"Podemos atuar mais forte no câmbio, se for necessário", diz Campos Neto

Segundo o presidente do Banco Central, os países podem se fechar, o que levaria a um crescimento menor da atividade econômica mundial a longo prazo

As incertezas provocadas pela pandemia de coronavírus levaram a uma fuga de capital. A saída de dinheiro de países emergentes - grupo do qual o Brasil faz parte - já é 10 vezes maior do que a da crise financeira de 2008, segundo o presidente do Banco Central, Roberto Campos Azevedo. Esse cenário ajuda a tornar o dólar americano mais apreciado contra as demais moedas, como o real. Por volta das 12h25, o dólar comercial era negociado a 5,17 reais, queda de 1%. "Podemos atuar mais forte no câmbio do que já fizemos, se for necessário", afirma o executivo, em transmissão pela internet nesta quarta-feira, promovida pelo Credit Suisse. "Estamos preparados, as reservas [internacionais] são grandes", diz.

Para Campos Neto, a atual crise tende a levar os países a adotar medidas protecionistas. "A situação geopolítica pode ser diferente daquela que tínhamos no passado, e isso pode trazer certa preocupação." Parte do mundo questiona por que a produção de bens e utensílios médicos está concentrada em alguns países. Cerca de 80% de alguns sais que são usados em medicamentos são produzidos na Índia, por exemplo. Isso aconteceu, porque houve uma especialização das cadeias globais, o que acabou tirando milhões de pessoas da pobreza. "Mas a cadeia de valor pode ficar diferente daqui para frente. Se os países desenvolvidos voltarem a produzir itens que tinham parado, a expectativa é de que o crescimento estrutural do mundo seja menor por um tempo maior, porque as economias devem se fechar mais", acrescenta.

Liquidez

Roberto Campos Neto também avaliou nesta quarta-feira que a liquidez que já foi injetada na economia por meio das medidas do governo para combater efeitos econômicos do coronavírus é suficiente, mas que a autoridade monetária tem mais iniciativas na manga caso seja necessário.

"Estamos sempre olhando para ver o que precisa fazer", afirmou, durante evento virtual promovido pelo banco Credit Suisse.

Sobre o programa de financiamento da folha de pagamento de pequenas e médias empresas, Campos Neto disse que a opção por compartilhar riscos com o setor financeiro - responsável por uma parcela do financiamento - se deu porque o governo não sabe recuperar crédito e essa foi uma forma de criar um incentivo para que os bancos tivessem interesse na tarefa.

Segundo o presidente do BC, inicialmente o governo pensou em um programa maior, mas entendeu que os 40 bilhões de reais efetivamente destinados ao plano eram adequados. Destes, 34 bilhões de reais serão aportados pelo Tesouro e 6 bilhões de reais, pelos bancos.

 

 

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