Com crime e em crise, México faz reformas para vencer o medo

Assim como o Brasil, México era um queridinho dos investidores que viu seu crescimento minguar; agora, o governo se mexe enquanto a violência assombra o país

São Paulo – O Brasil pisa hoje no gramado da Arena Castelão, em Fortaleza, para enfrentar o México, outro gigante econômico com quem compartilha muitos dilemas (e uma forte relação comercial).

Algum tempo atrás, o banco Nomura disse que a economia mexicana poderia passar a brasileira e se tornar a segunda maior da América Latina já em 2022. Mas, assim como nós, o México também foi rapidamente da euforia à frustração. 

Depois de um crescimento respeitável na década passada (tirando um duro 2009 pós-crise), o país começou a ver seu otimismo encolher a cada novo relatório.

Em 2013, o PIB cresceu só 1,1%. Para este ano, a projeção já caiu de 3,9% para 2,7%.

O presidente atual é Enrique Pena Nieto, do PRI (Partido Revolucionário Institucional), partido que governou o México por toda sua história moderna, com exceção do período entre 2000 e 2006.

Ele assumiu no começo do ano passado com um pacto com a oposição para levar adiante uma agenda ambiciosa de reformas.

Reformas

No setor de energia, foi permitida a entrada de capital privado nacional e estrangeiro, dando fim a um monopólio estatal que já durava 75 anos. 

Na telecomunicações, as regras das privatizações dos anos 90 foram atualizadas para reduzir tarifas, compartilhar redes e impedir que nenhuma empresa tenha mais da metade do mercado.

Carlos Slim, segundo homem mais rico do mundo, será atingido em cheio: sua América Móvil tem 70% do mercado de telefonia móvel e 80% do de telefonia fixa do país.

Uma reforma fiscal trouxe folga nas receitas ao aumentar impostos sobre refrigerantes, mineradoras e os mais ricos (o país tem uma das menores cargas tributárias da América Latina: 19%, contra 36% no Brasil). 

Ao contrário daqui, onde a inflação está no teto da meta e não há espaço para mais gastos, o México pôde reagir ao pessimismo com cortes de juros e novos gastos. 

O mercado está gostando. A Moody’s aumentou a nota da dívida do país pouco mais de um mês antes da Standard & Poor’s ter rebaixado a brasileira.

EUA e a violência

Para o bem ou para o mal, a economia mexicana é uma das mais abertas do mundo emergente e acaba dependendo principalmente dos humores do seu vizinho de cima.

Hoje, 20 anos depois da criação do NAFTA, os Estados Unidos compram 77% das exportações mexicanas – e o que foi maldição durante a crise de 2008 deve voltar a se tornar vantagem com a recuperação americana.

A maior ameaça para os mexicanos continua sendo mesmo é a escalada da violência. Enquanto a Colômbia colhe os frutos de combater (e agora negociar) com as Farc, a estratégia mexicana de colocar o exército para sufocar os cartéis não impediu o aumento dos assassinatos.

A violência relacionada ao tráfico matou 60 mil mexicanos entre 2006 e 2012, de acordo com a Human Rights Watch. Só em 2011, o crime custou cerca de US$ 16,5 bilhões ao país, o equivalente a 1,38% do PIB, segundo o Instituto Nacional de Estatísticas e Informática.

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