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2015: o ano em que o brasileiro ficou mais pobre e desempregado

Renda em queda e desemprego em alta: dados da PNAD mostram que 2015 foi o ano em que a crise chegou na vida do brasileiro

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Pessoas procuram emprego em uma feira no Rio de Janeiro: (Dado Galdieri/Bloomberg)

Pessoas procuram emprego em uma feira no Rio de Janeiro: (Dado Galdieri/Bloomberg)

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João Pedro Caleiro

Publicado em 25 de novembro de 2016 às, 10h00.

Última atualização em 25 de novembro de 2016 às, 10h00.

São Paulo – 2015 foi o ano em que o PIB brasileiro despencou 3,8%, o pior resultado em mais de 25 anos.

Foi também quando a crise econômica que já se desenhava no ano anterior bateu de vez na renda e no desemprego do brasileiros.

É o que revelam os dados da PNAD (Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios) divulgados hoje pelo IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística).

Veja o que aconteceu:

Desemprego

A taxa de desocupação subiu 2,7 pontos percentuais entre 2014 e 2015 e atingiu 9,6%.

A taxa é mais alta entre as mulheres (11,7%) do que entre os homens (7,9%).

A piora do mercado de trabalho já estava sendo captada por dados da própria PNAD e do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged) feito pelo Ministério do Trabalho.

Os jovens foram os mais afetados: o crescimento na desocupação na faixa de 18 a 24 anos foi de 6,1 pontos percentuais em apenas um ano, atingindo 21,3%.

A título de comparação, essa taxa é de 7,8% entre as as pessoas de 25 a 49 anos e de 3,7% entre aqueles com 50 anos ou mais de idade.

“Na PNAD 2014, a gente percebeu uma redução do ritmo das melhoras que vinham ocorrendo no mercado de trabalho. A gente teve aumento importante da desocupação, emprego de carteira não estava subindo como nos últimos anos e já mostrava uma queda na população ocupada da indústria. 2015 é um aprofundamento do que foi 2014: índices que estavam estáveis estão caindo”, diz Adriana Beringuy, analista da coordenação de trabalho e rendimento do IBGE.

Da população desocupada em 2015, pouco mais da metade era de mulheres, um terço era de jovens, pouco mais de um quarto nunca tinha trabalhada, 60,4% eram pretos ou pardos e quase metade não haviam completado o ensino médio.

A população ocupada foi de 98,6 milhões para 94,8 milhões de brasileiros. É a primeira queda na série iniciada em 2004, e nenhuma região do país saiu ilesa.

A atividade agrícola perdeu 6% dos seus trabalhadores em relação a 2014, enquanto a indústria perdeu 8% - o equivalente a mais de 1 milhão de brasileiros. Aumentou o número de pessoas auto-empregadas.

Renda

Como era de se esperar com a menor oferta de empregos e o PIB em queda livre, a renda também sofreu um baque: 5% a menos do que o ano anterior, chegando em R$ 1.853.

O rendimento real caiu em todos os estados, com exceção de cinco: Rio Grande do Norte, Paraíba, Tocantins, Roraima e Paraná.

As maiores quedas, na casa dos dois dígitos, foram em Amazonas, Bahia e Amapá. Os estados com maior renda seguem sendo, em ordem: Distrito Federal, São Paulo e Rio de Janeiro.

Desigualdade

Ainda assim, a distribuição de renda continuou sua trajetória de menor concentração iniciada em 2004.

A medida disso é o índice de Gini, que vai de 0 a 1: quanto mais alto, mais desigual é o país. Ele foi de 0,555 em 2004 para 0,491 em 2015.

Todo mundo caiu, mas houve "uma queda mais acentuada dos rendimentos médios nos décimos de população com rendimentos mais elevados.”, diz o relatório do IBGE.

Esses dados devem ser vistos com cuidado: vários economistas apontam que por trabalhar por amostragem domiciliar, a PNAD não é o melhor instrumento para captar as rendas dos estratos mais ricos.

Ela não considera rendimentos de capital como aplicações financeiras e ganhos com imóveis, por exemplo, então pode estar subestimando o tamanho da riqueza nas camadas mais elevadas da pirâmide social.

Um sinal disso foi o relatório do banco suíço Credit Suisse divulgado ontem, mostrando que o número de milionários no país passou de 162 mil para 172 mil entre 2015 e 2016.

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