(J Studios/Getty Images)
Publicado em 10 de janeiro de 2026 às 08h00.
Por Christiano Lucena, vice-presidente e diretor geral da Docusign na América Latina
Em 2025 vimos a IA se consolidar nas rotinas cotidianas das pessoas e companhias, o que representa uma das maiores mudanças estruturais da história da tecnologia. Após um ciclo marcado pela experimentação e pela rápida adoção de novas ferramentas, o próximo desafio já está desenhado: transformar inovação em eficiência real.
Sem processo claro, identidade, conformidade regulatória e foco no cliente, a IA não cumprirá sua promessa de otimizar processos, o que é vital para evitar ineficiências que, segundo estimativas da Deloitte, custam às empresas latino-americanas até 170 bilhões de dólares anualmente.
Além disso, o ambiente regulatório brasileiro adiciona uma camada de complexidade. Com a Reforma Tributária vigente a partir de 2026, cresce a demanda por soluções tecnológicas capazes de revisar, adaptar e garantir conformidade em um grande volume de contratos.
Por isso, é preciso assegurar que todos os recursos sejam orientados por processos bem definidos, automatizados e confiáveis, desde uma perspectiva de políticas e ferramentas centralizadas da organização. Nesse sentido, no que refere à tecnologia de IA, acredito que cinco tendências devem estar no radar dos líderes empresariais do Brasil neste novo ano.
Primeiro: a IA continua em alta, mas precisa de processos. Há uma necessidade crítica de harmonizar a adoção da IA com fluxos de trabalho bem definidos e esses processos são essenciais para garantir a governança, segurança, pontos de controle de conformidade e transparência necessários para gerenciar contratos e mitigar riscos de forma eficaz.
A construção de fluxos de trabalho bem orquestrados são o próximo porto seguro para as organizações. Processos servem como guias essenciais para as pessoas que utilizam a tecnologia; sem esses elementos de orientação, a IA não cumprirá sua promessa de otimizar o trabalho diário.
Uma segunda tendência é que a IA amplifica o trabalho jurídico, mas não irá substituí-lo. Com a aceleração da Inteligência Artificial, muitos setores estão passando por uma grande mudança (entre eles o jurídico); mas a transformação dos times jurídicos com o uso da tecnologia não implica a substituição de profissionais. No que diz respeito à gestão de contratos, os recursos da IA têm o grande potencial de liberar os advogados de tarefas operacionais e repetitivas, permitindo-lhes concentrarem-se em atividades de maior valor estratégico.
O conhecimento em regulamentações e jurisprudência de especialistas jurídicos legais é essencial para o treinamento e validação da tecnologia. Além disso, esses profissionais continuarão sendo cruciais para interpretar e revisar conteúdos gerados por IA. O que muda com impacto significativo é sua eficiência. Pesquisas recentes indicam que os líderes legais já observam mais de 20% de alinhamento regulatório em rascunhos criados com IA em sistemas confiáveis de gestão de acordos.
Outro ponto de atenção é que, três anos após sua aprovação, a Reforma Tributária entrará em vigor no início de 2026 – quando empresas podem e devem fazer uso da tecnologia para se adaptarem às mudanças necessárias. Embora haja um período de transição, será preciso um grande esforço das organizações para revisar e adaptar todo o acúmulo de contratos e termos associados. Como todas as empresas dependem de contratos, elas devem identificar proativamente oportunidades, avaliar riscos e cumprir os novos requerimentos decorrentes dessa transformação significativa.
Impulsionadas pela IA, os recursos das plataformas de gestão contratual permitirão revisar o inventário de contratos para garantir alinhamento normativo, o que dará maior visibilidade às negociações, riscos e oportunidades. Essas capacidades serão críticas para dar mais agilidade e eficiência, pois a tarefa de revisão e adaptação será um grande desafio para organizações sem uma gestão centralizada de acordos.
Por outro lado, empresas que já automatizaram seus processos contratuais podem aproveitar o poder da tecnologia para identificar negociações que precisam de atenção imediata, redigir novos termos contratuais em conformidade com a Reforma e revisar o inventário completo de contratos para garantir a conformidade com o novo padrão.
A verificação de identidade é mais uma tendência. Afinal, conformidade e segurança são requisitos básicos, principalmente em um contexto de crescente ameaça à segurança de informações confidenciais, onde 1 em cada 4 empresas brasileiras relatam um aumento nas tentativas de fraude de dados.
Tecnologias confiáveis, incluindo identificações governamentais e dados biométricos, são a próxima fronteira para a confiança, reduzindo o risco, salvaguardando investimentos e tornando a experiência do cliente mais segura.
Ao integrar a verificação de identidade e elementos biométricos aos fluxos de trabalho, em especial com a IA, a capacidade das empresas de combater a fraude melhora substancialmente. É assim que as organizações que acompanham este tema se posicionam na vanguarda neste aspecto.
Por fim, o foco na experiência do cliente. Quando projetamos o futuro, por vezes tendemos ao futurismo, mas essas perspectivas oferecem uma abordagem prática para tornar a experiência do cliente mais simples e segura, uma prioridade que precisa ser abordada agora, não daqui a cinco anos.
Em um cenário em que as mudanças que antes levariam anos se tornaram urgentes, as empresas precisam antecipar decisões e adaptar suas estratégias com diligência. Afinal, a experiência do cliente deveria ser uma prioridade para todas as empresas.
Portanto, em 2026 a mensagem é clara: a tecnologia continuará avançando rapidamente, mas serão os processos, a governança e o foco no cliente que determinarão quem realmente colherá os frutos dessa transformação.