Inflação nos EUA sobe 0,1% em agosto e acumulado vai a 8,3%

Principal índice inflacionário americano veio acima do esperado, com núcleo em alta frente a julho
Consumidor nos EUA: inflação americana ficou estável e subiu 0,1% em agosto, mas veio acima das expectativas (SolStock/Divulgação)
Consumidor nos EUA: inflação americana ficou estável e subiu 0,1% em agosto, mas veio acima das expectativas (SolStock/Divulgação)
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Carolina Riveira

Publicado em 13/09/2022 às 09:39.

Última atualização em 13/09/2022 às 12:02.

A inflação dos Estados Unidos fechou o mês de agosto com alta de 0,1%, segundo os resultados do Índice de Preços ao Consumidor (CPI) divulgados nesta terça-feira, 13, pelo governo norte-americano.

Em julho, a inflação não havia tido variação mensal, enquanto em junho teve alta forte de 1,3% no mês.

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No acumulado em 12 meses, a inflação dos EUA continuou desacelerando e chegou a 8,3% em agosto, frente aos 8,5% em julho e 9,1% em junho.

Mas o número veio acima do consenso do mercado, que apostava em acumulado de 8,1% e queda mensal de 0,1%, segundo consenso medido pela Bloomberg. O resultado fez os índices nos EUA abrirem o pregão em queda nesta terça-feira.

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As quedas no CPI em agosto foram puxadas por baixa de 10,6% no preço da gasolina, segundo o Departamento de Trabalho americano, responsável pelo índice. Na outra ponta, altas em alimentação (0,8%), moradia (0,7%) e serviços de saúde (0,8%) foram destaques, mas o aumento desses preços, no índice geral, ficou ofuscado pela queda nos combustíveis.

Núcleo da inflação sobe 0,6%

Apesar da estabilidade no índice geral, um alerta no mercado veio também após o núcleo da inflação (todos os itens menos alimentação e energia) subir 0,6% no mês, mostrando aceleração quando excluído o efeito baixista da gasolina.

O resultado ficou acima da expectativa do mercado, de 0,3% de alta no núcleo, e também acima dos 0,3% registrados em julho (em números revisados). No acumulado em 12 meses, o núcleo da inflação registra alta de 6,3%.

A alta nesse grupo significa que a inflação se disseminou para várias frentes da economia, mesmo que combustíveis e energia não estejam mais em seu pico.

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Alta de juros do Fed

Na comparação com maio e junho, quando a inflação americana subia acima de 1% ao mês, o resultado de agosto mostra a continuidade da desaceleração - com alta de juros promovida pelo Fed, banco central do país, mercado de trabalho menos aquecido e estabilização do petróleo no mercado internacional.

Mas o resultado do núcleo da inflação ainda com alta consistente pode fazer com que o Fed suba juros mais do que o esperado. O mercado projetava uma alta de 50bps na reunião de setembro, mas algumas casas já elevaram a projeção para 75bps e, após o resultado de hoje, para até 1 ponto percentual. Uma alta muito rápida de juros nos EUA, ainda que contenha a inflação, pode levar o país a uma recessão, o que teria impactos em todo o mundo.

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A expectativa é que a inflação americana possa ter chegado a seu pico em meados deste ano e continue a desacelerar, o que terá de ser confirmado nos próximos períodos.

Os EUA têm no acumulado sua maior inflação em 40 anos, desde o período da "Grande Inflação" no início dos anos 1980. O grupo de alimentação no CPI, por exemplo, também registrou neste mês nova alta acima da inflação geral e acumulado de 11,4% nos últimos 12 meses até agosto, a maior desde 1979.

As altas na inflação americana também têm afetado a popularidade do presidente americano, Joe Biden, e do Partido Democrata, às vésperas de eleições legislativas de meio de mandato (as chamadas midterms) marcadas para novembro. Segundo as pesquisas, os democratas devem perder sua atual maioria na Câmara e no Senado.

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