Agro vai faturar 13,7% a mais com alta dos preços, demanda chinesa e dólar

Aumento da receita obtida "da porteira para dentro" vai contribuir para que o PIB do agronegócio apresente uma expansão de 3,5% neste ano

O faturamento do setor agropecuário deve crescer 13,7% neste ano em relação a 2019, atingindo a cifra recorde de 823,3 bilhões de reais, segundo estimativa divulgada, nesta quarta-feira, pela Confederação de Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA).

Os principais fatores que sustentam essa projeção de alta do chamado Valor Bruto da Produção (VBP) são os aumentos dos preços dos alimentos, a alta demanda chinesa e a valorização do real frente ao dólar.

O aumento da receita obtida “da porteira para dentro” vai contribuir para que o produto interno bruto (PIB) do agronegócio apresente uma expansão de 3,5% neste ano. Esse percentual deve ser revisto para cima, até o fim desta semana, pela CNA. Enquanto isso, a equipe econômica do governo projeta uma queda de 4,7% do PIB brasileiro em 2020, devido à desaceleração da economia, fortemente afetada pela pandemia de covid-19.

A CNA espera uma alta de 18% na receita dos agricultores, com faturamento de 531,6 bilhões de reais. O resultado será puxado, principalmente, pela soja, que terá uma receita 23,8% maior em 2020, com incremento de 4,3% na produção e 18,7% nos preços. Outros destaques são o arroz, o café arábica e o trigo, que terão uma expansão de 33,9%, 51% e 59% do VBP.

Já o VBP pecuário deve crescer 6,6%, com receita de 291,7 bilhões de reais. De acordo com a Confederação, os incrementos de produção e preços de ovos e suínos e de preços da carne bovina devem garantir um acréscimo próximo a 17,9 bilhões de reais no faturamento da atividade pecuária “dentro da porteira”.

A baixa disponibilidade de animais para o abate, que deve reduzir a produção de carne bovina em aproximadamente 3,6% em 2020, tem, por outro lado, sustentado preços elevados para a arroba do boi gordo em média 17,8% acima do patamar de 2019.

Apesar do bom resultado da pecuária, o faturamento bruto das atividades de frango e de leite deve apresentar queda de 3,7% e 4,3%, respectivamente.

As estimativas da CNA estão baseadas nos dados de preço e produção disponíveis até agosto de 2020.

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