Economia

A vez dos mercados regionais brasileiros

OPINIÃO | Eles oferecem assim um variado leque de oportunidades para investidores em busca de bases que contam com saudáveis ambientes de negócios, previsibilidade e perspectivas

Da Redação
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Redação Exame

Publicado em 4 de junho de 2024 às 06h09.

Fernando Cinelli*

À medida que o Brasil se consolida como uma potência econômica global, surgem novas perspectivas que redefinem seu papel no cenário internacional. Atualmente classificado como a oitava maior economia do mundo, o Brasil destaca-se não apenas por ser o maior exportador mundial de alimentos e por ter uma matriz energética 80% renovável, mas também pela sua estabilidade econômica e política. Com uma inflação controlada e relações comerciais sólidas, o país se posiciona como uma potência em ascensão.

Tais fatores dão ao Brasil uma chancela de território seguro para negócios e investimentos, credenciando o país, inclusive, como supridor crível, amigo e próximo para cadeias globais. Grandes corporações, especialmente americanas e europeias, que se servem de cadeias produtivas globais de suprimento estão se movimentando em busca de bases mais seguras e próximas às suas operações e consumo.

É nesse cenário de condições mais favoráveis e de novas oportunidades para realizar e expandir negócios que emergem os mercados regionais brasileiros. Eles oferecem assim um variado leque de oportunidades para investidores em busca de bases que contam com saudáveis ambientes de negócios, previsibilidade e perspectivas que combinam bons e seguros retornos financeiros, com sustentabilidade.

Essa incursão na direção dos mercados regionais parte de evidências e avaliação de que o Brasil, sobretudo do ponto de vista econômico, vai muito além do que apontam os olhares do mundo exterior, que se limitam aos estados de São Paulo e do Rio de Janeiro.

'Tigres brasileiros'

Altamente promissores, os mercados regionais representam atualmente cerca de 60% do PIB do país, 95% do território nacional, 70% da população brasileira e aproximadamente 84% do total da energia gerada. Nesse novo contexto emergem três estados que podem ser considerados os "tigres brasileiros": Santa Catarina, Paraná e Espírito Santo, que integram o top 10 no ranking de competitividade, ocupando, respectivamente, a segunda, a terceira e a décima posições.

Em 2023, os três estados despontaram no cenário econômico com crescimento médio do PIB de 4,2% - enquanto o país cresceu 2,9% -, configurando assim retomadas robustas das suas economias, principalmente em setores que os distinguem. Vistos em conjunto, esses três estados apresentam características comuns que os destacam, especialmente a participação ativa da iniciativa privada no desenvolvimento econômico, ambiente de negócios saudável e frutífero e excelentes indicadores de educação e capital humano.

Também contam com alto grau de abertura interna das suas economias, medida pelo fluxo do comércio interestadual em relação aos respectivos PIBs, que, em média, atingiu 200% no ano passado. Fica claro, portanto, o alto grau de conectividade logística com os demais estados do país, valendo-se para tanto de eficiente e diversificado sistema de infraestrutura viária, portuária, ferroviária e aérea.

O Espírito Santo é um centro vital para indústrias globais de mineração, siderurgia e celulose, destacando-se como um dos principais produtores de café do mundo. O estado também desempenha um papel crucial como hub logístico no comércio internacional brasileiro, com 11 portos estratégicos. Adicionalmente, ocupa a terceira posição nacional na produção de petróleo e gás. O governo estadual tem o maior índice proporcional de investimentos do país e menor gasto com pessoal do país, além de ter registrado dívida líquida negativa. No setor imobiliário, o Espírito Santo é notável, com duas cidades que mais apresentam valorização imobiliária no país.

Por sua vez, o Paraná é um pilar fundamental na produção agrícola do Brasil e contribui significativamente para o abastecimento global. O estado abriga 11 das maiores cooperativas agrícolas do mundo, especializadas em grãos e proteínas, e juntas acumulam uma receita anual superior a R$ 200 bilhões. É o segundo maior produtor de alimentos do país e o líder na produção de madeira. No setor imobiliário, o Paraná se destaca a partir da presença de três das maiores construtoras do país.

Santa Catarina é um polo de grandes indústrias e um dos principais centros de tecnologia e inovação. O estado tem duas das cidades com o metro quadrado mais caro do país: Balneário Camboriú (1º), conhecida como a "Dubai Brasileira", e Itapema (2º) e detém o terceiro maior PIB per capita nacional. No setor do agronegócio, Santa Catarina se destaca especialmente na suinocultura, sendo o maior produtor do Brasil.

Por fim, uma característica comum e que justifica a condição de protagonismo nos emergentes mercados regionais do Brasil é a “cultura do trabalho”, um atributo herdado sobretudo do espírito empreendedor e inovador do imigrante. Não à toa, são economias dinâmicas sob o ponto de vista de ocupação da força de trabalho, com taxa de desocupação média de 4,2%, contra os 7,4% registrados nacionalmente.

Quando desenvolvemos o movimento dos Mercados Regionais Brasileiros, queremos apresentar para o Brasil e o mundo as oportunidades de negócios e investimentos que são importantes para destravar o seu desenvolvimento. Os dados não deixam dúvidas de que os mercados regionais - sobretudo Espírito Santo, Paraná e Santa Catarina - têm a capacidade de liderar o próximo ciclo de desenvolvimento do Brasil, com protagonismo na indústria, logística, agronegócio e tecnologia.

Um fator fundamental para que o crescimento desses estados seja sustentável no longo prazo é o desenvolvimento do ecossistema de mercado de capitais, propósito da Apex Partners. Países com os melhores índices de desenvolvimento humano têm um capitalismo pujante, isto é, um mercado de capitais desenvolvido e descentralizado.

* Fernando Cinelli é fundador e presidente da Apex Partners.

 

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