Pico de inflação no Brasil deve ser entre abril e maio, diz Campos Neto

O presidente do Banco Central disse que o comportamento do preço de petróleo está entre as causas da revisão da estimativa
Campos Neto: o presidente do Banco Central disse também que houve uma melhora recente no quadro fiscal (Patricia Monteiro/Getty Images)
Campos Neto: o presidente do Banco Central disse também que houve uma melhora recente no quadro fiscal (Patricia Monteiro/Getty Images)
Por Da redação, com agênciasPublicado em 11/02/2022 14:09 | Última atualização em 11/02/2022 14:17Tempo de Leitura: 2 min de leitura

O presidente do Banco Central, Roberto Campos Neto, afirmou nesta sexta-feira que o pico da inflação em 12 meses no Brasil deve ocorrer entre abril e maio, adiando novamente projeções apresentadas anteriormente.

Em evento da Esfera Brasil sobre política monetária, Campos Neto disse que o comportamento do preço de petróleo está entre as causas da revisão da estimativa. “O pico de inflação, a gente imagina que será algo entre abril e maio”, disse.

Campos Neto afirmou que a adoção de medidas para reduzir preços de produtos no curto prazo não geram efeito estrutural sobre a inflação, reforçando posicionamento apresentado na ata do Comitê de Política Monetária (Copom).

“Medidas de curto prazo que tenham efeito de preços no curto prazo não têm efeito estrutural na inflação, não geram otimização no ciclo de política monetária”, disse, em possível referência a projeto defendido por parte do governo para reduzir a tributação sobre combustíveis.

O presidente do Banco Central disse também que houve uma melhora recente no quadro fiscal, ressaltando que o resultado não foi apenas motivado pelo aumento da inflação mas também por corte de gastos do governo.

Aperto nos EUA

Apesar de destacar que o Banco Central não dá opiniões sobre a política monetária de outros países, o presidente da autarquia, Roberto Campos Neto, fez comentários sobre perspectivas para o ciclo de aperto monetário nos Estados Unidos, em meio à alta forte da inflação americana. "Se entendo que inflação é mais persistente, devo levar juros para campo restritivo", disse. "Mercado está precificando mais altas no Fed, mas curva longa não tem subido."

O presidente do BC disse que os bancos centrais ao redor do mundo estão entendendo a magnitude do choque de inflação e que a resposta será juros mais altos. Ele mencionou a surpresa com movimentos maiores de alta de juros no México, Colômbia e Rússia. Segundo ele, com exceção de alguns países asiáticos, a inflação está alta em todos os lugares. "Curvas precificam alta de juros em quase todos os países."