo", acrescentou. Foram as suas primeiras declarações públicas sobre o assunto.

Logo depois da conversa com os jornalistas, circulou uma informação falsa, divulgada como se fosse uma nota oficial à imprensa, de que Al Jaber teria concordado em renunciar ao cargo de CEO da Adnoc, o que foi negado pela equipe da COP28.

Dúvidas e mais dúvidas

Apesar da posição defensiva de Al Jaber, a presidência da COP28 não questionou a autenticidade dos documentos, que representam um grave golpe para a imagem do anfitrião do evento.

Ao longo de duas semanas, negociadores de cerca de 200 países debaterão, em público e em particular, em Dubai, se devem mencionar explicitamente o petróleo e o gás nas decisões oficiais. Até hoje a COP não conseguiu cumprir essa missão.

Al Jaber foi pego "com as mãos na massa", afirmou a ex-chefe da ONU para o Clima, Christiana Figueres, na rede social X (antigo Twitter), ao comparar as revelações ao escândalo do diesel que atingiu a Volkswagen em 2015.

Liderados pelo democrata Sheldon Whitehouse, vários senadores dos Estados Unidos, denunciam há meses a influência dos lobistas na COP. Os políticos americanos consideraram que essas revelações questionam "a integridade de toda a conferência".

O climatologista americano Michael Mann pediu a renúncia imediata de Al Jaber ou um boicote à COP28.

As ONGs, muito envolvidas na COP, não chegaram tão longe e, após meses de trabalho, aguardam decisões históricas sobre assistência financeira aos países vulneráveis.

A diretora da Climate Action Network, Tasneem Essop, que representa centenas de organizações, apenas lembrou por enquanto a "profunda responsabilidade" dos países organizadores da COP e a sua obrigação de "integridade, não contaminada por parcialidade ou vantagem nacional ou pessoal".

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