O esquema Ponzi vence mais uma&

O esquema Ponzi (também conhecido como “pirâmide”) é um dos mais bem sucedidos “memes” do mundo. É uma ideia que surgiu no início do Século XX e tem esse nome em homenagem ao seu criador, Carlo Ponzi, um indivíduo muito malandro que nasceu na Itália, migrou para os Estados Unidos, aplicou um monte de golpes por lá e depois resolveu “se aposentar” em certo país da America do Sul que […] Leia mais
V
Você e o Dinheiro

Publicado em 19/06/2012 às 10:45.

Última atualização em 24/02/2017 às 09:24.

O esquema Ponzi (também conhecido como “pirâmide”) é um dos mais bem sucedidos “memes” do mundo. É uma ideia que surgiu no início do Século XX e tem esse nome em homenagem ao seu criador, Carlo Ponzi, um indivíduo muito malandro que nasceu na Itália, migrou para os Estados Unidos, aplicou um monte de golpes por lá e depois resolveu “se aposentar” em certo país da America do Sul que começa com “B” (uma dica: não é a Bolívia). Um meme é uma ideia ou conceito que se propaga e procura se perpetuar, seguindo uma lógica parecida com a dos genes (meme é quase uma versão “conceitual” de um gene), e poucas ideias tiveram tanto sucesso em se propagar e perpetuar quanto o esquema Ponzi.

Essa coisa já existe há quase cem anos (provavelmente existe há mais tempo que isso, mas a popularização veio com Carlo Ponzi), inúmeras pessoas já se “estreparam” nessa, perderam (muito) dinheiro, a notícia sai no jornal, sai na televisão, sai em todo lugar, as autoridades financeiras fazem “zilhões” de alertas e as pessoas continuam caindo… e no mundo todo!

A última veio da Russia (esses russos não são mais aqueles…), mas essa história tem algo que a faz mais interessante que as anteriores. Vamos contar a história de Sergei Mavrodi, um matemático russo de 56 anos que, em 1994, criou um dos mais conhecidos esquemas Ponzi do mundo, chamado MMM, que era anunciado até na televisão.

Ele atraiu quase 10 milhões de pessoas com seu esquema e, nenhuma surpresa até aqui, tudo foi por água abaixo ainda no mesmo ano. Nosso amigo Mavrodi deu um jeito de virar deputado para obter imunidade parlamentar (vocês pensavam que isso só acontecia aqui, não é?), mas ainda assim acabou “puxando alguns anos de cana” por fraude financeira.

Agora vamos à segunda parte da história. Livre da prisão, Sergei Mavrodi teve uma grande ideia. Por que não fazer tudo de novo? Mas desta vez alertando explicitamente às pessoas que se trata de um esquema de pirâmide insustentável e com altíssimo risco de perda (ou certeza de perda, conforme o ponto de vista). O esquema foi batizado de MMM2011. É o “golpe honesto”, onde o golpista avisa a todo mundo que se trata de um golpe. O argumento do senhor Mavrodi é que o esquema que ele opera não é diferente, essencialmente falando, daquele operado por autoridades e grandes instituições financeiras, como sistemas de seguridade pública e bancos centrais… Hmmm, ele está dizendo que o sistema financeiro mundial inteiro é uma grande fraude? Ok, então tá…

O esquema na versão “2011” não é formalmente constituído e foi anunciado de forma mais discreta, utilizando mais mídias sociais na internet em detrimento da mídia convencional. O dinheiro transita nas contas das próprias pessoas que aderem ao esquema, sem passar por um mecanismo centralizador. Isso tudo deixa o esquema mais difícil de ser combatido pelas autoridades financeiras russas, apesar dessas mesmas autoridades estarem insistentemente avisando às pessoas que se trata de um golpe. Mas, seja como for, o brilhante matemático afirma que aproximadamente 35 milhões de “felizardos investidores” já aderiram. O esquema MMM-2011 sofreu um revés este ano (um início de estouro da pirâmide), mas aparentemente um “MMM-2012” já está a caminho, com “correções e modificações”, segundo Sergei Mavrodi, para dar continuidade ao seu “golpe honesto”.

A pergunta que não quer calar é: o que fazer em uma situação como essa, em que as pessoas foram avisadas, não só pelas autoridades financeiras, mas inclusive pelo próprio criador do esquema que se trata de algo fraudulento?

Até que ponto as autoridades financeiras e de mercado podem ou devem “proteger as pessoas delas mesmas”?