Ano novo, gestão velha?

Em sua primeira coluna de 2023, Viviane Martins, CEO da Falconi, convida às lideranças para uma reflexão nesta primeira segunda-feira do ano
 (Anna Makarenkova/Getty Images)
(Anna Makarenkova/Getty Images)
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Viviane Martins

2 de janeiro de 2023, 10h00

Carlos Drummond de Andrade deveria ser a fonte de inspiração de todo o gestor neste início de ano. Como dizia o poeta, "para ganhar um ano novo que mereça este nome, você, meu caro, tem de merecê-lo, tem de fazê-lo de novo, eu sei que não é fácil, mas tente, experimente, consciente. É dentro de você que o Ano-Novo cochila e espera desde sempre". Em um 2023 que promete trazer velhos desafios macroeconômicos à pauta, precisaremos sim, de inovação. Mas de inovação prática, verdadeira, integrada e focada na eficiência.

Em tempos difíceis, é urgente ir além do discurso e conectar presente e futuro de uma forma muito mais pragmática do que o comportamento visto em anos recentes. Para merecer um ano realmente novo, as empresas precisarão experimentar de forma consciente. Não haverá mudanças verdadeiras se as companhias não inovarem, mas a pegada de inovação precisará ser “pé no chão” como parece, aliás, que será demonstrado na principal feira de tecnologia do mundo, a CES, a partir deste dia 5, em Las Vegas.

A expectativa é que o evento traga ao público computadores cada vez mais potentes, capazes de aproximar o público de tecnologias como inteligência artificial e blockchain. Mas sem muitas daquelas surpresas que pareciam ter saído de filme hollywoodiano: carros voadores são uma novidade incrível, claro, mas, mesmo sem tanto glamour, softwares inovadores ajudam negócios a crescer e a economia a melhorar.

O ano começa com um dever de casa para todos, e daqueles que precisam ser feitos já: é preciso sair do campo da invenção e partir para a geração de valor real para o negócio. E isto só é possível se as pessoas estiverem no centro das operações, condição essencial para um ambiente mais adequado à nova economia.

Não podemos cochilar ante uma certeza dentro de todas as empresas e que se não está lá, como no poema, "desde sempre", é, certamente, crescente nos últimos anos: os líderes mais que nunca terão de cuidar dos indivíduos para fortalecer o coletivo. Em um 2023 que promete tantos desafios econômicos, temas como saúde mental, segurança psicológica e capacitação, aliados ao foco em inovação prática para se atingir metas claras, com métricas que meçam os avanços reais para garantir a produtividade, têm de deixar a teoria para juntos, serem incorporados de vez ao dia a dia.

O ano começa exigindo esta transformação no âmago da cultura corporativa. E mudança, como anteviu o poeta, nem sempre é fácil de implementar. Mas precisa acontecer já, a partir de uma decisão consciente das corporações. Integrar a participação da liderança na matriz de mudanças, contando com colaboradores engajados, dispostos a construir presente e futuro com o pé no chão de um ambiente saudável, é o que move a jornada de transformação ágil das companhias mais inovadoras do mundo.

Acredito que fazer inovação é, no fim das contas, resolver problemas. Ela deve ir além da experimentação, trazendo soluções verdadeiras para questões reais, de maneira conectada. Ou seja, tão conectada com os desafios dos clientes que a tecnologia se torna ferramenta para a criação de produtos customizados, ajudando as corporações a crescer. Esse é o fluxo real de inovação: duradouro e acertado.

Que tal deixar velhos modelos de gestão no passado, para ganhar um ano novo que mereça realmente este nome?