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Boletim Focus: em semana de Copom, mercado eleva projeção da inflação para 2023

A previsão para 2023 subiu de 5,02% para 5,08%

 (Leandro Fonseca/Exame)

(Leandro Fonseca/Exame)

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Estadão Conteúdo

Publicado em 5 de dezembro de 2022, 09h42.

Última atualização em 5 de dezembro de 2022, 09h45.

Em meio às discussões do governo eleito sobre aumento de gastos no ano que vem, a expectativa para a alta do IPCA - índice de inflação oficial - de 2023 subiu pela terceira semana seguida no Boletim Focus. A projeção para este ano também continuou em alta enquanto a mediana para 2024 permaneceu parada.

A projeção para 2022 avançou de 5,91% para 5,92%, contra 5,63% há um mês. A previsão para 2023 subiu de 5,02% para 5,08%. Para 2024, a mediana permaneceu em 3,50%. Há quatro semanas, as estimativas eram de 4,94% e 3,50%, nessa ordem.

Considerando somente as 98 estimativas atualizadas nos últimos 5 dias úteis, a mediana para 2022 passou de 5,93% para 5,94%. Para 2023, variou de 5,00% para 5,11%, com as 97 alterações realizadas na última semana.

As medianas na Focus para a inflação oficial em 2022 e 2023 estão acima do teto da meta para esses horizontes (de 5,00% e 4,75%, nessa ordem), apontando para três anos de descumprimento do mandato principal do Banco Central. Para 2024, a projeção do mercado está acima do alvo central de 3,00%, mas aquém do limite superior de 4,50%.

Neste momento, o foco da política monetária está nos anos de 2023 e de 2024. Mas o BC tem dado ênfase ao horizonte de seis trimestres à frente, atualmente o segundo trimestre de 2024.

Na Focus divulgado nesta segunda-feira, 5, a previsão para 2025 permaneceu em 3,00%. A meta para o ano é de 3,00%, com intervalo de 1,5% a 4,5%.

No Copom de outubro, o BC atualizou suas projeções para a inflação com estimativas de 5,8% em 2022, 4,8% em 2023 e 2,9% para 2024. O colegiado manteve a Selic em 13,75% ao ano pela segunda vez seguida.

Os economistas do mercado financeiro alteraram a projeção para o IPCA de novembro no Boletim Focus. O avanço da mediana foi de 0,51% para 0,53%. Há um mês, o porcentual esperado era de 0,40%.

Para o IPCA de dezembro, a estimativa continuou em 0,64%, contra 0,66% um mês antes. Para janeiro de 2023, a previsão para o indicador cedeu de 0,56% para 0,55%. Era de 0,54% há quatro semanas.

A expectativa para a inflação suavizada para os próximos 12 meses variou de 5,27% para 5,28% - há um mês, estava em 5,13%.

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Projeção do PIB do Boletim Focus

Após a divulgação do Produto Interno Bruto (PIB) do terceiro trimestre (0,4%) e das revisões na série divulgadas pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), o Boletim Focus mostrou forte alta no cenário de crescimento econômico em 2022.

A mediana para o aumento do PIB este ano saltou de 2,81% para 3 05%, contra 2,76% há um mês. Já a estimativa para a expansão do PIB em 2023 avançou de 0,70% para 0,75%, de 0,70% um mês antes.

Considerando apenas as 65 respostas nos últimos cinco dias úteis a estimativa para o PIB no fim de 2022 passou de 2,78% para 3,05%. No caso de 2023, a variação da mediana foi marginal, de 0,74% para 0,75%.

O Focus ainda mostrou leve alta na projeção para o crescimento do PIB em 2024, de 1,70% para 1,71%. Para 2025, a mediana foi mantida em 2,00%. Quatro semanas atrás, as taxas eram de 1,80% e 2,00%, nessa ordem.

O cenário de contas públicas contemplado no Relatório de Mercado Focus mostra situações opostas em 2022 e 2023. Se por um lado, para este ano, as estimativas têm melhorado, em linha com os bons resultados fiscais, de outro, as projeções para 2023 se deterioram em meio aos temores com os planos de aumento de gastos do governo eleito.

A estimativa para o superávit primário em 2022 passou de 1,25% para 1,29% do Produto Interno Bruto (PIB). Há um mês, a mediana era de 1,00% do PIB. Já, para 2023, a projeção de déficit primário piorou de 0,80% para 0,90% do PIB, de 0,50% quatro semanas antes.

Em relação ao resultado nominal, a mediana deficitária passou de 5,76% para 5,51% do PIB este ano. Mas o déficit esperado para 2023 voltou a aumentar de 8,25% para 8,52% do PIB. Há um mês, as medianas eram negativas em 6,10% e 7,50% do PIB, nessa ordem.

O resultado primário reflete o saldo entre receitas e despesas do governo, antes do pagamento dos juros da dívida pública. Já o resultado nominal reflete o saldo já após as despesas com juros.

Houve ainda estabilidade na projeção para o indicador que mede a relação entre a dívida líquida do setor público e o PIB para 2022, em 57,70%, contra 58,45% um mês atrás. Em relação a 2023, a estimativa para a dívida líquida em relação ao PIB passou de 61,00% para 61,50%, de 62,90% há um mês.

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