A “nova” idade para se aposentar

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Você e o Dinheiro

Publicado em 07/10/2015 às 18:58.

Última atualização em 24/02/2017 às 07:53.

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Blogueiros e articulistas adoram seguir certo padrão, que é colocar um título chamativo, sugerindo uma pergunta, escrever um texto às vezes longo e, frequentemente, maçante e só dar a resposta no final, sendo que, muitas vezes, a resposta é inconclusiva ou mesmo irrelevante.

Eu reconheço que, algumas vezes, eu cometo esse “pecado”, apesar de procurar ser obsessivamente cuidadoso com essa coisa de dar respostas inconclusivas e irrelevantes. Porém, desta vez, eu não vou te sacanear fazendo você ler um texto longo para chegar a uma resposta que é, na verdade, uma “não-resposta”– já vou dizer logo de cara que a minha resposta para o título deste artigo é, simplesmente, “eu não sei”… Pronto, agora, se quiser continuar a leitura, já sabendo que não vou responder absolutamente nada de concreto, vamos em frente!

Em meu último artigo, falei sobre o “Dia da Longevidade”, fazendo considerações sobre o aumento da expectativa de vida e seus impactos nas finanças de pessoas comuns e na economia como um todo. Há três anos eu faço um artigo espacial no “Dia do Idoso” (ou da longevidade) para chamar a atenção das pessoas para esta questão.

Além de escrever, eu falo bastante sobre o assunto em minhas palestras (faço, com frequência, palestras para participantes de fundos de pensão, entre outros) e mesmo em minhas consultorias pessoais. E eu tenho a impressão de que devo ser o único profissional de finanças, no Brasil, que fala abertamente sobre essa questão de um possível aumento radical da expectativa de vida.

Meu interesse no assunto vem de 2011. Eu estava desenvolvendo um produto educacional e fiz uma pesquisa com profissionais de recursos humanos, para identificar qual era o tipo de “angústia financeira” que mais afligia empregados e, consequentemente, afetava os empregadores. Acho que não será nenhuma surpresa se eu disser que a maior “encrenca” identificada na minha pesquisa era o endividamento excessivo…

Porém, quando fui comparar os meus dados com pesquisas similares feitas no exterior (especialmente nos EUA), pude ver que, lá fora, ao contrário daqui, o problema principal é a preparação (ou falta de) para a aposentadoria. Aí, comecei a estudar o assunto e uma coisa foi levando à outra…

Há poucos meses, saiu um artigo muito interessante no portal CNBC, chamado “New retirement age is not 65, not 80, not 95: It’s higher” (“A nova idade da aposentadoria não é 65, nem 85 e nem 95: é mais que isso” em tradução livre – daí veio minha “inspiração” para o título deste artigo). A matéria foi feita na esteira de uma conferência chamada “Exponential Finance”, promovida pela Singularity University. O evento, como todos aqueles promovidos pela Singularity University, foi um espaço para futuristas, personalidades dos mundos dos negócios e ciências, visionários e pessoas que não têm receio em projetar cenários futuros radicalmente diferentes.

Alguns profissionais de planejamento financeiro muito relevantes, como Ric Edelman e Bill Bachrach, participaram da conferência, como palestrantes ou membros de mesas de debates. Ambos fizeram considerações relevantes sobre a total falta de atenção que as pessoas estão dando à possibilidade de terem uma vida significativamente maior do que estão imaginando. Bill Bachrach, em especial, fez um comentário muito interessante sobre a dificuldade dos planejadores financeiros falarem do assunto com seus clientes.

Segundo ele, os clientes olham para os planejadores financeiros (quando estes falam sobre a perspectiva de uma extensão radical da longevidade) como se estes “tivessem fumado crack”… E, às vezes, acabam até perdendo o cliente. Bem, eu sinto exatamente a mesma coisa!

Quando falo sobre o assunto, alguns me olham como se eu tivesse acabado de sair de um disco voador. Outros me falam “você é excessivamente otimista com o futuro” (falando sobre uma vida longa), ao que eu imediatamente respondo “quando se fala de planejamento financeiro, viver muito não é uma vantagem, é um problema”…

Enfim, eu não tenho a menor ideia de qual é a idade ideal para se aposentar, e duvido que alguém tenha. Aliás, deixe-me retificar: UM MONTE de gente tem ideias e até fórmulas sobre qual é a idade certa para se aposentar, mas não considera a hipótese de um aumento radical da expectativa de vida.

Na dúvida, a recomendação mais inocente que eu posso dar é: “prepare-se financeiramente para a aposentadoria considerando a realidade atual”, mas, quando chegar à idade planejada, você não necessariamente deve se aposentar (no sentido de “pendurar as chuteiras” e parar de vez). Mantenha suas habilidades profissionais e sua rede de relacionamentos em dia, pois você pode precisar delas por muito mais tempo do que imagina.

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