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PIB deve registrar queda no 3º tri de 2023. Riscos fiscais, externos e juros serão destaques em 2024

Apostas de mercado apontam para retração entre 0,2% e 0,4% de julho a setembro. Riscos para 2024 já estão em debate entre analistas

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Após forte contribuição para o crescimento do primeiro semestre, agropecuária deve desacelerar de julho a dezembro  (Saul Schramm/Divulgação)

Após forte contribuição para o crescimento do primeiro semestre, agropecuária deve desacelerar de julho a dezembro (Saul Schramm/Divulgação)

A economia brasileira deve registrar uma queda entre 0,2% e 0,4% no terceiro trimestre de 2023, estimam economistas ouvidos pela EXAME. Os dados serão divulgados pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) nesta terça-feira, 5.

Mesmo com a retração esperada, os analistas de mercado ainda apostam que o país registrará alta de 2,8% do Produto Interno Bruto (PIB) ao fim do ano.

Para 2024, o tamanho do ciclo de queda de juros, os desafios do governo para reequilibrar as finanças públicas e as pressões decorrentes da economia, que tende a desacelerar, serão determinantes para a geração de riqueza no país.

Desaceleração em curso

Os economistas Natalia Cotarelli e Matheus Fuck, do Itaú Unibanco, estimam uma queda de 0,2% do PIB no terceiro trimestre. Nas contas deles, do lado da oferta, o destaque será a desaceleração do setor de serviços, que deve registrar crescimento anual de 1,3% — após registrar uma elevação superior a 2% nos primeiros seis meses do ano.

“Entre as aberturas, esperamos que a categoria de ‘outros serviços’, que inclui os serviços prestados às famílias, avance 1,5%, mostrando ainda alguma resiliência, diante do mercado de trabalho que continuou aquecido. O comércio, por sua vez, deve ficar praticamente estável, com queda de 0,1%, resultado parecido com o verificado nos meses de abril a junho", dizem.

O resultado da agropecuária também deve desacelerar no trimestre, afirmaram os dois economistas. Eles estimam uma alta anualizada de 9,4%, depois do crescimento de 17,0% na mesma métrica no trimestre anterior. Contribuem para o crescimento do agro o desempenho positivo nas safras de milho, cana-de-açúcar, algodão e café.

“Apesar disso, a desaceleração estimada deve levar a uma contribuição negativa do PIB agropecuário na margem, resultado, principalmente, da perda de importância da safra de soja na contabilização do resultado do setor no segundo semestre do ano”, afirmam.

Para a indústria, a alta esperada é de 1,8%, puxada pelo setor extrativo que deve registrar crescimento de 7,8%. Por outro lado, o destaque negativo deve ser a indústria de transformação, que deve recuar 0,7%, diante da demanda fraca e dos altos níveis de estoques.

“Do lado da demanda agregada, os destaques positivos permanecem sendo o consumo das famílias e as exportações. Quanto ao primeiro, estimamos alta de 2,6% em comparação ao mesmo período do ano passado. Para a parte das exportações, nossa estimativa de crescimento anual de 10% foi impulsionada não só pelas safras do período, como também pelo forte desempenho da indústria extrativa (petróleo)”, afirmam.

Pouso suave da economia brasileira

O economista-chefe do Banco Pine, Cristiano Oliveira, afirma que os indicadores mais recentes de atividade confirmam o cenário de que a economia brasileira passa por um processo de pouso suave. Segundo ele, esse movimento é caracterizado por uma desaceleração do ritmo de crescimento ao mesmo tempo em que a inflação desacelera para próximo do centro da meta, que oscila de 1,75% a 4,75%.

LEIA MAIS: Análise: pela primeira vez, núcleos de inflação do Brasil estão nos níveis de EUA e da Zona do Euro

Para o terceiro trimestre, Oliveira estima uma queda do PIB de 0,4% e para o período entre outubro e dezembro, uma retração de 0,2%. Com isso, a economia brasileira terminaria o ano com crescimento de 2,8%. Para 2024, ele estima uma alta de 1,8% do PIB.

“A dissipação do impacto positivo da forte expansão do setor agropecuário do primeiro semestre e a também esperada desaceleração da demanda doméstica – por conta das condições financeiras apertadas do início do ano – explicam em grande parte a dinâmica do PIB na segunda metade do ano”, afirma.

Oliveira também avalia que o mercado de trabalho mostra evidências de pouso suave da economia brasileira. Segundo ele, a evolução recente do ritmo de crescimento da população ocupada e da massa salarial sugerem acomodação. Na prática, o nível de emprego e de salários está perto do pico, o que não deve dar fôlego extra para o crescimento. Além disso, os juros ainda altos não têm estimulado a contratação de crédito pelas famílias que teria um impacto tão positivo no PIB.

O que esperar de 2024?

O economista-chefe e sócio da Warren Investimentos, Felipe Salto, projeta que a economia brasileira deve terminar 2023 com um crescimento de 2,8%, bem acima do que era esperado pelo mercado no início do ano.

Segundo ele, o processo de redução de juros em 2024 direcionará a dinâmica do crescimento no próximo ano, com peso sobre investimentos em consumo.

"Entendo que a economia deverá encerrar 2023 rodando em torno de 2,8%, que é um bom desempenho, bem acima do esperado no início do ano. Para 2024, há um fator importante que vai redirecionar a dinâmica do crescimento para a demanda. Trata-se da redução dos juros, que vai exercer o seu efeito sobre o investimento e o consumo. Mesmo assim, entendo que a taxa de crescimento em 2024 será menor que a deste ano, até pelo efeito base de comparação", afirma. "A preocupação com o fiscal e o externo continuam presentes, mas entendo que são riscos controlados."

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