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IA na educação: mitos e os desafios da aprendizagem

Comissão na Câmara discute marco regulatório enquanto experiências internacionais mostram ganhos de aprendizagem com inteligência artificial

Rio de Janeiro (RJ), 04/06/2025 – A professora do Centro Integrado de Educação Pública (CIEP) 001, Maria Aparecida Castro durante aula na instituição, no Catete, na zona sul da capital fluminense. Foto: Tomaz Silva/Agência Brasil (Tomaz Silva/Agência Brasil)

Rio de Janeiro (RJ), 04/06/2025 – A professora do Centro Integrado de Educação Pública (CIEP) 001, Maria Aparecida Castro durante aula na instituição, no Catete, na zona sul da capital fluminense. Foto: Tomaz Silva/Agência Brasil (Tomaz Silva/Agência Brasil)

Publicado em 5 de março de 2026 às 11h28.

Última atualização em 5 de março de 2026 às 14h28.

A inteligência artificial (IA) deixou de ser um conceito futurista para se tornar uma ferramenta concreta de transformação social. Ainda caminhando a passos lentos e sem regulamentação no Brasil, a tecnologia já faz parte do cotidiano das pessoas e veio para ficar. Na Câmara dos Deputados, como presidente da Comissão Especial sobre Inteligência Artificial (PL 2338/23) e membro da Comissão de Educação, procuramos travar discussões bastante técnicas, afastando a contaminação por questões ideológicas.

Toda nova tecnologia apresenta riscos e oportunidades e, portanto, estamos em um momento muito singular. A regulamentação da IA pode ajudar nosso País a crescer ou pode barrar a inovação, impedindo o nosso desenvolvimento. Uma das aplicações da inteligência artificial muito debatidas, sem dúvida, é na educação. A IA pode redesenhar a forma como ensinamos, aprendemos e avaliamos a aprendizagem e o conhecimento.

Experiências internacionais mostram que a inteligência artificial aplicada à educação já apresenta resultados concretos. Nos Estados Unidos, por exemplo, houve aumento significativo na retenção de conteúdo e melhoria no desempenho em matemática e leitura, especialmente em escolas públicas de regiões vulneráveis; na China, o uso de sistema de aprendizagem personalizada elevou indicadores de desempenhos em disciplinas STEM (integração educacional de Ciência, Tecnologia, Engenharia e Matemática); já a Finlândia tem investido na formação docente para uso pedagógico de IA, com prioridade ao pensamento crítico e ética digital.

Os exemplos mundo afora são inúmeros e bons métodos podem - e devem - ser adaptados à realidade brasileira. A aplicação da IA permite a personalização do ensino, ajustando conteúdo de forma individualizada; pode ser usada como ferramenta de apoio ao professor, uma vez que pode identificar de forma mais ágil defasagens de aprendizagem, além de auxiliar na elaboração de planos de aula, correção de atividades e monitoramento de desempenho.

E, precisamos frisar, que a IA não vai substituir o professor, ao contrário. A tecnologia pode potencializar sua atuação, garantindo aos docentes mais tempo para o acompanhamento humano e pedagógico, características inatas a nós - seres humanos. É uma ferramenta também que pode auxiliar na redução das desigualdades educacionais entre estados e regiões e até mesmo entre ensino público e privado.

O Paraná tem se destacado na incorporação de soluções digitais em escolas públicas com a utilização de plataformas educacionais com análise de desempenho, ambientes virtuais de aprendizagem e sistemas de apoio pedagógico, permitindo acompanhamento individualizado e gestão baseada em dados. A experiência paranaense reforça um ponto essencial: a inovação precisa caminhar junto com formação docente e governança responsável.

É importante frisar que a inteligência artificial aplicada à educação exige diretrizes claras sobre proteção de dados, transparência algorítmica e ética. É exatamente nesse sentido que os trabalhos da comissão especial avançam: na criação de um marco regulatório que incentive inovação, garanta segurança jurídica e proteja estudantes e educadores.

Precisamos assegurar que os dados educacionais sejam utilizados exclusivamente para fins pedagógicos e que a tecnologia seja instrumento de emancipação, não de vigilância. A revolução tecnológica já começou. Países que liderarem a integração responsável da IA na educação estarão melhor preparados para formar cidadãos críticos, criativos e aptos a enfrentar os desafios do século 21.

A inteligência artificial não é apenas uma ferramenta tecnológica — é uma oportunidade histórica de reduzir desigualdades, elevar a qualidade do ensino e preparar o Brasil para um novo ciclo de desenvolvimento. Investir em IA na educação é investir no futuro do país.

*Luísa Canziani é deputada federal pelo PSD-PR e integra a Frente Parlamentar Mista da Educação. É membro da Comissão de Educação e presidente da Comissão Especial sobre Inteligência Artificial (PL 2338/23) da Câmara dos Deputados.