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Times de alto desempenho: impacto, estratégias e benefícios

A formação de times de alto desempenho requer uma série de iniciativas das lideranças e da empresa

Os atletas da SE Palmeiras, durante treinamento no Zayed Sports City Stadium, em Abu Dhabi. (Fabio Menotti/Palmeiras/Agência Brasil)
Os atletas da SE Palmeiras, durante treinamento no Zayed Sports City Stadium, em Abu Dhabi. (Fabio Menotti/Palmeiras/Agência Brasil)

Para qualquer amante do esporte, os Jogos Olímpicos de Paris representam um grande marco no calendário de 2024. Essas competições esportivas gigantes trazem reflexões sobre a importância do trabalho em equipe e sobre o impacto que profissionais talentosos podem gerar nos negócios.

Modalidades coletivas demonstram que contar apenas com diversos talentos individuais não é o bastante. O futebol comprova essa tese: craques de bola não alcançam seu máximo desempenho sem um bom entrosamento. No basquete, armadores talentosos se perdem sem a cooperação dos companheiros de quadra. Mesmo a MVP de uma partida de vôlei precisa estar em sintonia com as levantadoras, além de contar com um eficiente sistema de recepção.

Essa lógica se aplica ao universo corporativo. Funcionários extremamente competentes, mas que não rendem em conjunto, terão dificuldade de atingir os objetivos almejados.

Equipes de alto desempenho impactam profundamente os negócios. Elas impulsionam a inovação, elevam a produtividade e melhoram os resultados financeiros. Mas, afinal, como construir um time entrosado, destinado a superar desafios e conquistar vitórias?

Esse objetivo é factível e exige grande envolvimento das lideranças e da organização. Ambas devem proporcionar condições para que a união, a cooperação e a motivação dos funcionários apareçam e cresçam cada vez mais.

Um bom começo é investir no treinamento dos líderes, aprimorando continuamente as soft e hard skills relevantes para a gestão dos liderados. Os gestores são peça-chave para melhorar a performance do grupo.

Outro ponto importante refere-se à autonomia dos colaboradores. Uma organização aberta ao diálogo, a dúvidas e novas ideias propicia um terreno fértil para a criatividade, a colaboração e a proatividade. À vontade para arriscar, errar e aprender, todos contribuem mais e melhor.

Manter um clima agradável e saudável é obrigatório. Isso significa cuidar da limpeza e da organização do local de trabalho, além de valorizar o bem-estar e a qualidade de vida, com ações dedicadas à saúde mental e física. Oferecer uma modalidade de trabalho híbrida e evitar reuniões desnecessárias são alguns exemplos nessa seara.

É fundamental o líder ser acessível, capaz de falar, ouvir e orientar os liderados com empatia. Dar feedbacks individuais e ao grupo regularmente permite reforçar os pontos positivos e corrigir os negativos. Esse processo inclui investimentos em mentoria, cursos, treinamentos e similares.

Uma habilidade indispensável aos gestores é saber se comunicar com clareza, objetividade e respeito. Manter a equipe bem-informada sobre mudanças na empresa e expectativas individuais e coletivas é primordial para que todos atuem bem e na mesma direção.

Reconhecer e recompensar as conquistas do time também vale ouro. Além de reforçar o espírito de equipe, os elogios e as recompensas dão gás para os funcionários manterem o pique. Presentear a equipe com um almoço especial, ingressos para um show ou um dia de descanso são ótimas opções nesse sentido.

Os papéis de cada um no time

Além das iniciativas mencionadas, há o papel a ser cumprido pelos próprios "jogadores". Idealmente, as equipes devem ter as seguintes posições em campo: 

  • Capitão: ele lidera os demais, apoiado na cultura da empresa e no planejamento de seu departamento. Não se trata do profissional com melhor nível técnico, mas o mais habilidoso para guiar o time, extraindo o melhor de todos;
     
  • Estrela do time: o futebol mostra que um jogador brilhante pode até atrapalhar, se ele carregar todo o peso do sucesso nas costas ou se receber um tratamento especial. Para que o talento jogue a seu favor, ele deve ser posicionado com inteligência e todos devem estar cientes de que a responsabilidade por erros e acertos é coletiva;
     
  • Os demais jogadores: apostar em estrelas solitárias é perigoso. Elas podem ficar sobrecarregadas e gerar acomodação no restante do grupo. Cabe ao capitão destacar que a contribuição de todos é relevante. 


Por fim, vale lembrar que a escalação, ou seja, o recrutamento, é parte primordial desse processo. A preocupação dos gestores deve se voltar para a experiência e os resultados já obtidos pelos candidatos, e não somente para a formação acadêmica.

Aqueles que não chegam brilhando podem se revelar talentosos ao longo do tempo com o apoio dos líderes e da organização. Que tal apostar nisso desde já?

Aqui, neste Blog, você encontra outros artigos sobre carreira, gestão e mercado de trabalho. Também é possível ter mais informações sobre os temas na Central do Conhecimento do site da Robert Half. Se você gosta de podcasts, não deixe de acompanhar o Robert Half Talks.

*por Fernando Mantovani, diretor-geral da Robert Half para a América do Sul e autor do livro Para quem está na chuva… e não quer se molhar