OIT publica novo relatório sobre o impacto da pandemia nos empregos

Segundo a Organização Internacional do Trabalho, o equivalente a 135 milhões de empregos foram perdidos no primeiro trimestre -- mas o pior está por vir

A Organização Internacional do Trabalho (OIT) divulga na manhã desta terça-feira o seu quinto relatório sobre a situação do mercado de trabalho no mundo durante a pandemia do novo coronavírus.

A divulgação ocorre um dia antes da abertura da Cúpula Global da entidade, uma série de eventos online que deve reunir líderes mundiais e representantes de entidades internacionais entre os dias 1 e 9 de julho para debater ações para reativar o mercado de trabalho.

A expectativa é que a agência, ligada às Nações Unidas, mostre como o emprego tem se comportado num momento em que os países europeus gradualmente passaram a retomar as suas atividades, após meses de quarentena, ao mesmo tempo em que a doença continuou avançando na América Latina e voltou a ganhar força nos Estados Unidos.

Este já é quinto relatório preparado pela OIT durante a pandemia. No documento anterior, publicado no fim de maio, a agência chamou a atenção para os efeitos da crise sobre os trabalhadores mais jovens. Um de cada seis jovens no mundo perdeu o emprego durante a pandemia, e aqueles que continuaram trabalhando tiveram uma redução, em média, de 23% do rendimento. Entre os jovens, as mulheres são as mais prejudicadas.

A pandemia também atrasa a formação e o desenvolvimento dos estudantes que ficaram sem aulas ou tiveram que migrar para o ensino online. A agência estima que um em cada dez estudantes no mundo não conseguirão completar os seus estudos. “Se não tomarmos medidas significativas e imediatas para melhorar a situação dos jovens, o prejuízo causado pelo vírus estará conosco por décadas”, disse à época Guy Ryder, diretor-geral da OIT.

A OIT estima que no primeiro trimestre a pandemia tenha causado uma redução de 4,8% na quantidade de horas trabalhadas no mundo por causa da perda de postos de trabalho e das medidas de quarentena. A redução equivale a uma perda de 135 milhões de empregos. Para o segundo trimestre, a agência estimava em maio uma retração ainda maior, de 10,7%, o equivalente a 305 milhões de postos de trabalho no mundo.
Com a divulgação do relatório desta terça-feira, será possível conhecer as novas estimativas da agência para o segundo trimestre e o restante ano. Certamente, o quadro não é dos melhores.

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