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A imagem que os investidores estrangeiros têm do Brasil atualmente é muito positiva, avalia André Esteves, chairman do BTG Pactual. Ele esteve em vários países nos últimos meses e vê o país em um bom momento, tanto por acertos próprios quanto por complicações na geopolítica internacional.

"O investidor, principalmente o de mais longo prazo, não fica no detalhe que nós estamos aqui discutindo a ansiedade da semana passada, se vai mexer na meta aqui ou ali", disse Esteves, durante o último painel do evento Macro Day, organizado pelo BTG Pactual (do mesmo grupo de controle da EXAME), nesta segunda, 6.

No começo de sua fala, Esteves elogiou o fato de que, no painel anterior, quatro governadores defenderam a reforma tributária. "Eu vejo uma evolução institucional do Brasil. A disciplina fiscal nos leva muito mais longe do ponto de vista de atração de investimentos, de produtividade e, principalmente, de uma sociedade mais justa e igualitária", afirmou.

"Acertamos mais do que erramos, e tivemos uma lógica reformista que aumentou nosso potencial. Somos o maior exportador de alimentos do mundo, temos a matriz energética mais limpa do G20, somos uma democracia consolidada e um mercado com escala, com 200 milhões de consumidores e um sistema financeiro saudável", prosseguiu.

Ao mesmo tempo, ele apontou que questões como a guerra na Ucrânia e o aumento da rivalidade entre Estados Unidos e China passaram a dificultar negócios no exterior. O Brasil, por seu histórico de neutralidade, ganha vantagens por isso.

"Estamos abertos a todos. Uma empresa chinesa pode vir fazer investimentos e não vai ter restrição. Podemos importar fertilizantes da Rússia ou da Ucrânia. Isso é um privilégio. O Brasil tem boas relações com Estados Unidos, Europa, China, os vizinhos. Isso é muito valorizado", disse.

Juros nos EUA

Sobre o cenário para os juros, Esteves espera que não haja altas ou quedas bruscas das taxas, especialmente nos EUA. "O custo para o Fed subir os juros é muito alto, e de baixar eles muito rápido é alto também", disse.

Ele lembrou que a taxa de juro nos EUA saiu de quase zero para a faixa dos 5% em um ano e meio, quando a inflação no país beirava os 10%, mas que agora, com o índice na casa dos 3%, há espaço para começar a redução.

"A meta de inflação nos Estados Unidos e nas economias do G7 é de 2%. Ela tá 1% e pouquinho acima. É muito pouco para a gente achar que precisa de um choque de juros. Aquela grande incerteza que os deslocamentos sociais e econômicos da pandemia trouxeram, acho que já está para trás. Pode haver algum fine tuning [ajuste fino] de política monetária, mas eu diria que o Fed está mais preocupado de 'overtight' [apertar demais] a economia", considera.

No entanto, ele ponderou que não se trata de uma dicotomia entre a política do banco central americano gerar uma recessão ou não ter efeito algum. Esteves avalia que os EUA ainda possuem risco de passar por uma recessão leve, mas que não vê risco de um sobreaquecimento ou uma nova onda de pressão inflacionária.

Ele apontou ainda que a alta na taxa de juro nos EUA tem efeitos limitados sobre o mercado americano porque muitas empresas conseguiram alongar o prazo de suas dívidas nos últimos anos, e as hipotecas das famílias geralmente possuem taxas fixas, o que faz com que uma alta na taxa do Fed não tenha efeito imediato sobre os financiamentos imobiliários atuais, como ocorria no passado.

"O déficit americano é muito alto, e tudo indica que o déficit nominal dos EUA em relação ao PIB no ano que vem vai ser maior que o do Brasil. E, ao contrário do Brasil, esse assunto não está em cima da mesa lá. É uma discussão esquecida, mas relevante e que forma preço", disse.

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