Colunistas

Tem o Ketchup da Casa?

Muitas vezes, quando pedimos o “ketchup da casa” estamos dizendo “gosto do seu atendimento personalizado”. Leia o artigo de Leonardo Barci.

20160530 - Leonardo Barci - KetChup da Casa (1)

20160530 - Leonardo Barci - KetChup da Casa (1)

Rad

Relacionamento antes do Marketing

Publicado em 30 de maio de 2016 às 10h00.

Última atualização em 20 de março de 2018 às 13h22.

Priorizar nos meus resultados Google

Aproveitando o gancho do Márcio no artigo da semana passada, trago um exemplo da profundidade que a “Estratégia (de relacionamento) é corporativa e não apenas uma iniciativa isolada de uma área, como Marketing ou Comercial” pode significar.

Se, como empresário e executivo de marketing, sua decisão é atender bem de verdade seu cliente, então, eventualmente você precisará ir além de abrir canais de comunicação e começar a mexer nos produtos e na forma como eles são criados.

Para isto conto uma experiência pessoal...

Frequento há alguns anos uma rede de restaurantes que nasceu em Curitiba, e hoje está espalhada em várias cidades pelo Brasil e também no exterior chamada Madero.

Tive oportunidade de ser atendido na primeira loja, pouco antes da marca iniciar seu processo de expansão na cidade e depois pelo Brasil.

O que me atraiu desde a primeira vez em que fui convidado para comer no local e depois por muitas vezes com a família, amigos e eventualmente até sozinho era o chamado ketchup da casa. Uma delícia à parte, produzida originalmente pelo fundador e chef, Junior Durski.

Palavras do próprio chef Durski: “não faço nada que minha avó não comeria”. No caso deste ketchup (ainda que o ketchup seja um alimento relativamente recente em nossa culinária), tenho certeza de que qualquer avó comeria e pediria bis.

Parece um exagero o que compartilho, mas chegou um determinado momento onde alguns clientes começaram a considerar o tal do ketchup como um ‘brinde da casa’ e, simplesmente, ‘subtraíam o produto ao final das refeições.

O produto, porém, tinha um viés; era de produção artesanal e não durava mais do que 48 horas. Enquanto eram poucas lojas, isto não era um grande problema, mas no momento em que a marca iniciou seu movimento de expansão, não havia mais condições de que o tal ketchup continuasse sendo servido.

Durante algum tempo, algumas das lojas mais antigas da cidade ainda continuaram a oferecer o produto, mas somente quando o cliente pedia. Depois de algum tempo, nem isto mais era possível.

Ainda que com alguma compreensão do que significa a escolha de expandir um negócio e ter de tomar decisões difíceis como tirar da mesa produtos que o cliente valoriza, cheguei a escrever através do formulário de pesquisa da casa um pedido de “traz o ketchup de volta! ”. Imagino que vários destes pedidos tenham chegado à central de relacionamento da empresa.

20160530-leonardo-barci-ketchup-da-casa-1

-

Na minha leitura, percebi (como cliente) a sinceridade da marca em procurar a melhor solução e colocar como ‘substituto’ um ketchup de alto reconhecimento mundial. Era bom, mas de verdade... não era a mesa coisa!

Da última vez em que estive na loja, porém, vi algo que realmente me surpreendeu. A marca conseguiu estabelecer um modelo de parceria ou algo similar com uma marca de condimentos do sul do País e chegou a uma solução que, em minha visão atendeu tanto a empresa – dentro de seu modelo de negócios – mas mais do que isto, trouxe aquela mensagem silenciosa aos clientes de: “Amamos o que fazemos e queremos que você receba o melhor possível como cliente. Queremos ver você feliz quando visitar nossa casa. ”

Para minha surpresa, a marca conseguiu juntar um modelo de produção artesanal com uma produção em escala. Compartilho a foto de um ketchup que segue a receita original de Durski, porém, com algumas pequenas modificações para que o produto possa durar 15 dias ao invés das 48 horas iniciais. Certamente o produto nunca chegará aos supermercados, mas quem se importa? O produto tornou-se novamente um grande chamariz para que os clientes retornarem ao restaurante.

Provavelmente, este modelo saiu mais caro para a empresa do que simplesmente comprar o melhor ketchup do mercado. Tanto sob o ponto de vista de compras como de produção e distribuição. Talvez tenham até conseguido uma negociação diferenciada com o produtor, mas, no mínimo, isto significou mais trabalho para algo que qualquer outro restaurante com foco apenas na expansão de negócio teria colocado em segundo plano.

Ao final, os clientes agradecem o tão famoso Ketchup da casa.

Obrigado, Madero, pela gentileza e atenção!