O Brasil não é para amadores

Entenda a importância de permanecer investindo com disciplina e visão de longo prazo
 (Phil Ashley/Thinkstock)
(Phil Ashley/Thinkstock)
Por Panorama EconômicoPublicado em 25/04/2022 17:27 | Última atualização em 25/04/2022 17:27Tempo de Leitura: 4 min de leitura

Por Rodrigo Eboli**

Tom Jobim cunhou uma frase que, com uma leve adaptação, se transformou em um mantra: “O Brasil não é para principiantes.” Ao longo do tempo o adjetivo “principiantes” foi substituído por “amadores” e, assim, o ditado popularizou-se em diversos círculos e segmentos.

Nos últimos anos, o Brasil se manteve fiel a esse mantra e não faltam episódios para nos lembrar quão volátil é o ambiente de investimentos do nosso país. É preciso ter sangue frio para aguentar os altos e baixos da nossa economia e a constante incerteza política e jurídica. Como se não bastasse o cenário doméstico sempre desafiador, de tempos em tempos aparece uma crise no exterior que acaba nos atrapalhando. Temos aquela eterna sensação de que nunca aproveitamos os mares calmos do exterior, mas sempre colhemos as tempestades.

Nos últimos 18 anos não faltaram crises globais e domésticas como evidencia o gráfico abaixo. No entanto, nesse mesmo período, o investidor paciente e resiliente que possuía uma carteira bem diversificada em classes de ativos e uma boa seleção de gestores foi recompensado. Tal carteira* rendeu 824% no período vs. 514% do CDI, 182% do IPCA e 64% do Dólar.

Cabe ressaltar que a travessia para atingir este resultado não foi sem solavancos. O investidor chegou a sofrer quedas de -9% na Crise Financeira de 2008 e na Crise do Covid além de quedas menores na greve dos caminhoneiros (-2,2%) e no dia que ficou conhecido como Joesley Day (-4,2%), quando foram divulgadas gravações de uma conversa entre o ex-presidente Temer e o controlador da JBS.

Nos casos mais dramáticos, como foram as quedas na Crise Financeira de 2008 e na Crise do Covid em 2020, o investidor que decidiu vender todas as suas posições e investir tudo no CDI acabou não pegando a volta e comprometeu o seu retorno de longo prazo, como evidencia o gráfico abaixo.

O ano de 2021 foi mais um ano desafiador, onde o investidor registrou perdas em renda fixa (não pós-fixada) e em renda variável. No final do ano muitos jogaram a toalha e resolveram migrar todos os seus recursos para renda fixa pós-fixada, aproveitando-se dos juros novamente elevados. Alguns inclusive aproveitaram para enviar recursos para o exterior vislumbrando um ano difícil para a economia brasileira. Entretanto, após o fechamento do primeiro trimestre de 2021 vemos que essa não foi a melhor decisão. A bolsa em reais subiu mais de 30% enquanto os multimercados tiveram um dos melhores desempenhos trimestrais de sua história recente. A bolsa americana, grande destaque positivo do ano passado, registrou queda de 5% no mesmo período.

Exemplos como esse não faltam na literatura financeira. Normalmente sabemos o que temos que fazer. É como fazer exercícios e ter uma dieta balanceada. Sabemos que é o melhor caminho para uma vida saudável. O desafio está na disciplina. Para colhermos o resultado temos que percorrer a travessia. Como já disse Warren Buffett, a qualidade mais importante para um investidor de sucesso é o controle emocional, não o intelecto.

(Panorama Econômico/Reprodução)

*Carteira teórica baseada em um perfil de risco moderado.

Este relatório possui caráter informativo, não constitui material promocional e não foi produzido como uma solicitação de compra ou venda de qualquer ativo ou instrumentos financeiros relacionados em qualquer jurisdição. Os dados que aparecem nos gráficos referem-se ao passado, a rentabilidade obtida no passado não representa garantia de rentabilidade futura. O conteúdo é de propriedade intelectual da BRAINVEST ASSESSORIA FINANCEIRA E GESTÃO DE RECURSOS LTDA e não deve ser reproduzido e/ou distribuído por qualquer outra pessoa, parcialmente ou em sua totalidade, sem o seu prévio consentimento por escrito.

**Rodrigo Eboli teve passagens pela BNY Mellon ARX Asset Management e Turim Multi-Family Office de onde saiu para ser responsável por seleção de fundos e gestão de fundos exclusivos no Banco Brasil Plural. Foi sócio fundador da Triar Gestão de Patrimônio, spin-off da divisão de Private Wealth Management do Banco Brasil Plural. Antes de ingressar na Brainvest onde atua como Portfolio Manager exercia a função de gestor de fundos exclusivos e fundos de fundos na Bradesco Asset Management.