Preço do gás de cozinha é o maior do século e afeta 9,4% do salário mínimo

O botijão de 13kg é vendido no Brasil a um valor médio de R$ 113 48, segundo a ANP, representando 9,4% do salário mínimo, o patamar mais elevado desde março de 2007
 (Pedro Ventura/Agência Brasilia/Divulgação)
(Pedro Ventura/Agência Brasilia/Divulgação)
Por Estadão ConteúdoPublicado em 27/04/2022 18:02 | Última atualização em 28/04/2022 09:07Tempo de Leitura: 2 min de leitura

O preço do Gás Liquefeito de Petróleo (GLP) de 13 quilos, ou gás de cozinha, bateu recorde histórico neste mês de abril, atingindo a maior média mensal real, descontada a inflação, desde o início da série histórica do levantamento de preços da Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP), iniciada em 2001.

O botijão de 13kg é vendido no Brasil a um valor médio de R$ 113 48, segundo a ANP, representando 9,4% do salário mínimo, o patamar mais elevado desde março de 2007 - quando o botijão custava R$ 33,06 e o salário mínimo era de R$ 350.

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O levantamento é do Observatório Social da Petrobras (OSP), organização ligada à Federação Nacional dos Petroleiros (FNP), com base no preço médio mensal do GLP e na média de valores semanais de revenda no mês de abril, divulgados pela ANP.

Os dados mostram que em março passado, o gás de cozinha já tinha alcançado o maior preço médio real da série histórica, sendo vendido a R$ 109,31. Antes disso, o recorde tinha sido registrado em novembro de 2021, com o preço médio de R$ 106,50.

Segundo o economista Eric Gil Dantas, do OSP e do Instituto Brasileiro de Estudos Políticos e Sociais (Ibeps), o gás de cozinha voltou a comprometer o salário mínimo na mesma proporção de 2007. "Nesses 15 anos, com a manutenção do preço do gás de cozinha e a valorização do salário mínimo, essa proporção foi caindo, mas houve uma inversão em 2017 com a alta dos valores do GLP e o aumento real do salário mínimo", ressalta.

Lenha

Essa mudança de cenário, completa o economista, trouxe um primeiro efeito imediato, que foi o crescimento do uso de lenha pelas famílias brasileiras.

"Entre os anos de 2013 e 2016, de acordo com dados da Empresa de Pesquisa Energética (EPE), a população consumia mais GLP do que lenha. Mas a partir de 2017, a lenha voltou a ser mais utilizada do que o gás de cozinha nas residências do País. E, em 2020, esse consumo já era 7% maior do que o de GLP", afirmou Dantas.