Economia

Senado americano interroga diretores do Goldman Sachs

Washington - Senadores americanos que investigam as causas da crise econômica mundial iniciada em 2008 interrogaram nesta terça-feira a direção do Goldman Sachs, o gigante das finanças acusado de ter embolsado milhões de dólares às custas de clientes enganados. Os senadores ouviram o presidente do banco, Lloyd Blankfein, seu diretor financeiro, David Viniar, e outros […]

Fabrice Tourre, do Goldman Sachs, depõe no Senado americano (.)

Fabrice Tourre, do Goldman Sachs, depõe no Senado americano (.)

DR

Da Redação

Publicado em 27 de abril de 2010 às 17h19.

Washington - Senadores americanos que investigam as causas da crise econômica mundial iniciada em 2008 interrogaram nesta terça-feira a direção do Goldman Sachs, o gigante das finanças acusado de ter embolsado milhões de dólares às custas de clientes enganados.

Os senadores ouviram o presidente do banco, Lloyd Blankfein, seu diretor financeiro, David Viniar, e outros altos executivos, entre eles o francês Fabrice Tourre, no centro das acusações de fraude.

A quase seis meses das eleições legislativas de metade do mandato e em pleno debate no Congresso sobre as maneiras de pôr um ponto final às "condutas de risco", das grandes companhias de Wall Street, os dirigentes do banco enfrentaram perguntas embaraçosas.

O presidente do subcomitê de investigação permanente do Senado, Carl Levin, começou interrogando Daniel Sparks, responsável pelo setor de financiamentos hipotecários do banco, sobre um email de 22 de junho de 2007 enviado por outro executivo do Goldman Sachs, Thomas Montag, no qual este afirmava que um produto financeiro denominado "Timberwolf" era um "negócio de merda".

"Quantos desses 'negócios de merda' você vendeu a seus clientes?", perguntou Levin, visivelmente nervoso. "Você sabia que era um negócio de merda (...) e vendeu centenas de milhares deles", disse.

Incomodado, Spark respondeu balbuceando que não se lembrava de ter vendido "centenas de milhões" desse derivativo.

Em sua declaração, Blankfein, afirmou que o banco não apostou contra o mercado imobiliário nem contra seus clientes, e que perdeu 1,2 bilhão de dólares com os títulos vinculados ao mercado imobiliário residencial.

"Estamos completamente em desacordo com a demanda da SEC, o organismo americano de regulação das bolsas de valores, mas reconheço que muita gente pode interpretar mal uma transação tão complicada", afirmou Blankfein. "Não apostamos em massa contra o mercado imobiliário e certamente não apostamos contra nossos clientes", completou.

Levin e a comissão já tinham trocado no sábado mensagens eletrônicas que envolviam alguns dos mais altos dirigentes do Goldman Sachs e mostravam que esse banco pode ter embolsado dezenas de milhões de dólares graças à queda do mercado de créditos imobiliários de alto risco.

Paralelamente, em torno de 60 legisladores democratas da Câmara dos Representantes pediram na segunda-feira à SEC que amplie suas investigações a outras 24 transações potencialmente fraudulentas de produtos ultracomplexos vinculados a créditos imobiliários de alto risco por parte do Goldman Sachs.

Acompanhe tudo sobre:Bancosbancos-de-investimentoCongressoCorrupçãoEmpresasEmpresas americanasEscândalosEstados Unidos (EUA)FraudesGoldman SachsPaíses ricos

Mais de Economia

Reforma tributária: leia íntegra da proposta de regulamentação do governo

Reforma tributária: nova alíquota será entre 25,7% e 27,3%, diz Appy

Haddad apresenta regulamentação da Reforma Tributária ao Congresso

Mais na Exame