Publicado em 9 de janeiro de 2026 às 14h07.
Última atualização em 9 de janeiro de 2026 às 14h35.
Os países que integram a União Europeia formalizaram nesta sexta-feira, 9, apoio majoritário ao tratado de livre comércio com o Mercosul, bloco econômico formado por Brasil, Argentina, Paraguai e Uruguai.
O comunicado foi emitido na tarde desta sexta pelo representante do Chipre, que ocupa a presidência rotativa do Conselho da União Europeia. A confirmação da aprovação do acordo foi feita por meio de votos escritos dos Estados-membros.
A decisão segue a sinalização de apoio prévio dos embaixadores dos 27 países da UE, como havia sido anunciado pelo bloco.
Caso seja ratificado, o tratado se tornará o maior acordo comercial já firmado pela União Europeia. No entanto, o texto ainda precisa ser aprovado pelo Parlamento Europeu antes de entrar em vigor.
A presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, deve viajar a Assunção, no Paraguai, no fim de semana.
“A decisão de hoje do Conselho de apoiar o acordo UE-Mercosul é histórica. A Europa está enviando um sinal forte”, escreveu von der Leyen em sua conta na rede social X (antigo Twitter).
Today’s Council decision to support the EU-Mercosur deal is historic.
Europe is sending a strong signal.
We are serious about creating growth, jobs and securing the interests of Europeans consumers and businesses.
With Mercosur, we are creating a shared market of 700 million… pic.twitter.com/WMGXWzFgua
— Ursula von der Leyen (@vonderleyen) January 9, 2026
O Ministério das Relações Exteriores da Argentina confirmou que o acordo de comércio será assinado pelo Mercosul no dia 17 de janeiro, sábado.
"Após mais de 30 anos de negociações, assinaremos em 17 de janeiro no Paraguai um acordo histórico e ambicioso entre os dois blocos", disse o ministro das Relações Exteriores da Argentina, Pablo Quirno, em um comunicado do Ministério das Relações Exteriores.
A ratificação do acordo aconteceu em meio a protestos por toda a Europa. Segundo a agência EFE, milhares de agricultores poloneses tomaram as ruas de Varsóvia em protesto contra o tratado.
Centenas de tratores que estavam estacionados nos arredores da capital polonesa seguiram para o centro da cidade assim que foi divulgado o resultado preliminar da votação em Bruxelas, nesta manhã, que indicou apoio à assinatura do tratado entre União Europeia e Mercosul.
Além da Polônia, rodovias na França e na Bélgica também foram bloqueadas nesta sexta-feira.
Salvaguardas adicionais para o mercado agrícola — que seriam acionadas em caso de aumento repentino das importações do Brasil, Argentina, Paraguai e Uruguai — também foram aprovadas pelos embaixadores da União Europeia, segundo o site Politico, que citou diplomatas sob condição de anonimato.
França e Polônia são hoje as principais barreiras à aprovação do tratado. Os agricultores afirmam que o setor agropecuário europeu perderá competitividade diante das commodities do Mercosul — especialmente as brasileiras, que são mais baratas.
Apesar da oposição, estimativas da própria Comissão Europeia apontam que as exportações agroalimentares do bloco para os países sul-americanos devem crescer 50% com o acordo, beneficiadas pela redução de tarifas sobre produtos como vinhos e bebidas alcoólicas (até 35%), chocolate (20%) e azeite (10%).